O Setembro Chuvoso SP, registrado em 2026, transformou a simples tarefa de secar roupas em um desafio cotidiano para milhares de paulistanos. Com um volume de chuvas recorde e temperaturas consideravelmente abaixo da média histórica, o mês de setembro gerou um cenário atípico, impulsionando a demanda e o faturamento de lavanderias e fabricantes de máquinas lava e seca.
Dados divulgados pelo Centro de Gerenciamento de Emergências Climáticas (CGE) apontam que o nono mês do ano de 2026 finalizou com impressionantes 295,1 milímetros de precipitação na capital paulista. Esse índice representa um aumento de 347,1% acima da média usual para o período, consagrando-se como o setembro mais úmido desde o início dos registros em 1995.
Setembro Chuvoso SP: Lavanderias e Lava e Seca Disparam
A situação pluviométrica extrema foi agravada pelas baixas temperaturas. A média das mínimas durante setembro atingiu 14,2°C, o que configura uma queda de aproximadamente 1°C em relação à média histórica de 15,2°C. De forma similar, a temperatura máxima média foi de 22,6°C, estando 3,4°C abaixo da média de 26°C. Esta conjunção de fatores — intensa chuva, menor incidência de sol, alta umidade e temperaturas amenas — estendeu consideravelmente o tempo necessário para a secagem natural das roupas, levando a população a buscar soluções alternativas e, por consequência, estimulando setores específicos da economia.
Impacto Direto no Setor de Lavanderias
No segmento de lavanderias self-service, a fase de chuva intensa foi peculiarmente nomeada de “Natal das lavanderias” pela rede Aquamagic, denotando o pico de atividade. Os resultados financeiros comprovam essa analogia. Uma unidade consolidada da Aquamagic em Jundiaí (SP), em operação há mais de um ano, testemunhou um crescimento notável de 354% no faturamento em setembro de 2026, comparado ao mesmo mês de 2025. Esse desempenho superou em 177% a média de faturamento mensal da própria loja nos doze meses que precederam o período chuvoso.
Essa tendência positiva não se limitou a Jundiaí, estendendo-se por outras cidades. Em Piracicaba (SP), o faturamento anual da Aquamagic registrou um avanço de 247% e permaneceu 123% acima da média recente da unidade. Curitiba (PR) também acompanhou o movimento, com sua receita aumentando 98% em comparação com setembro de 2025, superando em 65% a média dos doze meses anteriores.
Diego Ventura, fundador da Aquamagic, elucidou que a influência das condições climáticas adversas no negócio é um fenômeno já conhecido, mas que se intensificou significativamente em 2026. Ele explica que períodos prolongados de precipitação frequentemente elevam a demanda dos serviços de lavanderia em cerca de 40% a 50%, com o grau do impacto variando conforme a localidade e a duração do mau tempo. Ventura detalhou que o cenário mais benéfico para uma lavanderia não são temporais fortes e isolados, mas sim uma sequência de dias nublados e de alta umidade, caracterizados por uma “chuvinha que fica dias, a garoa, o tempo fechado”. Ele observa que, após um certo período, a secagem natural se torna inviável, forçando os consumidores a procurar soluções rápidas.
A rede 5àsec, por sua vez, registrou seu crescimento mais expressivo nos serviços de autosserviço, onde os clientes utilizam as máquinas de lavar e secar diretamente nas lojas. Segundo Fernando Toledo, vice-presidente de operações da 5àsec, essa reação contraria o padrão tradicional do setor, no qual os meses de maior movimento costumam ser entre novembro e janeiro e o início do inverno. Em 2026, contudo, a modalidade de autosserviço reagiu de forma contundente ao clima chuvoso em setembro, especialmente na região Sudeste do Brasil, conforme destacado em relatórios climáticos nacionais como os da Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico, que monitoram variações hidrológicas.
Os números refletem essa alteração no comportamento do consumidor. A utilização de secadoras no autosserviço da 5àsec expandiu 80% em comparação com setembro de 2025. Simultaneamente, o volume de clientes aumentou 79% e o faturamento total da modalidade apresentou um crescimento de 79% na comparação anual, além de um incremento de 47% em relação a agosto. A 5àsec também detectou uma maior procura por produtos típicos de inverno e de uso doméstico confortável: toalhas de mesa tiveram um crescimento de 19%, enquanto peças como malhas, moletons e pullovers avançaram 16% na busca dos clientes.
Adicionalmente, a LavPop, rede de autosserviço que pertence ao mesmo grupo da 5àsec, alcançou em setembro seu melhor desempenho histórico, com um faturamento que superou em 126% o montante registrado no mesmo mês do ano anterior.

Imagem: infomoney.com.br
Crescimento nas Vendas de Máquinas Lava e Seca
Enquanto parte da população optou por terceirizar a lavagem e secagem, outra parcela significativa investiu em equipamentos próprios para solucionar o problema. Um levantamento da Confi, utilizando dados da plataforma Neotrust, revelou que as vendas de máquinas lava e seca no e-commerce brasileiro totalizaram R$ 416,5 milhões no período compreendido entre 1º de setembro e 13 de outubro de 2026. Esse montante representa um robusto crescimento de 68,3% em comparação com o mesmo período de 2025. No intervalo analisado, foram comercializadas 87,5 mil unidades, indicando uma alta de 47,6%, o que representa uma ruptura clara com o padrão sazonalmente esperado para a categoria.
Léo Bicalho, head de negócios da Confi Neotrust, destacou que, até 2025, o mês de setembro costumava apresentar vendas de lava e seca inferiores às do final do inverno. Em 2026, entretanto, houve uma inversão dessa tendência, com as vendas registrando um pico em setembro. Bicalho observou que mudanças comportamentais típicas na demanda por uma categoria de produtos geralmente sinalizam a influência de um novo fator na decisão de compra. No entanto, ele ponderou que a chuva não explica completamente o fenômeno, visto que a categoria já exibia um crescimento anterior ao início do período úmido: entre julho e agosto de 2026, as vendas de lava e seca já haviam avançado 37,6% em relação a 2025, conforme dados da Neotrust.
O executivo da Confi Neotrust sugere que um componente estrutural subjacente também contribui para a ascensão da categoria. Bicalho atribui parte do crescimento a um ciclo de substituição de eletrodomésticos. Em 2020, em meio à pandemia de COVID-19, houve um notável aumento nas aquisições de itens para o lar, com a linha branca, incluindo máquinas de lavar, sendo uma das mais beneficiadas. Após aproximadamente seis anos, muitos desses aparelhos estariam atingindo o momento de reposição.
Contudo, a partir de setembro de 2026, essa velocidade de crescimento praticamente dobrou, e o impacto das condições climáticas se tornou inegável. Bicalho ressaltou que a distribuição regional da demanda corrobora a influência da meteorologia. A região Sudeste foi responsável por 64,5% de todas as máquinas lava e seca vendidas entre setembro e outubro de 2026, uma participação significativamente maior do que a observada nos meses precedentes.
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O Setembro Chuvoso SP de 2026, com seu volume recorde de precipitação e temperaturas atípicas, catalisou um aquecimento imprevisto nos setores de lavanderias e venda de eletrodomésticos lava e seca. Essa análise profunda revela como fenômenos climáticos podem redefinir rapidamente padrões de consumo e impulsionar setores específicos da economia. Continue acompanhando as novidades na nossa editoria de Economia para mais informações sobre as tendências do mercado e o impacto de eventos na sua rotina.
Crédito da imagem: Aquamagic/Divulgação
