O Governo Federal iniciou uma fase de fiscalização intensificada nas plataformas de apostas de quota fixa, popularmente conhecidas como bets, resultando na identificação de 48 contas de apostadores com saldos individuais superiores a R$ 500 mil. A informação foi revelada pelo ministro da Fazenda, Dario Durigan, que confirmou a análise detalhada e a possibilidade de investigação sobre essas contas, as quais foram detectadas no balanço da primeira semana de ações fiscalizatórias. Este período sucede a publicação da medida provisória que estabeleceu a proibição de exploração, oferta, intermediação e publicidade dessas apostas em todo o território nacional.
Segundo as declarações do ministro Durigan, a amplitude e o valor destas 48 contas demonstram um padrão de movimentação significativamente distinto do observado na maioria dos apostadores que ainda possuíam recursos nas plataformas. Tal discrepância, que diverge substancialmente do montante geral de saldos remanescentes, é o que leva o governo a encaminhar as informações coletadas para as autoridades competentes, podendo, consequentemente, ensejar investigações mais aprofundadas sobre a origem e a legitimidade dos valores em questão.
Governo Federal Analisa Contas de Bets Acima de R$ 500 Mil
Durigan detalhou o funcionamento do fluxo de trabalho na área financeira, que se inicia após a identificação da empresa responsável pelo site de apostas e da instituição bancária encarregada de processar os pagamentos. Uma vez determinados esses elos, as contas suspeitas são bloqueadas, iniciando um processo administrativo que pode resultar na destinação dos recursos apreendidos para o fortalecimento da segurança pública. Este mecanismo visa coibir práticas ilícitas e reverter os ganhos em benefício da sociedade.
A apuração dessas contas de elevado valor se alinha a um movimento estratégico do governo, que simultaneamente tem reforçado a capacidade da Polícia Federal para o enfrentamento da lavagem de dinheiro. Em 1º de fevereiro, através do Decreto nº 13.131/2026 (publicado na quinta-feira), foi estabelecida a Coordenação-Geral de Repressão à Lavagem de Dinheiro e Recuperação de Ativos (CGLA). Esta nova estrutura tem como finalidade unificar quatro setores que até então atuavam de forma segregada: inteligência financeira, investigação patrimonial, recuperação de bens e combate direto à lavagem de dinheiro. Essa integração potencializa as ações e otimiza a resposta estatal a crimes financeiros complexos.
O Ministério da Justiça e Segurança Pública (MJSP) esclareceu que a recém-criada coordenação disporá de divisões especializadas no combate às apostas ilegais e à manipulação de resultados em eventos esportivos. O escopo de atuação inclui o monitoramento rigoroso do fluxo financeiro associado às bets, identificando e interceptando quaisquer tentativas de financiar organizações criminosas, bem como desarticulando esquemas de lavagem de dinheiro que empregam criptomoedas ou outras tecnologias financeiras. Conforme ressaltou o ministro da Justiça, Wellington César Lima e Silva, “a Polícia Federal estará vigilante no que diz respeito à associação de bets e outros temas com o crime organizado”.
Complementarmente, o decreto também instituiu o Departamento de Fiscalização e Prevenção de Danos ao Consumidor na Secretaria Nacional do Consumidor (Senacon), com a criação de 26 novos cargos para aprimorar as ações protetivas ao cidadão. Ademais, ampliou-se as prerrogativas da Secretaria Nacional de Direitos Digitais (Sedigi), que passa a ter autonomia para notificar plataformas digitais e lojas de aplicativos, exigindo a remoção de conteúdos que estejam em desacordo com as normativas da Medida Provisória, reforçando a proteção ao ambiente online.
Conforme dados do Ministério da Fazenda, houve uma retração significativa nos valores depositados por apostadores nas plataformas desde 26 de setembro, dia seguinte à assinatura da MP que vetou as bets. O montante caiu 30,99%, representando uma redução de R$ 652,6 milhões. Apesar dessa diminuição, estima-se que ainda há R$ 1,33 bilhão a ser resgatado, distribuído entre 26,54 milhões de CPFs com saldo positivo. Durigan ainda enfatizou que, anteriormente à Medida Provisória, cerca de R$ 600 milhões eram movimentados diariamente em transferências para as casas de apostas, um fluxo financeiro que, em grande parte, foi interrompido com a proibição imposta.
A fase para que os apostadores efetuem o saque do dinheiro de suas contas, em empresas que antes eram autorizadas, encerra-se às 23h59 desta segunda-feira, dia 5 de outubro. A partir de terça-feira, dia 6, os sites e aplicativos dessas plataformas deixarão de estar em pleno funcionamento. A recomendação clara do ministro Durigan era que o “o jeito mais simples e fácil de a pessoa pegar o dinheiro de volta é entrar no site e retirar o recurso até dia 5, fim do dia”.

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Entretanto, caso o apostador não consiga efetuar o saque dentro do prazo estabelecido, o dinheiro não será perdido. Entre os dias 7 e 8 de outubro, as empresas são responsáveis por fornecer às instituições financeiras uma listagem detalhada dos saldos remanescentes, com discriminação por CPF. Subsequentemente, de 9 a 14 de outubro, os bancos assumem a responsabilidade pela devolução desses valores aos respectivos proprietários. Havendo algum tipo de impedimento nesse processo, os valores serão transferidos para a Caixa Econômica Federal a partir do dia 14, que então ficará encarregada de realizar o pagamento diretamente aos apostadores. O ministro da Fazenda reafirmou que “o recurso é sempre do apostador”, garantindo a proteção patrimonial dos cidadãos.
Paralelamente à fiscalização das contas, o período entre 25 de setembro e 1º de outubro registrou um esforço concentrado no combate a operações ilegais online. Nesse intervalo, um total de 10.435 sites considerados ilegais foram encaminhados à Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) para providências de bloqueio. Essa ação conjunta foi conduzida pelo Laboratório de Operações Cibernéticas do MJSP e pela Secretaria de Prêmios e Apostas, pertencente à Pasta da Fazenda, demonstrando uma coordenação eficaz entre os órgãos governamentais.
No âmbito das redes sociais e plataformas de mensagens instantâneas, o governo também solicitou a remoção de 3.040 conteúdos ilícitos, incluindo páginas, perfis, canais e grupos. A distribuição das solicitações incluiu 1.974 no Facebook, 375 no Instagram, 605 no Telegram, 85 no TikTok e um servidor no Discord. Notavelmente, somente nos aplicativos Telegram, Discord e TikTok, esses conteúdos alcançavam uma audiência estimada em 3,46 milhões de usuários, ressaltando o impacto e a disseminação de plataformas ilegais nesses ambientes.
Complementando as ações, foram enviadas notificações para 186 aplicativos hospedados nas lojas da Apple e do Google, solicitando suas retiradas até a terça-feira, dia 6 de outubro. Além disso, oito das maiores plataformas globais – Google, Meta, YouTube, X, Telegram, TikTok, Kwai e Discord – foram formalmente notificadas para remover qualquer tipo de publicidade relacionada a bets de suas interfaces, marcando uma ofensiva abrangente contra a disseminação e promoção de apostas não regulamentadas.
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Em suma, a fiscalização rigorosa das contas de apostadores com saldos elevados nas plataformas de apostas de quota fixa é parte de uma estratégia governamental ampla. Ela abrange desde a análise financeira aprofundada até o fortalecimento de estruturas como a CGLA na Polícia Federal e a intervenção em mídias digitais para coibir práticas ilícitas. Para continuar acompanhando as notícias sobre as medidas do governo, legislação e impactos na economia, explore nossa editoria de Política.
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