O desempenho do Grupo Mateus (GMAT3) no primeiro trimestre de 2026 foi marcado por um cenário de desafios econômicos e ajustes operacionais. A gigante do setor supermercadista registrou uma retração de 22% no lucro durante os primeiros três meses do ano, impactada pela deflação de alimentos e as flutuações de commodities, conforme apontado nos dados divulgados em 14 de abril. Apesar dos números negativos, os papéis da companhia apresentaram resiliência, fechando com alta de 1,17% na sessão seguinte à divulgação dos resultados. Entretanto, um dos aspectos mais significativos revelados no balanço foi a drástica redução no quadro de funcionários, com cerca de 6 mil demissões.
A companhia informou que a força de trabalho sofreu uma diminuição superior a 13%, consolidando o período entre o fim de 2025 e o final do primeiro trimestre de 2026. Em dezembro de 2025, o Grupo Mateus empregava 47.900 pessoas. Ao término de março de 2026, esse número havia recuado para 41.227, representando o corte de 6.673 postos de trabalho em seis estados diferentes onde a rede opera. Essa reestruturação visa adaptar a empresa a um ambiente de mercado mais desafiador.
Grupo Mateus: 6 mil demissões marcam balanço do 1º Trim. 2026
Em teleconferência com analistas e investidores, Ilson Mateus Rodrigues, presidente do conselho de administração da empresa, confirmou os cortes e destacou que, embora outras reduções de despesas estejam em planejamento, não há previsão de novas demissões no futuro próximo. No mesmo período, a varejista fechou 28 unidades, enquanto abriu quatro novas lojas, sinalizando uma reorganização estratégica de seu portfólio de pontos de venda para focar na rentabilidade e otimização de sua rede de atuação.
Análises Financeiras e Otimização Operacional do Grupo Mateus
As análises sobre o balanço do Grupo Mateus (GMAT3) apontaram para uma receita bastante pressionada, um dos principais fatores para os resultados desfavoráveis do 1º trimestre de 2026. Conforme avaliação da XP Investimentos, a receita líquida ficou 8% abaixo de suas expectativas, embora tenha crescido 13% na comparação anual. Contudo, uma melhora na margem bruta foi um dos poucos pontos positivos, ajudando a elevar o EBITDA (lucro antes de juros, impostos, depreciações e amortizações) ajustado para um patamar que se alinhou às projeções mais cautelosas do mercado financeiro.
Um dado relevante foi a retração de 7,3% nas vendas em mesmas lojas (Same-Store Sales – SSS), indicando uma queda de aproximadamente 6 pontos percentuais em relação ao trimestre anterior. Essa desaceleração reflete diretamente os desafios do cenário macroeconômico brasileiro, incluindo a deflação de alimentos, o crédito ao consumidor mais restrito e o aumento do endividamento das famílias. A consultoria aponta que o Grupo Mateus também ajustou suas operações ao decidir reduzir o canal Balcão, concentrando esforços em vendas mais lucrativas. Essa movimentação, apesar de contribuir para a fraqueza do SSS, impactou positivamente a margem bruta da supermercadista.
Entretanto, segundo a XP, esses ajustes não foram suficientes para compensar a desalavancagem operacional. Consequentemente, a margem de EBITDA ajustado apresentou uma queda de 30 pontos-base na comparação trimestral. A empresa já vinha ajustando sua estrutura a um ritmo de crescimento de receita mais lento, com cortes que somam 9% do quadro de pessoal desde setembro de 2025. Esse contexto de resultados fracos e um ambiente macroeconômico adverso tende a fortalecer a postura mais conservadora dos investidores em relação aos ativos do Grupo Mateus.
Complexidade e Perspectivas de Mercado para GMAT3
Outro fator que adiciona complexidade à análise e projeção do desempenho do Grupo Mateus é a decisão da companhia de não divulgar mais as vendas por canal. Essa mudança dificulta a visibilidade para o mercado, o que pode manter parte dos investidores em um período de observação, aguardando sinais mais claros de recuperação na trajetória de crescimento. Para compreender melhor os ventos macroeconômicos que afetam o varejo e o endividamento familiar, um bom ponto de partida pode ser consultar análises econômicas especializadas que detalham os indicadores do setor no Brasil. Para mais informações sobre os desafios macroeconômicos enfrentados pelo varejo, clique aqui para acessar uma análise recente do mercado brasileiro.
