O governo federal divulgou nesta quarta-feira, 9 de setembro de 2026, um conjunto de novas medidas para combustíveis com o intuito de conter a elevação dos preços no país. Este pacote, estrategicamente planejado para amortecer os impactos da conjuntura internacional sobre o mercado doméstico, representa um custo estimado de R$ 7 bilhões por mês para os cofres públicos. A informação foi confirmada pelo ministro do Planejamento e Orçamento, Bruno Moretti, que detalhou os mecanismos por trás das ações governamentais.
O pacote emergencial foi formulado como uma resposta direta à escalada dos preços do petróleo no mercado global, acentuada pela continuidade da guerra no Oriente Médio. Entre as providências, destacam-se a desoneração fiscal sobre a gasolina e o etanol, além da implementação de um novo regime de subvenção para o óleo diesel, elementos cruciais para a estabilização econômica do setor de transportes e da matriz energética nacional.
Governo anuncia novas medidas combustíveis: custo R$ 7 bi/mês
Durante a coletiva de imprensa, o ministro Moretti reiterou que as recentes ações governamentais fazem uso prudente do espaço fiscal disponível. Segundo ele, as decisões não implicarão a necessidade de alocação de recursos adicionais, indicando um manejo responsável do orçamento. Este compromisso com a disciplina fiscal é um pilar das novas intervenções no setor de combustíveis.
Detalhes das Ações para Gasolina e Etanol
Uma das frentes das novas medidas para combustíveis concentra-se nos impostos incidentes sobre gasolina e etanol. Um decreto presidencial, sancionado por Luiz Inácio Lula da Silva, estabeleceu uma significativa redução das alíquotas de PIS/Pasep e Cofins sobre a gasolina. O corte fixado é de R$ 0,63 por litro, o que diminuirá a cobrança total desses tributos para R$ 0,16 por litro. Paralelamente, para o etanol hidratado, os impostos federais foram temporariamente zerados, resultando em uma diminuição de R$ 0,19 por litro nos custos.
As modificações tributárias sobre gasolina e etanol entram em vigor a partir de 10 de setembro e permanecerão ativas até 9 de outubro de 2026. Estas ações substituem uma subvenção anterior, que garantia uma redução de R$ 0,44 por litro na gasolina. A expectativa é que o impacto orçamentário decorrente da desoneração para ambos os combustíveis atinja o patamar de R$ 2 bilhões mensais, um esforço fiscal concentrado para aliviar o bolso dos consumidores.
Subvenção Direcionada ao Diesel
Outro pilar fundamental do pacote é a nova subvenção para o diesel rodoviário. Uma medida provisória específica foi editada para autorizar o repasse de R$ 1 por litro a produtores e importadores do combustível. A gestão e regulamentação desse subsídio ficarão a cargo do Ministério da Fazenda, que se comprometeu a realizar revisões a cada 30 dias. Essa dinâmica permitirá ajustes, interrupção ou prorrogação da medida, conforme a flutuação das condições de mercado. Para setembro, a projeção é de um dispêndio de R$ 5 bilhões apenas com esta subvenção ao diesel, valor que pode variar dependendo da adesão das empresas ao programa.
Custo Consolidado e Impacto nas Contas Públicas
A soma das despesas geradas pelas novas ações revela um custo mensal de R$ 7 bilhões. Contudo, é vital considerar o cenário fiscal de setembro. A subvenção de diesel vigente, de R$ 1,12 por litro e com término previsto para 27 de setembro, adiciona R$ 5,5 bilhões por mês aos gastos. Desta forma, o impacto financeiro total sobre as contas públicas apenas para o mês de setembro alcançará a expressiva cifra de R$ 12,5 bilhões.
