Crise governo Colômbia: Terremoto expõe falhas na gestão

Economia

O governo da Colômbia enfrenta uma crise de imagem e desgaste após uma série de eventos controversos que se seguiram a um devastador terremoto de magnitude 7,4. O presidente Abelardo de la Espriella, em seu primeiro cargo eletivo, encontrou-se em uma situação de teste extremo apenas três dias após sua posse, com a calamidade natural ceifando a vida de quase 300 pessoas e deixando um rastro de destruição.

Desde então, o líder ultradireitista, que chegou ao poder com uma plataforma populista e de confronto à política tradicional, tem acumulado uma sequência de tropeços. A condução da crise, marcada por decisões questionáveis e episódios de insensibilidade, tem provocado um severo impacto na percepção pública e na credibilidade de sua administração.

Crise governo Colômbia: Terremoto expõe falhas na gestão

As dificuldades começaram a surgir cedo, evidenciando lacunas na prontidão do governo em lidar com emergências de tamanha escala. A sociedade colombiana, ainda em luto e em busca de respostas, viu-se diante de cenas que geraram revolta e comparações internacionais indesejadas, adicionando pressão ao recém-empossado Executivo.

Controvérsias da Presidência Abelardo de la Espriella

Um dos momentos que mais repercutiram negativamente envolveu o próprio presidente Abelardo de la Espriella durante uma visita a Buenaventura, uma das localidades mais castigadas pelo sismo. No domingo, dia 16, acompanhado por sua esposa e outros membros de seu gabinete, Espriella parou para jogar bolas de futebol com crianças afetadas pelo tremor. O problema? As bolas exibiam o logotipo de seu movimento político.

A cena, capturada e disseminada por um ativista local, rapidamente se tornou viral nas redes sociais, gerando um amplo repúdio. A ação trouxe à tona lembranças do episódio protagonizado por Donald Trump durante seu primeiro mandato, quando o então presidente americano foi alvo de fortes críticas após distribuir rolos de papel higiênico a vítimas do furacão Maria em Porto Rico, sublinhando a delicadeza de gestos públicos em momentos de dor coletiva.

A gestão de ajuda internacional também se mostrou um ponto de vulnerabilidade. Na semana anterior, Espriella já havia enfrentado escrutínio por uma aparente falta de organização e critério na coordenação da assistência estrangeira. O governo colombiano optou por autorizar apenas quatro países — Estados Unidos, Israel, Equador e El Salvador — a enviar equipes de busca e resgate. Embora Bogotá negue a influência de critérios políticos, estas nações são governadas por líderes alinhados ideologicamente ao presidente.

Essa decisão foi anunciada com um atraso significativo, mais de dois dias após o terremoto, momento em que as operações de salvamento já se aproximavam do fim da chamada “janela crítica” de 72 horas, considerada fundamental para encontrar sobreviventes sob os escombros, gerando questionamentos sobre a prioridade e eficácia da resposta governamental.

Escândalo Envolvendo o Ministro da Habitação Jamie Beltrán

Paralelamente às polêmicas presidenciais, um dos principais aliados de campanha de Espriella, o pastor Jamie Beltrán, hoje ministro da Habitação, tornou-se alvo de duras críticas. No mesmo domingo, Beltrán foi flagrado em uma viagem de férias com a família, em um momento em que a Colômbia ainda se recuperava do terremoto e equipes buscavam por vítimas.

O ex-prefeito de Bucaramanga foi fotografado desfrutando das praias de Santa Marta, um balneário no norte do país, enquanto a população afetada buscava por mortos entre os destroços, menos de uma semana após o sismo. Este flagra teve um impacto especialmente negativo, pois, conforme o jornal El País, aproximadamente 90% das moradias na Colômbia não possuem seguro contra danos causados por terremotos.

Diante desse cenário de vulnerabilidade habitacional, as vítimas depositavam suas esperanças nas diretrizes da pasta liderada por Beltrán para a reconstrução de suas casas. Dados recentes indicavam um cenário dramático: ao menos 134.342 imóveis foram danificados, 29.554 foram completamente destruídos e 267 estruturas desabaram.

