Ações Lojas Renner (LREN3) tiveram um desempenho desfavorável no Ibovespa na última sexta-feira, 14, sendo uma das maiores quedas do pregão. O movimento de baixa foi impulsionado pelo rebaixamento da recomendação do UBS BB. Os papéis LREN3 encerraram o dia com desvalorização de 2,61%, alcançando o patamar de R$ 11,21, apesar de terem recuperado parte das perdas durante o período.
A decisão do banco de investimento alterou sua recomendação de compra para neutra, além de promover um ajuste significativo no preço-alvo dos ativos, que passou de R$ 18 para R$ 13,50 – uma redução de 25%. Essa revisão reflete as crescentes preocupações dos investidores, especialmente após o recente anúncio de um desempenho operacional considerado fraco pela varejista e a reavaliação para baixo das projeções (guidance) para o ano de 2026, divulgada na semana anterior.
Ações Lojas Renner Desvalorizam após UBS BB Cortar Preço-Alvo
A perspectiva mais cautelosa por parte do UBS BB impacta diretamente um dos pilares estratégicos que sustentavam a tese de investimento na rede de varejo. Previamente, existia uma forte convicção de que a Lojas Renner, graças à sua vasta escala de operação, sua liderança consolidada no mercado brasileiro e sua sólida posição financeira, estaria mais apta a demonstrar um desempenho superior ao de seus concorrentes, mesmo diante de um cenário econômico desafiador. Contudo, essa hipótese mostrou-se mais difícil de ser defendida à luz dos resultados apresentados no segundo trimestre fiscal, o que levou à reanálise por parte dos especialistas.
Análise do UBS BB e Desempenho Operacional da Lojas Renner
De acordo com a análise do UBS BB, a Lojas Renner mantém-se como a principal varejista no segmento de vestuário do Brasil, detendo aproximadamente 12% da participação de mercado. A companhia também possui uma robusta posição de caixa líquido, estimada em cerca de R$ 1,2 bilhão. Apesar desses pontos fortes, o principal desafio identificado é a dificuldade da varejista em converter essas vantagens estruturais em ganhos significativos de participação de mercado ou em um crescimento que se destaque claramente frente aos demais concorrentes do setor.
Os analistas evidenciaram que a produtividade de suas lojas permaneceu estagnada em termos reais desde 2019. Tanto a receita gerada por metro quadrado quanto o lucro bruto por metro quadrado exibiram um crescimento anual de apenas cerca de 2% durante esse período. Esse dado é particularmente relevante considerando os consideráveis investimentos que a Lojas Renner realizou ao longo dos últimos anos em áreas cruciais como logística, modernização tecnológica e expansão de seus canais digitais. Tais aportes não resultaram no ímpeto de crescimento esperado em métricas de produtividade física.
Além disso, o cenário competitivo demonstrou uma dinâmica interessante. Concorrentes diretos como C&A (CEAB3) e Riachuelo (GUAR3) têm conseguido reduzir parte da diferença em termos de performance operacional em relação à Lojas Renner. Segundo os cálculos do UBS BB, o lucro bruto por metro quadrado dessas redes varejistas alcançou 70% e 63%, respectivamente, do patamar da Renner, um aumento perceptível se comparado aos percentuais observados antes da pandemia da Covid-19. Esse estreitamento das margens demonstra a intensificação da competição no setor.
Ambiente Competitivo e Impacto de Importações
Outro elemento de forte preocupação para o banco de investimentos é o recrudescimento do ambiente competitivo no mercado varejista brasileiro. A recente reintrodução da isenção do imposto federal para importações de baixo valor, ou seja, produtos avaliados em até US$ 50, intensificou consideravelmente a concorrência por parte de plataformas internacionais de e-commerce. Dados compilados e citados pelo banco revelam que o volume de encomendas enquadradas nessa faixa de valor teve um crescimento superior a 100% em junho, em comparação com o mesmo mês do ano anterior.
Essa avalanche de produtos importados de baixo custo exerce uma pressão particularmente forte em categorias como vestuário e beleza, onde a Lojas Renner possui atuação proeminente. O aumento substancial das vendas de mercadorias estrangeiras sem tributação federal gera um desafio direto para as varejistas nacionais, que enfrentam custos e uma estrutura tributária interna mais complexa.

Imagem: infomoney.com.br
Perspectiva do Goldman Sachs e Desafios de Vendas
O Goldman Sachs, outro banco de investimento de renome, compartilha uma parcela das inquietações sobre o panorama da Lojas Renner. Apesar de manter a recomendação de compra para a varejista, o banco ajustou suas estimativas de lucro após a divulgação dos resultados do segundo trimestre. Reconhecendo um ambiente de vendas mais desafiador, o Goldman Sachs também cortou o preço-alvo dos papéis LREN3, de R$ 20 para R$ 18. A instituição financeiro aponta como os principais obstáculos a maior competição advinda dos produtos importados, a pressão tributária sobre a categoria de beleza e uma demanda mais enfraquecida por parte dos consumidores.
Segundo o Goldman Sachs, a performance da Lojas Renner no segundo trimestre foi adversamente afetada por uma série de fatores considerados extraordinários. Entre eles, destacam-se o impacto sazonal da Copa do Mundo, o aumento da carga tributária sobre cosméticos especificamente no estado de São Paulo, e a já mencionada retomada da forte concorrência dos produtos importados de baixo valor. O cenário macroeconômico, inclusive, é um fator determinante para a performance do setor, como frequentemente analisado em publicações do mercado financeiro nacional. A expectativa é que, ao longo do segundo semestre do ano, parte desses efeitos extraordinários possa diminuir, pavimentando o caminho para uma recuperação gradual das vendas.
Não obstante, o UBS BB reitera que os riscos associados às ações Lojas Renner permanecem elevados. O banco efetuou uma nova redução em suas projeções de lucro para os próximos anos e agora trabalha com uma estimativa de crescimento médio anual de lucro por ação de aproximadamente 10% até o ano de 2030. Esse percentual é considerado insuficiente para justificar um múltiplo de valorização mais elevado, especialmente em um contexto de competição intensificada e dinâmica constante no setor varejista.
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Em suma, a desvalorização das ações Lojas Renner (LREN3) reflete uma confluência de fatores, desde o rebaixamento por bancos de investimento até desafios operacionais e a pressão de um ambiente competitivo em constante mutação. Para mais análises aprofundadas sobre o panorama econômico brasileiro e o mercado de varejo, explore nossa seção de Economia.
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