Vítimas de Golpe de Construtoras Sofrem com Obras Inacabadas

Últimas Notícias

Centenas de famílias brasileiras viram o sonho da casa própria se transformar em um verdadeiro pesadelo ao se tornarem vítimas de golpe de construtoras. Esses esquemas fraudulentos, muitas vezes utilizando financiamentos da Caixa Econômica Federal, deixaram obras inacabadas e geraram um rastro de frustração, dívidas significativas e profundo abalo emocional para os envolvidos. Casos semelhantes de fraude têm sido reportados em diversas partes do país, apontando para um padrão de conduta irregular por parte de construtoras investigadas.

O cenário é desolador: recursos financeiros substanciais, que variam de centenas de milhares de reais, foram liberados, mas as construções foram abandonadas prematuramente. Os lares idealizados, onde famílias esperavam criar raízes e construir um futuro, permaneceram incompletos, com a responsabilidade das dívidas recaindo integralmente sobre os contratantes.

Vítimas de Golpe de Construtoras Sofrem com Obras Inacabadas

O Sonho Virou Pesadelo: O Drama de Marcela e Izael

Após um hiato de dois anos, Marcela Teles, ao lado do marido Izael Mendes, teve coragem para revisitar o lote que abrigaria sua futura residência. O local, outrora um projeto promissor, hoje está tomado pelo mato, simbolizando a obra inacabada e um sonho interrompido. “Era para ser o lugar onde nossa filha iria crescer, aprender a andar”, desabafa Marcela, que relata morar de aluguel enquanto continua pagando por um imóvel que deveria estar pronto há três anos. A experiência foi tão traumática que, durante dois anos, ela sequer conseguiu se aproximar do local, chegando a desmaiar ao pensar na situação.

O casal Teles/Mendes contratou um financiamento da Caixa Econômica Federal, que variou entre R$ 400 mil e R$ 500 mil. Por dois anos, as parcelas foram pagas rigorosamente em dia, sem que isso garantisse a continuidade da construção. Documentos apresentados pela construtora Prumo alegavam um avanço de mais de 84% da casa. Contudo, a realidade no terreno, assim como a avaliação de um especialista, desmentiu esses números, indicando que nem sequer metade da obra havia sido de fato concluída. Além da paralisação, uma perícia posterior identificou fortes indícios de fraude, revelando assinaturas atribuídas à cliente em laudos de progresso da obra que foram comprovadamente falsas. Essa prática fraudulenta é um dos fatores que contribuem para a vulnerabilidade dos cidadãos em relação a empresas inescrupulosas. Para se informar mais sobre os programas de financiamento habitacional, é sempre recomendável consultar o site oficial da Caixa Econômica Federal.

Casal Both: Terapia para Lidar com o Prejuízo

Guilherme e Bruna Both, outras vítimas dessa prática de fraude na construção civil, obtiveram um financiamento de R$ 290 mil em 2022. O relato do casal detalha que o proprietário da construtora Vitro Viana, Pedro André Marchesi Cecegolo, se apresentava com credenciais que sugeriam proximidade com a instituição bancária, cultivando uma confiança indevida. “A gente não entendia nada de financiamento, ele dizia que conseguiria facilitar tudo”, explica Guilherme sobre como foram seduzidos pela promessa de simplicidade no processo.

A construtora recebeu mais de R$ 200 mil dos valores financiados, mas em seguida argumentou que a quantia era insuficiente, exigindo novos aportes financeiros. Ao analisarem os documentos encaminhados ao banco, Guilherme e Bruna descobriram severas inconsistências: fases cruciais da obra, como cobertura e instalações elétricas e hidráulicas, apareciam como quase finalizadas, apesar de fisicamente inexistentes no local. A construção foi abruptamente abandonada após apenas sete meses, deixando o casal com um prejuízo financeiro que superou os valores financiados e impactou gravemente sua saúde mental. “Eu faço terapia até hoje para tentar reorganizar a vida”, compartilha Guilherme, evidenciando o extenso dano psicológico provocado pela fraude construtoras.

Sonho em Pernambuco Interrompido: A Luta de Camyla e Daniel

Em Pernambuco, a história de Camyla Lira e Daniel espelha o mesmo padrão de sofrimento. O casal dedicou uma década de planejamento à edificação de sua casa. O momento de paralisação da obra, executada pela construtora Multicons, coincidiu com a gravidez de Camyla, que sonhava em ter o imóvel pronto para o primeiro ano de vida de seu filho. “Entregaria a casa ele com 11 meses, então eu já imaginaria assim, mais ou menos um ano de vida dele eu já estar na minha residência própria, né? Da forma realmente como eu planejei uma vida inteira”, descreve Camyla, ressaltando a frustração da perda de seu planejamento.

A situação escalou para uma investigação e posterior condenação judicial do proprietário da Multicons por estelionato. Ficou comprovado que ele inflava os valores apresentados à instituição bancária e se apropriava da diferença, um esquema comum nesses casos de golpe de construtoras. O prejuízo direto para o casal Lira foi superior a R$ 126 mil. Apesar do revés financeiro e emocional, eles persistiram e decidiram concluir a obra por conta própria, mediante venda de bens e apoio de familiares, exemplificando a resiliência em meio à adversidade das obras inacabadas.

O Outro Lado: O Que Dizem as Construtoras Envolvidas

Diante das acusações de fraude construtoras e obras inacabadas, as empresas mencionadas apresentaram suas defesas. Em um comunicado oficial, a construtora Âmbar Prumo declarou que todas as suas obras foram realizadas em conformidade com as diretrizes da Caixa e que responderá judicialmente a quaisquer acusações. Por sua vez, Pedro André Marchesi Cecegolo, que respondia pela Vitro Viana e é ex-funcionário da Caixa, contesta sua demissão na Justiça do Trabalho e nega ter provocado qualquer dano financeiro à Caixa Econômica Federal. Já o proprietário da Multicons, embora condenado por estelionato, afirma que os valores recebidos foram integralmente empregados na obra e está recorrendo da decisão judicial.

Confira também: Imoveis em Rio das Ostras

A luta das famílias contra a fraude na construção civil e o drama das obras inacabadas expõem a urgência de maior fiscalização e proteção ao consumidor. Este tipo de situação ressalta a importância de cautela e verificação minuciosa de construtoras antes da assinatura de contratos de financiamento habitacional. Para se aprofundar em mais notícias sobre casos de irregularidades no mercado ou outros temas relevantes, continue acompanhando nossa editoria de Economia.

Crédito da imagem: Reprodução/TV Globo

Deixe um comentário