Em resposta às críticas, Beltrán se defendeu, afirmando que a viagem foi curta e que tinha como objetivo visitar a família, que não via durante a semana. “Não podemos esquecer que, por trás do ministro, há um pai, há um marido, há um filho”, declarou, tentando justificar sua ausência em um momento tão crítico para o país. No entanto, sua explicação não foi suficiente para apaziguar a fúria, nem mesmo de seus próprios aliados políticos.

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Imagem: JOHN VIZCAINO via valor.globo.com

Senadores do Centro Democrático, partido de direita que apoiou Espriella no segundo turno das eleições, manifestaram seu descontentamento. Rafael Nieto Loaiza criticou duramente, afirmando: “Enquanto milhares de famílias enfrentam as consequências do terremoto e algumas tiveram de dormir em abrigos improvisados porque perderam tudo, o ministro da Habitação, Jaime Andrés Beltrán, foi passar férias em Santa Marta.” Outro senador da mesma legenda, Andrés Forero, foi mais incisivo, sugerindo que Beltrán deveria renunciar ao cargo. “Ao permanecer no cargo, ele está arrastando o presidente Abelardo para a resolução de um problema no qual não tem envolvimento e submetendo o governo a uma pressão prematura e desnecessária”, observou Forero.

As declarações de repúdio não ficaram apenas no campo das palavras. Na segunda-feira, dia 17, Alejandro Toro, deputado do Pacto Histórico – partido do ex-presidente Gustavo Petro –, anunciou que apresentaria uma moção de censura contra o ministro Beltrán, uma medida que poderia, em última instância, resultar em sua destituição. “O país não pode se dar ao luxo de ter um ministro alheio ao sofrimento do povo enquanto milhares de famílias não sabem onde vão dormir nos próximos meses”, enfatizou Toro ao divulgar sua iniciativa.

O processo para a eventual saída do ministro é complexo e demanda tempo. Nesta terça-feira, dia 18, Toro confirmou que já havia conseguido as 40 assinaturas necessárias para levar o assunto ao debate na Câmara. Contudo, para que o chefe da pasta seja efetivamente removido do cargo, a moção precisará ser aprovada pela maioria dos deputados em uma sessão posterior. Apesar de o Pacto Histórico possuir a maior bancada, com 42 dos 183 deputados, o partido necessitará do apoio de outras siglas, como o Centro Democrático, o segundo maior grupo na Casa, para garantir a aprovação da moção.

Outras Críticas e Respostas Públicas

Os desafios na condução da resposta ao terremoto não se limitaram aos episódios envolvendo o presidente e o ministro da Habitação. Na sexta-feira, dia 14, Rodrigo Lara, responsável pela pasta do Interior, causou polêmica ao propor que operadoras de celular doassem dados móveis a crianças para facilitar o acesso à educação virtual, dada a destruição de escolas.

A ex-ministra da Cultura do governo Álvaro Uribe, Paula Moreno, reagiu indiretamente à proposta, ressaltando que a prioridade inicial deveria ser a mobilização de mão de obra para agilizar a reconstrução das infraestruturas. Moreno pontuou que “Aulas virtuais não funcionam porque a região do Pacífico não tem conectividade à internet, e as crianças de lá não têm condições de comprar celulares”, sublinhando a desconexão da proposta com a realidade local.

Até esta terça-feira, o balanço oficial indicava que o terremoto havia resultado em 289 mortes confirmadas e deixado 4.187 pessoas feridas, conforme dados apresentados por Espriella. Em face desses desafios, a importância de uma resposta governamental ágil e de políticas de proteção contra desastres é frequentemente destacada por entidades como o Banco Mundial, que enfatizam a necessidade de investimentos em infraestrutura e planejamento estratégico.

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Em suma, a recente sequência de gafes e as respostas controversas do governo colombiano à crise do terremoto têm gerado um significativo desgaste político para o presidente Abelardo de la Espriella e sua equipe. Os episódios do futebol em Buenaventura, a seletividade na ajuda internacional, e principalmente o caso do ministro Jamie Beltrán de férias, expõem as vulnerabilidades e os desafios de uma administração recém-empossada. Para aprofundar-se em análises sobre política e governança na América Latina e no mundo, continue explorando nossa seção de Política e fique por dentro das últimas notícias e comentários.

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