As Midterms nos EUA se aproximam de um desfecho intenso, com disputas cruciais centradas nos estados do Alasca e da Califórnia, enquanto a corrida pelo controle do Congresso americano entra em sua fase mais decisiva. Com o último fim de semana antes da votação, marcada para esta terça-feira (3), a administração Trump intensifica pressões judiciais e políticas, buscando influenciar resultados e contestando a integridade de milhares de cédulas enviadas pelo correio.
No Alasca, o foco recai sobre uma investigação criminal liderada por promotores federais. A apuração busca determinar se membros da equipe da candidata democrata Mary Peltola teriam articulado a candidatura de Daniel J. Sullivan Jr., um professor aposentado. A suposta estratégia visa capitalizar a semelhança do nome com o do senador republicano em exercício, Dan S. Sullivan, visando potencialmente confundir eleitores. Esta acirrada competição é considerada vital para as aspirações democratas de reverter o controle do Senado.
A complexidade das eleições de meio de mandato reside na disputa por todas as 435 cadeiras da Câmara dos Representantes e 35 posições no Senado, que em conjunto definirão se os republicanos de Trump manterão o controle do Congresso durante seus dois últimos anos no cargo. Atualmente, os republicanos possuem uma vantagem de 53 a 47 no Senado e uma margem estreita na Câmara. A perda de qualquer uma dessas câmaras permitiria aos democratas vetar a agenda do presidente Trump e iniciar inquéritos sobre seu governo, que até agora se beneficiou de maiorias amplamente alinhadas.
Midterms nos EUA: Disputas Finais no Alasca e Califórnia
Em um cenário de grande engajamento cívico, a votação antecipada para as eleições de meio de mandato já registrou um número recorde. Conforme dados do Laboratório Eleitoral da Universidade da Flórida, mais de 51 milhões de eleitores norte-americanos exerceram seu direito de voto pessoalmente ou via correio, superando significativamente os quase 46 milhões que haviam votado antes do dia oficial nas últimas eleições de meio de mandato, ocorridas em 2022.
Paralelamente, a Califórnia se tornou palco de outro embate judicial. Um tribunal federal de apelações decidiu, no início desta semana, por 2 a 1, que o Departamento de Justiça não conseguiu justificar seu pedido de emergência para forçar o Estado a descartar votos por correspondência de mais de 20 mil eleitores registrados, sob a alegação do governo de que provavelmente não seriam cidadãos. Diante deste revés, o vice-procurador-geral interino, Trent McCotter, sinalizou à Fox News no sábado (31) que a questão provavelmente será levada à Suprema Corte dos EUA, com um pedido para apreciação da matéria a ser apresentado antes da eleição de terça-feira.
O presidente Trump manteve uma agenda de campanha intensa em diversos estados ao longo do último mês. No entanto, passou o sábado em seu clube de Mar-a-Lago, em Palm Beach, na Flórida, e planejava retomar as atividades de campanha no domingo, com compromissos agendados no Kansas e em Iowa.
A controvérsia no Alasca ganhou destaque após Michael Heyman, o principal promotor do Departamento de Justiça dos EUA no estado, revelar a jornalistas na sexta-feira que uma reportagem recente do New York Times levou a um aumento de recursos do FBI dedicados à investigação das alegações. Heyman confirmou ter alocado múltiplos promotores ao caso e descreveu a investigação como intensa e ágil. O New York Times havia publicado na quarta-feira que assessores de Mary Peltola colaboraram com o Comitê Democrata de Campanha para o Senado no esforço de recrutar Daniel J. Sullivan Jr. Embora Heyman tenha classificado Sullivan Jr. como um “candidato falso”, ele se recusou a especificar qual crime poderia ter sido cometido. Tanto Peltola quanto o comitê de campanha refutaram qualquer participação na suposta tentativa de recrutamento do segundo Sullivan, que por sua vez, também negou ter coordenado suas ações com a campanha de Peltola. A ação civil já havia sido protocolada pelo departamento, mas as “informações adicionais” contidas na matéria do New York Times aceleraram o processo investigativo, segundo Heyman.
Outra disputa acirrada que ilustra a complexidade destas Midterms nos EUA ocorre em Michigan, onde o democrata Abdul El-Sayed enfrenta o republicano Mike Rogers na corrida pelo Senado. A campanha de El-Sayed solicitou à deputada federal Haley Stevens, sua rival derrotada nas primárias, que evitasse participar de seus eventos até o dia da eleição, para não desviar o foco das pautas centrais da campanha, conforme informou uma fonte a par do assunto. Stevens havia endossado El-Sayed, mas impôs a condição de que ele condenasse um anúncio de um grupo externo que atribuiu a Israel os altos preços dos alimentos e se retratasse por declarações prévias sobre Israel. Matt Grossman, cientista político da Universidade Estadual de Michigan, observou que uma “divisão visível e contínua” dentro do partido imediatamente antes da eleição “certamente não ajuda” a campanha de El-Sayed, embora as pesquisas indiquem que ele consolidou largamente o apoio democrata.
A gestão federal intensificou sua atuação legal, não apenas buscando impedir a contagem dos votos na Califórnia, mas também movendo ações judiciais contra aproximadamente 30 estados e o Distrito de Columbia para obter listas eleitorais completas e sem censura. Essas táticas jurídicas geraram preocupação entre as autoridades eleitorais estaduais, dado que a Constituição concede aos estados a autoridade primária sobre a condução das eleições. A questão do voto por correspondência tem sido um ponto de controvérsia em vários confrontos judiciais ao longo do ano. Em setembro, a Suprema Corte já havia rejeitado uma tentativa da administração Trump de impor regras mais rígidas antes das eleições. Adicionalmente, na sexta-feira, um juiz federal emitiu uma ordem proibindo o Departamento de Justiça de ameaçar processar autoridades eleitorais da Califórnia que não seguissem suas diretrizes.
Sean Morales-Doyle, um especialista associado ao Brennan Center for Justice, avalia que, embora essas ações legais possam ter poucas chances de sucesso no âmbito jurídico, elas visam intencionalmente criar um clima de incerteza, semear temor, desconfiança e caos. O objetivo seria pressionar autoridades eleitorais, como a vice-governadora do Alasca, a agir de formas indevidas. Para aprofundar a compreensão sobre os desafios e avanços na defesa dos direitos de voto, informações detalhadas podem ser consultadas junto ao Brennan Center for Justice, uma referência em análise constitucional e propostas para a democracia americana. Apesar de toda a efervescência política e jurídica, uma pesquisa da Reuters/Ipsos, conduzida entre 30 de setembro e 5 de outubro, revelou que 76% dos eleitores dos EUA estão confiantes de que seus votos serão contados com precisão, com níveis de confiança praticamente idênticos entre republicanos e democratas. As Midterms nos EUA demonstram ser um momento crítico para a democracia americana.
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As Midterms nos EUA em curso, com suas intensas disputas nos estados do Alasca e da Califórnia, evidenciam não apenas o futuro da política americana, mas também os intrincados mecanismos judiciais e sociais que permeiam cada eleição. As batalhas legislativas, somadas aos desafios de campanha em estados como Michigan e às discussões sobre integridade eleitoral e contagem de votos, refletem a complexidade do cenário político. Para continuar acompanhando de perto todas as ramificações e desdobramentos desses e outros temas políticos relevantes, explore nossa editoria de Política e mantenha-se informado.
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