Dólar em Queda Fecha Setembro a R$ 5,17; Ibovespa Sobe

Economia

A queda do dólar marcou o encerramento do mês de setembro, registrando um dia de notável alívio global no mercado financeiro. A moeda norte-americana encerrou o período com uma leve baixa acumulada e uma valorização significativa para o principal índice da bolsa de valores brasileira. Os movimentos foram catalisados, em grande parte, por informações sobre a inflação nos Estados Unidos que surpreenderam as expectativas do mercado.

O cenário econômico internacional, somado às dinâmicas internas do Brasil – como o ambiente eleitoral e as operações de câmbio de fechamento de mês –, desempenhou um papel crucial nas transações. A bolsa de valores, representada pelo Ibovespa, experimentou uma valorização considerável tanto no pregão diário quanto no acumulado do mês, contrastando com o desempenho cambial. Paralelamente, os preços do petróleo tipo Brent e WTI registraram alta, com as preocupações geopolíticas no Oriente Médio continuando a ser um fator relevante para os investidores.

Dólar em Queda Fecha Setembro a R$ 5,17; Ibovespa Sobe

Os números consolidados do dia de encerramento do mês e do período de setembro demonstram essa volatilidade. O dólar à vista finalizou as negociações a R$ 5,174, representando uma variação negativa de 0,76%. No balanço de setembro, a queda foi de 0,15%, um recuo modesto, mas em linha com a tendência de alívio observada nos últimos dias. Já o Ibovespa alcançou a marca de 186.340,46 pontos, apresentando um acréscimo de 1,37% no dia e acumulando uma expressiva alta de 5,03% ao longo do mês. No setor de energia, o petróleo tipo Brent para entrega em dezembro registrou um avanço de 1,94%, cotado a US$ 98,03, enquanto o WTI para novembro subiu 1,16%, atingindo US$ 90,42 por barril.

A Reação dos Mercados Globais à Inflação dos EUA

A principal razão por trás do recuo do dólar e da euforia nos mercados foi a divulgação dos índices de inflação dos Estados Unidos. Os dados, que vieram abaixo das previsões, diminuíram a pressão sobre o Federal Reserve (banco central norte-americano) para promover novas elevações na taxa básica de juros. Essa perspectiva de menor aperto monetário em uma das maiores economias do mundo tende a incentivar investimentos em ativos de maior risco, como os de mercados emergentes.

O índice de preços de gastos com consumo (PCE), medida preferida pelo Federal Reserve para acompanhar a inflação, teve seus componentes avaliados com atenção. O núcleo do PCE, que exclui as voláteis categorias de alimentos e energia, registrou um aumento de 0,2% em agosto, um patamar inferior à expectativa dos analistas, que apontava para 0,3%. O PCE cheio, que engloba todos os itens, também surpreendeu positivamente, com alta de 0,3% no mês, abaixo da projeção de 0,4%. Esses resultados, conforme reportado pelo Valor Econômico e analisado por especialistas, impulsionaram o cenário global.

Essa descompressão na expectativa de juros futuros teve reflexos diretos nos rendimentos dos títulos do Tesouro dos Estados Unidos, que recuaram, e fortalceu o real frente às principais moedas latino-americanas, impulsionado por uma crescente busca por ativos locais no Brasil. Mesmo com o cenário eleitoral ainda presente nas análises dos investidores, as pesquisas de intenção de voto não se mostraram decisivas para a direção do pregão no dia em questão.

O Comportamento do Dólar no Fechamento de Setembro e em 2026

A divisa norte-americana comercial encerrou o último pregão em um declínio de 0,76%, estabelecendo seu valor em R$ 5,174. Durante as negociações da sessão, a moeda chegou a tocar a mínima de R$ 5,164 por volta das 9h50, representando uma valorização de 0,95% para o real em relação ao seu patamar de abertura. Embora setembro tenha registrado uma ligeira retração de 0,15% no acumulado do mês para o dólar, o terceiro trimestre observou um avanço de 0,23%. No panorama mais amplo do ano de 2026, a queda do dólar se acentua, com uma desvalorização acumulada de 5,75%.

