O Programa Move Brasil, iniciativa destinada a motoristas de aplicativo e taxistas, passará por uma revisão significativa com o objetivo de impulsionar a adesão ao crédito oferecido. O anúncio foi feito nesta quarta-feira, 19 de agosto de 2026, pelo ministro da Fazenda, Dario Durigan. Segundo Durigan, a equipe econômica federal está em fase de avaliação de diversas modificações, visando, entre outros pontos, a intensificação da participação de bancos do setor privado.
Desde a sua implementação em 27 de julho, o programa tem enfrentado desafios para atingir as expectativas iniciais de participação, especialmente no que tange ao envolvimento de instituições financeiras privadas. A análise inclui não apenas possíveis alterações no marco legal do programa, mas também adaptações operacionais com os bancos e aprimoramento da integração com as plataformas de transporte. Estas mudanças são cruciais para otimizar a forma como as informações sobre a renda dos trabalhadores podem ser acessadas e utilizadas no processo de análise de crédito, garantindo maior eficiência e inclusão.
Fazenda revê Programa Move Brasil para Crédito a Motoristas
A iniciativa federal visa proporcionar linhas de crédito com taxas de juros mais acessíveis para a aquisição de veículos que serão utilizados como ferramenta de trabalho. As opções de financiamento no âmbito do Programa Move Brasil abrangem a compra de carros zero-quilômetro, com um limite de até R$ 150 mil, bem como a aquisição de veículos seminovos, motocicletas e bicicletas, expandindo as possibilidades para os profissionais que dependem desses meios para suas atividades. O debate sobre essas adaptações ocorreu em um encontro no Palácio da Alvorada, com a presença do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e outros ministros, onde foram feitos balanços de diversos programas de crédito e discutidas políticas para comércio exterior, além das respostas às tarifas comerciais impostas pelos Estados Unidos.
Durigan salientou a discrepância na adesão ao Programa Move Brasil entre os bancos. Os bancos públicos, em especial o Banco do Brasil e a Caixa Econômica Federal, têm demonstrado um envolvimento mais substancial, agindo como os principais ofertantes do crédito. Por outro lado, as instituições financeiras privadas apresentaram um menor interesse e, consequentemente, uma participação reduzida. “Estamos em constante diálogo para compreender as razões dessa baixa adesão por parte do setor privado, mesmo considerando a garantia governamental oferecida no programa, que deveria mitigar os riscos e incentivar uma participação mais robusta”, explicou o ministro. A expectativa era que as garantias governamentais pudessem alavancar um interesse maior por parte dos agentes financeiros privados, algo que ainda não se concretizou nos termos esperados.
Apesar do volume de adesões ao Programa Move Brasil estar abaixo das projeções iniciais, o ministro da Fazenda enfatizou que o montante de operações realizadas ainda é relevante e possui um impacto positivo. Ele classificou o progresso como “razoavelmente satisfatório”, sinalizando a continuidade das discussões e a busca por condições mais favoráveis que possam otimizar ainda mais os resultados. A meta é continuar aprimorando as ferramentas e processos para que o programa possa atingir plenamente seu potencial de beneficiar a categoria.
Mudanças e Ajustes em Estudo para Maior Alcance
A equipe econômica, liderada pelo Ministério da Fazenda, pretende realizar testes e avaliações com os bancos privados para implementar possíveis ajustes nas condições e na dinâmica do Programa Move Brasil. O objetivo primário é mensurar se as modificações propostas serão capazes de elevar o volume de financiamentos concedidos. Dentre as possibilidades que estão sendo meticulosamente analisadas, destaca-se o aperfeiçoamento da integração de sistemas com as diversas plataformas de transporte utilizadas pelos motoristas de aplicativo e taxistas. Essa integração é vista como um passo fundamental para simplificar e agilizar o processo de acesso às informações financeiras dos trabalhadores, facilitando a análise de crédito e a aprovação dos pedidos de financiamento. Esse tipo de interligação tecnológica pode reduzir a burocracia e tornar o programa mais atraente para os beneficiários e para os próprios bancos. De maneira geral, o ministro Dario Durigan considera que o desempenho dos programas de crédito do governo tem sido positivo, com a exceção pontual do financiamento de carros pelo Move Brasil, que continua abaixo do previsto inicialmente. A Fazenda está comprometida em aprimorar esses resultados e garantir que as metas sejam alcançadas, fortalecendo a economia e o poder de compra da população.