Analisando um período mais amplo, o governo federal já contabiliza um gasto ou uma renúncia de arrecadação da ordem de R$ 25 bilhões entre março e agosto deste ano, impulsionados por iniciativas anteriores para estabilizar os preços dos combustíveis. Com a inclusão dos R$ 12,5 bilhões previstos para setembro, a despesa acumulada até o momento em 2026 atingirá um total de R$ 37,5 bilhões. Este montante reflete a complexidade e a abrangência da estratégia de gestão de preços no setor energético.
Estratégia de Financiamento e Transparência Orçamentária
Para mitigar o impacto financeiro de tais medidas, o governo espera contar com receitas extraordinárias. Rogério Ceron, secretário-executivo do Ministério da Fazenda, manifestou a expectativa de arrecadar mais de R$ 10 bilhões em receitas advindas da produção de petróleo. “A estimativa de receitas extraordinárias para esse período será de mais de R$ 10 bilhões”, pontuou Ceron, indicando uma fonte de financiamento crucial para as desonerações.

Imagem: agenciabrasil.ebc.com.br
A subvenção do diesel, especificamente, será financiada por meio de crédito extraordinário, conforme detalhado em medida provisória. O impacto total dessas deliberações será integralmente incorporado ao próximo Relatório Bimestral de Avaliação de Receitas e e Despesas. Esse documento, previsto para ser divulgado em 24 de setembro, servirá como balizador para a execução orçamentária. O Ministério do Planejamento e Orçamento está preparado para, se necessário, realizar contingenciamentos (congelamento temporário) de despesas não obrigatórias, visando o cumprimento das metas estabelecidas para o superávit primário.
Justificativa Governamental: Mitigação e Não Populismo
Em sua defesa das novas medidas para combustíveis, o ministro Bruno Moretti refutou veementemente as críticas de que o pacote teria caráter populista. O ministro sublinhou a natureza transitória das ações, frisando que o principal objetivo é reduzir os efeitos diretos da acentuada alta do petróleo no cenário global. “Essa é uma política de suavização de preço, de mitigação dos efeitos da guerra sobre os preços de derivado”, explicou Moretti. Ele adicionou que não se trata de uma redução artificial ou de distorção de preço relativo, tampouco de um uso “populista” da ferramenta fiscal.
A preocupação com o mercado internacional é pertinente, dado que o barril do tipo Brent, padrão de referência global, encerrou as negociações daquela quarta-feira cotado a US$ 101,21, registrando uma valorização de 3,36%. Em uma nota oficial, o Palácio do Planalto reiterou que as intervenções visam amortecer, por tempo limitado, os desdobramentos dessa complexa conjuntura internacional sobre os preços internos. A situação geopolítica global, em particular, exige acompanhamento constante, afetando diretamente a economia dos combustíveis e as ações governamentais necessárias para lidar com essa volatilidade. Para aprofundar a compreensão sobre os cenários econômicos globais, visite o portal da Agência Brasil Economia, uma fonte confiável para informações do setor.
Dario Durigan, ministro da Fazenda, ecoou essa perspectiva, enfatizando a relevância de ações provisórias para proteger a população e caracterizando-as como uma “boa prática” a adoção de medidas limitadas no tempo. O governo argumenta que as iniciativas anteriores se mostraram eficazes. Como exemplo, enquanto os preços do diesel apresentaram uma redução de 6% no Brasil durante o período do conflito no Oriente Médio, na Alemanha, houve um aumento de 25%. No entanto, apesar da queda recente, os valores praticados no Brasil ainda permanecem superiores aos observados antes do início do conflito.
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As decisões governamentais em relação aos combustíveis são cruciais para a economia brasileira, afetando desde o transporte de mercadorias até o orçamento familiar. A busca por equilíbrio fiscal e a proteção do consumidor pautam estas intervenções que visam minimizar a instabilidade global. Para se manter atualizado sobre a política e economia nacional, explore mais artigos e análises detalhadas em nossa editoria de Eleições 2026.
Crédito da imagem: Rovena Rosa/Agência Brasil