Desempenho da Bolsa Brasileira

O Ibovespa, índice de referência da bolsa de valores brasileira, registrou uma ascensão de 1,37% na quarta-feira, consolidando-se em 186.340,46 pontos. O índice demonstrou sua força ao atingir um pico de 187.834,97 pontos durante o dia e marcando sua mínima em 183.879,71 pontos. Este desempenho impulsionou a bolsa, que acumulou um expressivo ganho de 5,03% em setembro. No terceiro trimestre, a valorização foi ainda maior, alcançando 8,32%, e, desde o início de 2026, o Ibovespa já acumula uma valorização robusta de 15,65%.

Essa valorização foi alimentada principalmente pelas ações de grandes bancos e por segmentos da economia ligados à atividade doméstica, que se beneficiaram de um ambiente econômico mais favorável. A dinâmica externa, em particular a percepção de menor risco após os dados da inflação estadunidense, também favoreceu os ativos de risco, como as ações brasileiras.

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Imagem: agenciabrasil.ebc.com.br

O fluxo de capital estrangeiro teve um papel vital na sustentação do desempenho positivo da bolsa ao longo de setembro. Segundo dados da B3, a bolsa brasileira registrou uma entrada líquida de R$ 9,569 bilhões de investidores estrangeiros no mercado acionário até 28 de setembro. Este montante elevou o saldo acumulado de capital estrangeiro no ano para quase R$ 29 bilhões. É interessante notar que essa injeção de capital estrangeiro representa uma reversão em relação a agosto, quando houve uma retirada de R$ 18,1 bilhões. Em julho, por sua vez, o saldo havia sido positivo em R$ 4,3 bilhões, considerando ações listadas e ofertas públicas de papéis.

Cotações do Petróleo em Alta e Tensões Geopolíticas

Os contratos futuros de petróleo encerraram o pregão com alta, um movimento diretamente influenciado pelas tensões ainda elevadas no Oriente Médio e pelo acompanhamento da situação no Estreito de Ormuz. Na Intercontinental Exchange (ICE), localizada em Londres, o contrato do petróleo Brent, referência global, para entrega em dezembro, experimentou uma alta de 1,94%, ou US$ 1,87, fechando a sessão cotado a US$ 98,03 por barril. Enquanto isso, na New York Mercantile Exchange (Nymex), o petróleo WTI, parâmetro para o mercado norte-americano, para entrega em novembro, avançou 1,16%, ou US$ 1,04, alcançando US$ 90,42 por barril.

No acumulado de setembro, a valorização do petróleo foi significativa, com o WTI registrando um avanço próximo de 6%, e o Brent subindo cerca de 7%. Além das questões geopolíticas, o mercado petrolífero também monitora a possibilidade de restrições às exportações de diesel pelos Estados Unidos e a extensão, pela Rússia, da proibição de exportação do combustível até o final de outubro, fatores que podem impactar a oferta e a demanda global.

Um incidente específico contribuiu para a preocupação no Oriente Médio: o Centro de Operações de Comércio Marítimo do Reino Unido informou sobre um navio-tanque atingido por um projétil de origem não identificada no Estreito de Ormuz, com o evento sob investigação. Apesar da elevação das tensões na região, há sinais de que as exportações de petróleo do Oriente Médio estão se normalizando, à medida que grandes produtores têm buscado e ampliado o fornecimento por rotas alternativas ao Estreito de Ormuz, mitigando parte do risco de interrupção do transporte.

Nos Estados Unidos, dados do Departamento de Energia mostraram um cenário misto nos estoques. Os estoques de petróleo bruto registraram um aumento inesperado na semana passada, enquanto os de gasolina tiveram uma forte queda, refletindo dinâmicas distintas na produção, refino e consumo internos do país.

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Em suma, o encerramento de setembro foi marcado pela resiliência do mercado financeiro brasileiro e a influência decisiva dos dados de inflação dos Estados Unidos na valorização de ativos e na leve queda do dólar. Este complexo intercâmbio de fatores macroeconômicos continuará a ditar o ritmo dos investimentos nos próximos meses. Para aprofundar suas análises sobre o cenário econômico brasileiro e as flutuações do mercado, continue acompanhando nossa editoria de Economia.

Crédito da Imagem: Valter Campanato/Agência Brasil

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