Discussão de Outros Programas e Medidas Econômicas
Durante o encontro com o presidente Lula, outros programas de crédito lançados pelo governo federal também foram minuciosamente examinados pelos ministros. A pauta incluiu a performance de linhas de crédito direcionadas a caminhões e ônibus, bem como o financiamento de motocicletas. Além disso, foram discutidos o avanço do Programa Desenrola, iniciativa voltada para a renegociação de dívidas, e uma série de outras medidas de apoio destinadas tanto a trabalhadores quanto a empresas, evidenciando uma abordagem multifacetada do governo para estimular a economia e amparar diferentes setores da sociedade.
Lei de Reciprocidade Econômica e Relações Bilaterais
Em um tópico adicional de destaque, o ministro Dario Durigan afirmou que a implementação da Lei de Reciprocidade Econômica por parte do Brasil não terá um impacto negativo nas negociações comerciais com os Estados Unidos. Recentemente, a questão das tarifas impostas pelo governo norte-americano, que incidem a uma taxa de 37,5% sobre certos produtos brasileiros, gerou um debate intenso. O Brasil iniciou formalmente, na semana passada, o processo para avaliar a adoção de medidas de reciprocidade, conforme o previsto na legislação brasileira.

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Durigan enfatizou que a posição brasileira é de manter os canais diplomáticos abertos com Washington, assegurando que “a disposição para negociação é completa do nosso lado”. Ele reforçou o compromisso do governo em buscar soluções por meio do diálogo, citando até mesmo a disposição do presidente Lula em conversar com o presidente dos EUA, Donald Trump. Segundo Durigan, a aplicação criteriosa do mecanismo de reciprocidade pode, inclusive, funcionar como um instrumento para fortalecer as tratativas em andamento, proporcionando ao Brasil uma ferramenta adicional para o diálogo. A consulta aos setores da sociedade impactados pelas medidas de retaliação será uma etapa fundamental nesse processo. O Ministério da Fazenda reitera o compromisso com o comércio exterior e a proteção dos interesses nacionais. Mais informações sobre as políticas do Ministério podem ser encontradas em sites oficiais do governo.
Análise da Reciprocidade: Implicações e o Programa Brasil Soberano
É fundamental esclarecer que a abertura do processo para avaliação da Lei de Reciprocidade Econômica não implica a aplicação imediata de novas tarifas contra produtos provenientes dos Estados Unidos. Nesta fase inicial, o governo brasileiro está focado na realização de consultas diplomáticas aprofundadas e na meticulosa avaliação dos potenciais impactos que as medidas comerciais adotadas pelos Estados Unidos possam ter sobre a economia nacional. A base legal para esta análise é a Lei nº 15.122/2025, conhecida como Lei da Reciprocidade Econômica, um instrumento legal que permite ao Brasil responder a ações unilaterais de outras nações que venham a prejudicar suas exportações e, por consequência, a balança comercial.
Simultaneamente, o governo está avaliando um conjunto de outras ações de apoio aos setores da economia que podem ser negativamente afetados pelas tarifas impostas. Uma dessas medidas sob consideração é a possível extensão do regime de drawback. Este regime oferece um importante mecanismo para a redução ou até mesmo a suspensão de tributos incidentes sobre insumos e matérias-primas importadas que são utilizadas na fabricação de bens destinados exclusivamente à exportação. A extensão do drawback visa fortalecer a competitividade da indústria brasileira no mercado internacional e proteger os exportadores, minimizando os custos de produção. Essa medida se integra ao abrangente Programa Brasil Soberano, que congrega diversas ações e políticas estratégicas destinadas a impulsionar o desenvolvimento econômico do país, assegurando sua autonomia e resiliência diante de desafios externos.
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A potencial reestruturação do Programa Move Brasil, aliada às discussões sobre outras linhas de crédito e a aplicação da Lei de Reciprocidade, demonstra o empenho do governo em ajustar suas políticas econômicas diante dos desafios internos e externos. Para aprofundar seu conhecimento sobre o cenário financeiro e as políticas governamentais que afetam a vida do cidadão e do profissional, convidamos você a continuar acompanhando as análises e notícias da nossa editoria de Economia.
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