Jovens Conscientes: Pesquisa Demanda Melhor Internet

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A relação dos jovens e internet é marcada por uma ambivalência complexa, conforme revela uma nova pesquisa nacional. Mais de 500 adolescentes, com idades entre 13 e 18 anos, expressaram tanto a satisfação quanto a preocupação com o ambiente online, indicando um desejo claro por mudanças significativas nesse espaço digital.

Divulgado na última quarta-feira (12), Dia Nacional da Juventude, o estudo “Adolescência Sem Filtro” apresenta descobertas relevantes sobre a percepção dos jovens. Enquanto uma significativa parcela de 71% dos entrevistados defende a continuidade da internet com ajustes, uma minoria de 9% sugere seu encerramento. A pesquisa foi conduzida pela Agência Koga, sob encomenda do Instituto Alana, e utilizou um método inovador de entrevistas qualitativas com a participação de jovens pesquisadores.

Jovens Conscientes: Pesquisa Demanda Melhor Internet

A análise de Gabriela Barbosa, especialista em Planejamento Estratégico de Comunicação do Instituto Alana, reforça que os adolescentes demonstram uma acentuada consciência tanto dos aspectos negativos quanto da imperativa necessidade de aprimoramento do ambiente virtual. Eles possuem um senso crítico aguçado sobre a forma como interagem com a tecnologia.

Apesar de 63% dos participantes declararem sentir felicidade ao se conectarem e 55% experimentarem curiosidade, e 71% usarem o espaço para diversão, o estudo ressalta que essa experiência majoritariamente positiva coexiste com uma profunda conscientização sobre as potenciais negatividades da vida online. Metade dos jovens ouvidos reconhece passar tempo excessivo conectado, evidenciando o dilema enfrentado na era digital.

A expectativa em relação às plataformas digitais é alta. Quase a metade dos entrevistados, 49%, as considera responsáveis por criar uma internet melhor. Em linha com isso, 43% solicitam um controle mais rigoroso sobre o conteúdo e funcionamento dessas plataformas. Os idealizadores da pesquisa apontam que os próprios jovens identificam o design das ferramentas digitais como um fator de retenção de atenção, o que os leva a buscar ativamente mecanismos de proteção contra conteúdos prejudiciais. Dados como 44% bloqueando contas ou materiais nocivos e 32% praticando pausas durante o dia sublinham essa proatividade. Contudo, 50% afirmam que gastam mais tempo online do que gostariam, 41% reportam maior dependência do celular e 39% acreditam ter perdido tempo de estudo devido ao uso da internet.

Gabriela Barbosa reiterou que o tempo dedicado à internet é uma das maiores apreensões dessa faixa etária, demonstrando sua capacidade de ponderar entre o positivo e o negativo, além de buscarem o controle sobre o que fazem desse tempo online também.

Engajamento com Redes Sociais e Diferenças de Gênero

As redes sociais emergem como o principal ponto de contato dos adolescentes com o mundo online, com 46% dos jovens utilizando a internet diariamente para acessá-las. Outras atividades relevantes incluem conversar com amigos e família (37%), jogar (30%), estudar (23%) e assistir a vídeos (21%). Aplicativos como Instagram e TikTok foram especificamente mencionados por sua capacidade de oferecer um “lugar de anestesia do tédio”, mas também como espaços cruciais para o senso de pertencimento, acesso à informação, estímulo à curiosidade e oportunidades de aprendizado. Por essa razão, o Instituto Alana alerta contra uma visão exclusivamente negativa desses ambientes digitais.

O levantamento também apontou disparidades no uso da internet entre os gêneros. Meninos representam a maioria entre os usuários que priorizam jogos online (66% contra 44% das meninas). Já as meninas dedicam mais tempo à interação com familiares e amigos (64% versus 50% dos meninos) e ao estudo (60% em contraste com 46% dos meninos).

Adolescentes no Papel de Pesquisadores e o Impacto da Escuta Ativa

Para assegurar uma perspectiva autêntica e sem filtros adultos, a fase qualitativa do estudo envolveu oito pesquisadores adolescentes, na mesma faixa etária de 13 a 18 anos. Cada um deles conduziu entre oito e dez entrevistas, visando criar um ambiente de identificação e conforto para os participantes. A escolha, segundo Gabriela Barbosa, buscou afastar uma abordagem “adultocêntrica” e permitir que os jovens expressassem livremente suas percepções.

Jovens Conscientes: Pesquisa Demanda Melhor Internet - Imagem do artigo original

Imagem: agenciabrasil.ebc.com.br

A pesquisa revela que, embora muitos adultos subestimem a capacidade crítica dos mais jovens, 19% dos adolescentes manifestaram a crença de que podem contribuir ativamente para transformar a internet. Esse percentual, embora não majoritário, indica uma valiosa oportunidade. Barbosa enfatiza a importância de abrir canais para que suas vozes sejam ouvidas, integrando-os aos debates e processos de construção do futuro digital. Adicionalmente, o estudo detectou uma significativa abertura dos jovens para receber apoio no combate à dependência da internet, com 69% demonstrando receptividade à ajuda. É um reflexo direto da consciência sobre a perda de controle relatada.

Prêmio Criativos 2026: Convocando a Geração Conectada

Diante da consciência expressa pelos 19% de jovens que acreditam na sua capacidade de impactar o ambiente online, o Instituto Alana promove a nona edição do Prêmio Criativos. Com o tema “A internet é nossa” em 2026, a iniciativa convida crianças e adolescentes de todo o Brasil a desenvolverem projetos que transformem suas vivências digitais em soluções inovadoras. O objetivo é construir uma internet mais segura, inclusiva, divertida e acolhedora. Estudantes do Ensino Fundamental II e Ensino Médio, com idades entre 10 e 18 anos, estão aptos a participar.

As inscrições para esta edição serão encerradas em 2 de setembro, com a divulgação dos vencedores prevista para dezembro. Este ano, o prêmio inova ao introduzir uma categoria audiovisual, aceitando vídeos e podcasts. Outras três premiações se destinam à categoria geral, que abrange formatos diversos como campanhas, jogos, aplicativos, rodas de conversa, páginas em redes sociais e intervenções artísticas. A flexibilidade do formato permite que os adolescentes criem soluções para os desafios que encontram no dia a dia. É crucial que as novas gerações tenham voz ativa na construção de ambientes digitais, pauta reforçada por instituições como o UNICEF, que também defendem os direitos da criança e do adolescente no ambiente digital, exigindo maior responsabilidade das empresas.

Temas variados podem ser explorados, como o tempo de tela, o combate ao cyberbullying, questões de saúde mental no digital, o uso ético da inteligência artificial, oportunidades de aprendizagem online, a superação da desigualdade de acesso, a influência das redes, a luta contra a desinformação e o uso do ambiente digital como palco para a ampliação da expressão e do protagonismo juvenil. Os nove projetos vencedores serão contemplados com um total de R$ 12 mil em prêmios.

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Este estudo destaca a maturidade dos jovens brasileiros ao abordar a internet, reforçando que eles são usuários ativos e críticos, capazes de propor soluções para os desafios digitais. Continue acompanhando nossas notícias para entender mais sobre o universo da juventude e as novas tendências do mundo digital. Veja mais análises sobre o comportamento online e os impactos da tecnologia na nossa sociedade.

Crédito da imagem: Fabio Rodrigues-Pozzebom/Agência Brasil

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