Gustavo Sergi assumiu a presidência da Braskem Idesa no México, conforme comunicado divulgado pela Braskem nesta quinta-feira, dia 30. A nomeação foi oficialmente aprovada pelo conselho administrativo da joint venture, uma parceria estratégica composta pela Braskem, que detém 75% da participação, e pelo Grupo Carso, do bilionário mexicano Carlos Slim, responsável pelos 25% restantes da sociedade. A decisão representa um movimento-chave na gestão de um dos principais ativos internacionais da petroquímica brasileira.
Sergi, um executivo com vasta experiência, já possui um histórico de 15 anos dentro da própria Braskem antes de sua recente transição. Em 2022, ele liderou a Sustainea, outra joint venture da Braskem, desta vez com a japonesa Sojitz. Essa iniciativa se dedicava especificamente a desenvolver soluções sustentáveis para embalagens, utilizando produtos químicos de fontes renováveis, demonstrando a expertise de Sergi em inovação e sustentabilidade no setor. A indicação de Gustavo Sergi para a Braskem Idesa sublinha a estratégia da Braskem em fortificar seus investimentos globais, focando em otimização operacional, aumento da competitividade de mercado e constante geração de valor para seus acionistas e para a operação no México.
A chegada do novo líder marca um ponto importante para a subsidiária mexicana. Sob sua gestão, o executivo terá a missão primordial de impulsionar a evolução do ativo, que já enfrenta um cenário complexo, e reforçar a competitividade da Braskem Idesa, mantendo a direção da estratégia de longo prazo da companhia na região.
Gustavo Sergi Assume Presidência da Braskem Idesa no México
Este redirecionamento estratégico engloba a plena consolidação do Terminal Química Puerto México (TQPM), visto como um diferencial crucial em termos de logística e suprimento de matéria-prima para a fábrica.
Formado em engenharia de produção e com pós-graduação em administração de empresas, Gustavo Sergi também complementou sua formação acadêmica com um MBA pelo Insead, além de programas executivos na renomada Singularity University e na Harvard Business School. Ao longo de sua carreira profissional, o novo presidente acumulou uma significativa bagagem em cargos de liderança de operações em escala global, além de notável desenvolvimento de negócios nos dinâmicos segmentos petroquímico e de química renovável, características que se alinham perfeitamente aos desafios da Braskem Idesa.
Nos anos recentes, a Braskem Idesa tem enfrentado consideráveis desafios operacionais e financeiros. Desde a sua constituição, a empresa tem lidado com o acúmulo de dívidas substanciais, resultando em uma geração de caixa que se mostrava insuficiente para honrar os compromissos firmados para a sua construção e operacionalização. A situação de vulnerabilidade da joint venture intensificou-se drasticamente no ano de 2023, período marcado por uma deterioração do ciclo petroquímico global – um dos mais agudos e prolongados já registrados na história do setor –, o que culminou na explosão de sua alavancagem financeira a níveis preocupantes.

Imagem: Divulgação via valor.globo.com
Adicionalmente às dificuldades econômicas, a subsidiária enfrentou uma crônica escassez de insumos, o que impediu sua operação em capacidade plena. Quando a unidade industrial entrou em funcionamento em 2016, a Braskem possuía um acordo com a estatal mexicana Pemex que prometia o fornecimento de 100% do etano necessário para abastecer a sua fábrica de polietileno. No entanto, conforme relatos da Braskem ao Valor em 2025, a petroleira entregava, na realidade, menos de 60% da matéria-prima vital. Para mitigar esse problema estrutural de fornecimento de etano, o Terminal Química Puerto México (TQPM) foi a solução implementada. Inaugurado em maio de 2025, o TQPM representa um investimento de aproximadamente US$ 450 milhões e foi concebido para viabilizar a importação de etano dos Estados Unidos, assegurando assim a capacidade total de operação da planta de polietileno.
A produção da Braskem Idesa tem um direcionamento de mercado predominantemente doméstico, com cerca de 60% da produção sendo absorvida pelo próprio México. Os 40% restantes são destinados à exportação, com forte presença em países da América Central e na porção norte da América do Sul. Existe uma apreensão no mercado quanto ao risco de diluição da participação da Braskem no capital social da Braskem Idesa, especialmente se o bilionário Carlos Slim, sócio minoritário via Grupo Carso, avançar em sua estrutura societária sem que essa movimentação traga o alívio necessário para a já elevada alavancagem financeira da empresa brasileira. Apesar de um possível aumento da participação de Slim ser considerado uma das alternativas para resolver as fragilidades financeiras, a Braskem tem priorizado manter o controle estratégico da operação mexicana, enfatizando seu compromisso com a subsidiária e o potencial de longo prazo do empreendimento.
Para análises aprofundadas sobre indicadores e resultados de grandes empresas de capital aberto, como a Braskem, é possível consultar portais especializados. O Valor Econômico oferece vasta cobertura sobre o mercado financeiro e corporativo.
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A nomeação de Gustavo Sergi como novo presidente da Braskem Idesa é um passo estratégico fundamental para a Braskem na busca por estabilidade e crescimento de seu ativo mexicano. Com vasta experiência em operações globais e um foco claro na superação dos desafios financeiros e de suprimento que a Braskem Idesa enfrentou, a liderança de Sergi é esperada para guiar a joint venture rumo à otimização e consolidação no mercado. Continue acompanhando nossas notícias para mais informações sobre o setor de petroquímica, análises econômicas e desdobramentos de mercado no cenário corporativo brasileiro e internacional, em nossa editoria de Economia.

