A saída de Cristiano Ronaldo da seleção de Portugal foi confirmada nesta quarta-feira, dia 30 de setembro de 2026, em meio a uma atmosfera de controvérsia envolvendo o atacante e o técnico Jorge Jesus. A decisão abrupta do jogador se deu na concentração em Copenhague, na Dinamarca, poucas horas antes de um importante confronto contra os anfitriões, marcado para esta quinta-feira, 1º de outubro, às 15h45 (horário de Brasília), pela terceira rodada do Grupo D da Liga das Nações. Este afastamento do emblemático capitão gerou imediata repercussão no cenário do futebol.
O pano de fundo para a surpreendente desfiliação do craque português foi a entrevista coletiva concedida pelo treinador Jorge Jesus mais cedo, no mesmo dia. As declarações de Jesus sobre a gestão da carga física e a ausência de Cristiano Ronaldo em jogos recentes, somadas a uma possível discordância nos bastidores, culminaram na saída do atleta da equipe que representa o país.
Cristiano Ronaldo deixa seleção de Portugal após fala de Jorge Jesus
Maior artilheiro na história da equipe lusa, com um impressionante registro de 146 gols, o astro do futebol também detém o recorde de gols marcados por um único jogador por uma seleção nacional. Apesar de seu status, Ronaldo não foi a campo na vitória de Portugal por 2 a 1 sobre a Noruega, em uma partida disputada fora de casa, no Estádio Ullevaal, em Oslo, no domingo passado, 27 de setembro. Durante o segundo tempo daquele confronto, válido pela segunda rodada da Liga das Nações, o atacante chegou a se aquecer com os demais reservas, mas sua insatisfação por não ter sido utilizado na partida foi notória.
Em contraste com a partida contra a Noruega, três dias antes, o jogador CR7 havia sido peça fundamental na vitória apertada de 1 a 0 sobre o País de Gales, no Estádio José Alvalade, em Lisboa, durante a estreia da competição europeia. Este confronto marcou não apenas o início da jornada de Portugal no torneio, mas também a primeira vez de Jorge Jesus no comando da seleção portuguesa. Naquela ocasião, o artilheiro começou como titular, teve um gol anulado por impedimento e permaneceu em campo até os 22 minutos da segunda etapa, quando foi substituído pelo atacante Gonçalo Ramos, reforçando a gestão do elenco já nesse primeiro compromisso.
Ao ser interpelado pelos jornalistas sobre a ausência de Ronaldo em partidas, o técnico Jorge Jesus explicou que existia um planejamento preestabelecido para não escalá-lo nos jogos contra a Noruega e a Dinamarca. O treinador destacou, contudo, que caso a necessidade se impusesse, ele não hesitaria em colocá-lo em campo. Jesus acrescentou que o controle da carga de trabalho e o monitoramento físico do atacante, de 41 anos, eram práticas já adotadas desde o período em que ambos trabalharam juntos no Al-Nassr, clube da Arábia Saudita onde o camisa 7 atua atualmente, evidenciando uma continuidade na estratégia de manejo do atleta.
O treinador português foi enfático ao defender sua autoridade, deixando clara sua visão sobre a gestão da equipe. “Eu sou o treinador e disse ao jogador que ele não iria jogar. ‘Vou levar você para o banco. Se precisar de você por 30 minutos, você vai jogar. Se não precisar, não vai jogar’. Nunca nenhum jogador vai mudar as minhas ideias. Nem ele, nem ninguém no futebol. Nem presidente nenhum. Nunca. Zero”, declarou o técnico, que também teve uma passagem vitoriosa pelo Flamengo, no Brasil, entre 2019 e 2020. Essa postura rígida e direta sublinhou a determinação de Jesus em manter a autonomia em suas decisões técnicas.
Imediatamente após a coletiva de imprensa do treinador, Cristiano Ronaldo, que estava reunido com a delegação no Estádio Parken — o local da partida desta quinta-feira —, deixou o complexo esportivo e sequer participou do treinamento que se seguiria. Pouco depois, o jogador utilizou suas redes sociais para confirmar sua saída da concentração da equipe nacional, uma decisão que, segundo ele, foi tomada após uma conversa com o presidente da Federação Portuguesa de Futebol (FPF), Pedro Proença, indicando um desdobramento que rapidamente escalou para um nível institucional.
Em sua mensagem publicada nas plataformas digitais, CR7 expressou: “A seu tempo, direi a verdade a todos os portugueses sobre as razões que motivaram a minha saída da equipe nacional, à qual sempre me dediquei. Agora é tempo de desejar boa sorte a Portugal e a todos os meus companheiros de equipe, sem exceção”. A declaração, ao mesmo tempo que confirmou seu afastamento, deixou um mistério no ar sobre os detalhes completos do incidente, prometendo futuras revelações aos torcedores lusos, e demonstrou um gesto de companheirismo com os atletas restantes.
A Federação Portuguesa de Futebol (FPF), por sua vez, também se manifestou oficialmente através das redes sociais, ratificando a decisão do atacante de abandonar a concentração. A entidade máxima do futebol português informou que a preparação da seleção para os compromissos contra a Dinamarca e a Noruega – este último agendado para domingo, 4 de outubro, às 15h45 (horário de Brasília), no Estádio do Dragão, na cidade do Porto – prossegue conforme o previsto, contando com a participação dos outros 24 jogadores que foram inicialmente convocados, indicando que o cronograma e os objetivos desportivos da seleção não seriam alterados, apesar da ausência de sua maior estrela.
O “imbroglio” envolvendo Cristiano Ronaldo e Jorge Jesus e o subsequente abandono de concentração pelo atacante podem trazer consequências disciplinares graves. De acordo com o parágrafo 1º do artigo 160 do código disciplinar da Federação Portuguesa de Futebol, a atitude de abandonar as atividades da seleção é passível de sanções que variam de um a seis meses de afastamento da equipe nacional. Tal penalidade poderia comprometer a participação de um dos maiores nomes do esporte em futuras competições e eliminatórias, dependendo da interpretação e aplicação das normas pela FPF.
Em meio a esse cenário de tensão, a seleção de Portugal mantém-se firme na liderança do Grupo D da Liga das Nações, acumulando seis pontos após as rodadas iniciais. A Noruega e a Dinamarca seguem logo atrás, cada uma com três pontos, enquanto o País de Gales se encontra na lanterna do grupo, sem nenhum ponto conquistado até o momento. Conforme o regulamento da competição, as duas primeiras equipes de cada grupo avançam para as quartas de final. Portugal ostenta a posição de maior vencedora do torneio, com dois títulos conquistados, sendo o mais recente na edição passada, em 2025, o que solidifica sua tradição e aspirações no torneio continental. Para mais detalhes sobre a Liga das Nações e suas últimas atualizações, acesse o site oficial da UEFA.
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A controvérsia gerada pela saída de Cristiano Ronaldo da seleção portuguesa, catalisada pelas declarações de Jorge Jesus, marca um momento crucial na trajetória recente da equipe e do próprio atleta. Enquanto Portugal busca consolidar sua posição na Liga das Nações com os demais convocados, o desfecho deste episódio e as possíveis consequências disciplinares para o renomado atacante permanecem em aberto. Continue acompanhando nossa editoria de Esportes para todas as atualizações sobre o futebol português e internacional, bem como análises aprofundadas sobre os desenvolvimentos deste caso.
Crédito da imagem: Liselotte Sabroe
