O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) registrou um lucro recorrente de R$ 9,2 bilhões no primeiro semestre de 2026. Este resultado representa um crescimento significativo de 25% em comparação com o mesmo período de 2025. Ao estender a análise para os últimos 12 meses, encerrados em junho deste ano, o lucro recorrente acumulou R$ 17,1 bilhões, configurando um marco histórico para a instituição financeira.
A performance positiva do BNDES foi recebida com entusiasmo pela liderança do banco. Aloizio Mercadante, presidente da instituição, classificou os resultados semestrais como “extraordinários”. Em coletiva de imprensa realizada em 12 de julho na sede do banco em São Paulo, Mercadante enfatizou a raridade de combinar crescimento expressivo e rentabilidade robusta. Segundo ele, o balanço reflete “consistente e acelerado crescimento no volume de créditos” ao lado de uma “rentabilidade que é a segunda maior do mercado” brasileiro.
BNDES registra lucro recorde de R$ 9,2 bi no semestre
Os números consolidados demonstram a solidez e a expansão do banco. No primeiro trimestre analisado, os ativos totais do BNDES atingiram a marca de R$ 1,05 trilhão, estabelecendo o maior valor na história da instituição. Paralelamente, a carteira de crédito alcançou R$ 684 bilhões, representando o patamar mais elevado desde 2016. O patrimônio líquido também demonstrou vigor, somando R$ 181 bilhões e marcando um novo recorde histórico para o banco.
As aprovações de crédito foram um dos pilares desse desempenho robusto, totalizando R$ 110,6 bilhões no período. Este valor denota um expressivo aumento de 52% em comparação com o ano anterior. Os setores de infraestrutura e agropecuária foram os que mais impulsionaram esse crescimento. A infraestrutura registrou um incremento de 91% nas aprovações, alcançando R$ 46 bilhões em novos créditos. A agropecuária, por sua vez, observou um aumento de 46%, com R$ 24,8 bilhões aprovados.
Outras áreas econômicas também receberam aportes substanciais do banco de desenvolvimento. O segmento de comércio e serviços contabilizou aprovações de crédito no valor de R$ 17,3 bilhões, o que representou um aumento de 27%. Já o setor industrial viu um total de R$ 22,5 bilhões em créditos aprovados, indicando uma alta de 24% em relação ao período anterior. Essa diversificação nos investimentos reitera o papel do BNDES como motor de crescimento para múltiplas cadeias produtivas no país.
Um destaque importante é o apoio concedido às micro, pequenas e médias empresas (MPMEs). O montante destinado a essas empresas alcançou R$ 108,2 bilhões, configurando o maior valor histórico para o período avaliado. Essa marca superou em 22% os investimentos realizados no mesmo intervalo do ano anterior, sublinhando o compromisso do BNDES com o desenvolvimento do empreendedorismo e a geração de empregos.
No quesito inadimplência, o desempenho do BNDES mostrou-se exemplar. A taxa de inadimplência registrada para atrasos de 90 dias manteve-se praticamente inalterada, em torno de 0,05%. Este índice é substancialmente inferior ao do Sistema Financeiro Nacional (SFN), que apresenta uma média de 4,68% de inadimplência geral e 0,66% para grandes empresas, segundo dados disponibilizados por órgãos reguladores como o Banco Central do Brasil.

Imagem: agenciabrasil.ebc.com.br
Estratégia de Diversificação e Novas Áreas de Investimento
Durante a coletiva de imprensa, o presidente Aloizio Mercadante delineou a estratégia de diversificação que o BNDES vem adotando. A instituição busca expandir sua carteira para incluir novos setores e projetos de alta tecnologia e relevância futura. Entre os novos focos de investimento estão o desenvolvimento de carros voadores, inteligência artificial, minerais críticos e terras raras.
Mercadante explicitou planos ambiciosos, afirmando que o BNDES entrará “forte em terras raras, lítio e em mobilidade”. Um dos projetos-chave envolve o financiamento integral do Produto Interno Bruto (PIB) da indústria automotiva nacional para o desenvolvimento do carro elétrico flex. Esta iniciativa visa integrar biocombustíveis à mobilidade elétrica, consolidando uma “rota tecnológica própria que o Brasil está perseguindo”.
Engajamento com Desafios Climáticos
O BNDES também tem intensificado seu envolvimento em projetos de reconstrução e ações preventivas relacionadas às mudanças climáticas. O presidente do banco explicou a urgência de atuar neste campo, mencionando a expectativa de novas emergências climáticas. O fenômeno El Niño é aguardado com intensidade, e projeções indicam que 2026 já apresenta temperaturas mais elevadas no Brasil do que 2024. As previsões apontam para um aumento das chuvas na região Sul, ondas de calor no Sudeste e períodos de seca prolongada nas regiões Norte e Nordeste. Diante deste cenário, Mercadante reiterou o papel do BNDES em apoiar “empresas, comunidades e famílias” afetadas pelos impactos climáticos.
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Em suma, o primeiro semestre de 2026 marca um período de conquistas sem precedentes para o BNDES, evidenciado por um lucro recorde de R$ 9,2 bilhões e um crescimento robusto em diversas frentes, da aprovação de créditos ao patrimônio líquido. A instituição se posiciona não apenas como um pilar de financiamento tradicional, mas também como um catalisador de inovação e resiliência frente aos desafios contemporâneos. Para continuar aprofundando seus conhecimentos sobre o cenário financeiro e outras notícias da economia brasileira, navegue em nossa editoria.
Crédito da imagem: Tomaz Silva/Agência Brasil

