A USA Rare Earth adquiriu a mineradora brasileira de terras raras, Serra Verde, em uma transação avaliada em aproximadamente US$ 2,8 bilhões. O anúncio, divulgado em conjunto pelas empresas nesta segunda-feira, 20 de abril de 2026, representa um movimento estratégico significativo no mercado global de minerais críticos.
A Serra Verde é proprietária e opera a mina de Pela Ema, localizada no município de Minaçu, Goiás. Este empreendimento singular representa a única mina de argilas iônicas ativa no Brasil, com produção iniciada em 2024. A empresa brasileira se destaca globalmente por ser a única produtora fora do continente asiático a extrair as quatro terras raras pesadas consideradas mais valiosas e críticas: o Disprósio (Dy), o Térbio (Tb) e o Ítrio (Y). Atualmente, mais de 90% da extração mundial desses minerais ocorre na China, o que torna a mina goiana um ativo de relevância geopolítica e econômica.
USA Rare Earth Adquire Mineradora Brasileira de Terras Raras
A aquisição pela USAR visa estabelecer um novo polo de poder na cadeia de suprimentos de terras raras, vital para diversos setores industriais e de alta tecnologia. A combinação das operações da Serra Verde com as capacidades de mineração e processamento da USA Rare Earth no ‘downstream’ — ou seja, as etapas posteriores à extração do minério — terá um papel crucial na construção da primeira cadeia de suprimentos de “mina ao ímã” fora da hegemonia asiática. Este modelo verticalmente integrado busca garantir a segurança e a diversidade no fornecimento de componentes essenciais.
Serra Verde: Um Ativo Estratégico Global no Mercado de Terras Raras
Os materiais extraídos pela Serra Verde são componentes indispensáveis na fabricação de ímãs permanentes. Estes ímãs, por sua vez, são cruciais para uma vasta gama de aplicações modernas e futuras, abrangendo desde a indústria de veículos elétricos e turbinas eólicas, que são pilares da transição energética global, até tecnologias de ponta em robótica, drones e aparelhos de ar-condicionado de alta eficiência. Além disso, as terras raras são fundamentais para setores estratégicos como o de semicondutores, defesa nacional, energia nuclear e o segmento aeroespacial, sublinhando sua importância na inovação e segurança.
Para a mineradora brasileira, esta parceria transnacional criará a maior empresa global em seu setor. Embora a produção em Goiás, na sua “fase um”, seja considerada modesta, as projeções da empresa indicam uma expectativa de que essa produção seja dobrada até o ano de 2030, demonstrando o grande potencial de crescimento e expansão da operação brasileira sob a nova gestão.
Contrato de Fornecimento e Consolidação da Cadeia Global
O acordo de aquisição inclui um contrato de fornecimento de 15 anos que garantirá 100% da produção da Fase I da mina para uma Empresa de Propósito Específico (SPV). Essa SPV é capitalizada por diversas agências governamentais dos Estados Unidos, bem como por fontes de capital privado, assegurando um mercado estável para as terras raras magnéticas com preços mínimos garantidos. Conforme declarações da USA Rare Earth, este Acordo de Fornecimento é vital para a Serra Verde, pois proporciona fluxos de caixa previsíveis e seguros, minimizando riscos e impulsionando investimentos necessários para seu desenvolvimento contínuo.
A concretização do negócio permitirá a criação de uma potência multinacional líder em terras raras, atuando em todas as etapas da cadeia, da mina ao ímã. A nova entidade operará com um total de oito frentes em diferentes países – Brasil, EUA, França e Reino Unido – e contará com capacidades operacionais ativas que cobrem desde a mineração e processamento até a separação, metalização e fabricação de ímãs, tanto para terras raras leves quanto pesadas. Segundo Ricardo Grossi, presidente da Serra Verde Pesquisa e Mineração e COO do Grupo Serra Verde, esses desenvolvimentos representam um avanço significativo para o Brasil. “Demonstram a capacidade do país de assumir um papel de liderança no desenvolvimento das cadeias globais de suprimentos de terras raras”, afirmou Grossi, destacando que as garantias de fornecimento e a integração com a USAR validam a qualidade da operação única da Serra Verde, a dedicação de seus colaboradores e o compromisso com práticas de mineração responsáveis.

Imagem: agenciabrasil.ebc.com.br
Repercussão de Mercado e Movimentações Geopolíticas
O mercado financeiro reagiu positivamente ao anúncio da aquisição. As ações da USA Rare Earth registraram uma alta expressiva de mais de 8% na Nasdaq por volta das 15h30 da mesma segunda-feira (20). A nova configuração manterá a equipe de gestão da Serra Verde, com a inclusão de dois de seus principais executivos, Sir Mick Davis e Thras Moraitis – anteriormente Presidente do Conselho e CEO do Grupo Serra Verde, respectivamente – na diretoria da USA Rare Earth, garantindo a continuidade e a experiência da gestão.
Este movimento da USA Rare Earth com a Serra Verde insere-se em um contexto geopolítico mais amplo. A dependência de uma única região para o fornecimento de minerais estratégicos tem impulsionado nações ocidentais a buscar ativamente fontes alternativas e seguras para a cadeia de suprimentos de matérias-primas críticas. Essa preocupação global é frequentemente abordada em debates internacionais, especialmente em relação à posição da China no mercado. Por exemplo, relatórios do Serviço Geológico dos Estados Unidos (USGS) têm consistentemente destacado a vulnerabilidade da oferta de minerais críticos em diversos países. Em vários discursos, o ex-presidente Donald Trump tem criticado publicamente a dependência mundial da produção chinesa de terras raras, gerando divergências com Pequim e sinalizando uma postura de fortalecimento da autossuficiência e da diversificação das cadeias de suprimentos estratégicas para os EUA e seus aliados.
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A compra da Serra Verde pela USA Rare Earth consolida o papel do Brasil como um ator crucial na reconfiguração da cadeia global de suprimentos de terras raras, prometendo impactar positivamente a indústria de alta tecnologia e a transição energética. Mantenha-se atualizado com as últimas novidades e análises sobre o cenário econômico e geopolítico global acessando nossa editoria de Economia.
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