Nesta terça-feira, 1º de agosto, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) rejeitou uma ação contra vídeo de Bolsonaro feito com IA, apresentada pelo Partido dos Trabalhadores (PT), que buscava derrubar a veiculação de uma simulação de pronunciamento do ex-presidente Jair Bolsonaro, criada por inteligência artificial (IA). A decisão, proferida por maioria dos votos dos ministros da Corte Eleitoral, esclarece aspectos cruciais sobre o uso de tecnologias avançadas nas campanhas.
O episódio que motivou a ação ocorreu durante o lançamento da candidatura de Flávio Bolsonaro (PL) à Presidência da República, em agosto. Na ocasião, foi exibido um vídeo que replicava a imagem e voz do ex-presidente, atualmente em prisão domiciliar, por meio de inteligência artificial. A tese do PT era de que a produção configuraria propaganda eleitoral irregular, o que foi derrubado pelo entendimento da maioria dos ministros.
TSE rejeita ação contra vídeo de Bolsonaro feito com IA
A Justila Eleitoral decidiu que a utilização do conteúdo não se enquadrava como propaganda ilícita, pois sua divulgação se deu em um evento oficial de convenção partidária. A medida demonstra a cautela da corte ao analisar casos que envolvem novas tecnologias, buscando equilibrar a liberdade de expressão com a integridade do processo eleitoral. No entanto, o julgamento foi fundamental para o avanço das diretrizes regulatórias para as próximas disputas políticas, especialmente em um cenário de rápida evolução tecnológica.
Definição e Proibição de Deep Fake pelo TSE
Ainda que tenha liberado a exibição do vídeo de Bolsonaro gerado por IA no contexto específico da convenção, o julgamento foi aproveitado pelos ministros do TSE para solidificar a conceituação de “deep fake”. Essa modalidade de conteúdo artificial agora possui uma definição clara dentro da jurisprudência eleitoral: trata-se da produção por inteligência artificial com um alto grau de realismo, capaz de modificar a imagem e a voz de uma pessoa, seja ela viva, falecida ou até mesmo fictícia. Este entendimento estabelece um marco importante.
Com essa clareza, a intenção do TSE é que a definição sirva de base para a análise e resolução de outros processos judiciais semelhantes que já tramitam na Justiça Eleitoral. A preocupação é combater a desinformação e a manipulação da opinião pública, protegendo a autenticidade e a lisura das eleições. O cenário de digitalização exige adaptações constantes da legislação e das interpretações jurídicas.
Regulamentação da Inteligência Artificial nas Eleições de Outubro
A deliberação desta semana vem para complementar as regras sobre o uso de inteligência artificial, que foram aprovadas em março deste ano pelo Tribunal Superior Eleitoral, visando as eleições gerais de outubro. Essas normas se aplicam a todos os candidatos e partidos, estabelecendo limites claros para a atuação das tecnologias no período de campanha. Um dos pontos centrais da regulamentação é a proibição expressa de que provedores de ferramentas de IA ofereçam sugestões de candidatos para votação, mesmo que a pedido dos usuários. O objetivo principal é preservar a autonomia da escolha dos eleitores, impedindo qualquer tipo de influência algorítmica indevida no processo democrático.
Além das questões diretamente ligadas à IA, as novas regras da Justiça Eleitoral também incluem medidas enérgicas para conter a chamada misoginia digital. O TSE vetou explicitamente a publicação de postagens em redes sociais que contenham montagens ofensivas envolvendo candidatas, bem como a divulgação de fotos e vídeos de nudez ou conteúdo pornográfico. Essas diretrizes são cruciais para assegurar um ambiente de campanha mais justo e respeitoso para as mulheres na política. Outro aspecto importante é a reafirmação da responsabilidade dos provedores de internet, que poderão ser judicialmente responsabilizados caso não removam perfis falsos ou publicações consideradas ilegais por seus usuários, demonstrando a seriedade do tribunal na fiscalização do ambiente digital durante as eleições. Para mais informações sobre regulamentações eleitorais, consulte as normas do Tribunal Superior Eleitoral.

Imagem: agenciabrasil.ebc.com.br
Perspectivas para as Eleições de Outubro
Com as decisões recentes do TSE, o cenário para as eleições de 4 de outubro ganha mais contornos. Na data, milhões de brasileiros irão às urnas para eleger deputados federais, estaduais e distritais, governadores, senadores e o presidente da República. A introdução de regras claras sobre a IA e os deep fakes demonstra a preocupação da Justiça Eleitoral em antecipar e combater novos desafios que podem surgir com a tecnologia.
A existência de um segundo turno, agendado para 25 de outubro, para os cargos de governador e presidente, caso nenhum candidato alcance mais de 50% dos votos válidos no primeiro turno (excluindo-se brancos e nulos), reforça a importância da fiscalização contínua das campanhas e do comportamento eleitoral. A Justiça Eleitoral trabalha para garantir que o pleito transcorra com a máxima transparência e conformidade às novas diretrizes.
Sabrina Craide foi a editora responsável pela versão original deste conteúdo.
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Em suma, a rejeição da ação sobre o vídeo de Bolsonaro por IA pelo TSE estabelece um precedente significativo, ao mesmo tempo em que a corte avança na regulamentação do uso da inteligência artificial e de “deep fakes” em campanhas. Essas decisões são cruciais para a proteção da integridade do processo eleitoral e para garantir um pleito justo e transparente em outubro. Para se manter sempre informado sobre os desdobramentos políticos e judiciais, continue acompanhando nossa editoria de Política e Justiça Eleitoral.
Crédito da imagem: Marcelo Camargo/Agência Brasil