Enquanto algumas instituições financeiras apontam desafios, outras encontram pontos positivos nos resultados da varejista. O Itaú BBA, por exemplo, destacou a sólida geração de caixa da GMAT3, que alcançou cerca de R$ 250 milhões no trimestre. Esse volume superou as expectativas de consumo de caixa e foi acompanhado por um capital de giro mais saudável e estoques mais enxutos. Contudo, o banco alertou que o crescimento de receita fraco, as pressões específicas no Nordeste (região chave para a empresa) e o adiamento da inflexão operacional para o segundo semestre de 2026 devem manter o curto prazo desafiador.
Apesar das iniciativas de produtividade e da desalavancagem financeira implementadas pelo Grupo Mateus, o Itaú BBA projeta revisões negativas no lucro da companhia. Em análises sobre os resultados do quarto trimestre de 2025, os especialistas já ressaltavam dados desfavoráveis e um panorama exigente. A expectativa de que a dinâmica de inflação de alimentos continuaria sendo um entrave significativo no primeiro semestre de 2026 levou o Itaú BBA a não prever uma melhoria expressiva em termos de vendas nas mesmas lojas (SSS) ou margens EBITDA anuais para o período. Essas projeções, de fato, confirmaram-se no balanço do 1º trimestre de 2026.
Histórico de Desafios e Visão dos Analistas
A XP também reiterou em análises anteriores que o ambiente macroeconômico continuaria a agravar o cenário para o Grupo Mateus. As pressões de volume, atribuídas ao crédito mais restrito ao consumidor, à deflação de alimentos e a um panorama econômico desafiador – caracterizado por juros elevados e renda sob pressão –, persistiriam ao longo de 2026. Antes desses desafios recentes, no terceiro trimestre de 2025, a rede de atacarejo já enfrentava escrutínio após a divulgação de um erro contábil significativo: um erro de R$ 1,1 bilhão em estoques superavaliados no balanço patrimonial de 2024.
Esse problema decorreu de falhas nos cálculos do custo médio das mercadorias vendidas, um dos componentes mais críticos e sensíveis em balanços de empresas do setor varejista. Houve uma correção no valor das mercadorias em estoque em 2024, que estavam inicialmente superavaliadas em R$ 1,1 bilhão, passando de R$ 6 bilhões para R$ 4,9 bilhões. Esse ajuste contábil resultou em uma queda do patrimônio líquido para R$ 9,1 bilhões, representando um corte de quase R$ 695 milhões, refletindo a seriedade do ajuste.
A questão dos estoques problemáticos não é um fato isolado para o Grupo Mateus. Em maio de 2021, um formulário de referência da companhia encaminhado à Comissão de Valores Mobiliários (CVM), referente ao exercício de 2020, revelou que a auditoria da época, a Grant Thornton, identificou 42 deficiências consideradas moderadas na estrutura da empresa. Essa recorrência sugere uma necessidade contínua de aprimoramento dos controles internos.
Diante desse cenário, o mercado financeiro mantém-se dividido em relação aos papéis da GMAT3, conforme uma compilação da LSEG que reúne análises de quatro casas de investimento. Enquanto BTG e XP Investimentos mantêm a recomendação de compra, o Itaú BBA classifica como “outperform”, uma posição semelhante à de compra. Por outro lado, o Santander adota uma postura mais neutra, refletindo a cautela de parte do mercado frente aos desafios operacionais e macroeconômicos enfrentados pela varejista. A clareza sobre o potencial de crescimento de longo prazo e as estratégias para navegar um cenário de consumo complexo são cruciais para a unificação das perspectivas dos investidores.
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Em suma, os resultados do Grupo Mateus no primeiro trimestre de 2026 reiteram os desafios do varejo em um ambiente econômico adverso, destacando as 6 mil demissões e a queda no lucro, apesar de alguns ajustes estratégicos e a geração positiva de caixa. A performance da GMAT3 continuará sendo um termômetro importante para o setor. Para acompanhar mais de perto as análises e notícias do mundo econômico, continue navegando em nossa editoria de Economia.
Crédito da imagem: Divulgação/Grupo Mateus