Trump Anexar Venezuela: Silêncio Notável de Delcy Rodríguez

Economia

O interesse de Donald Trump em anexar a Venezuela como o 51º estado americano, manifestado por duas vezes esta semana, foi recebido com um notável silêncio por parte da presidente interina Delcy Rodríguez. Esta postura marca um distanciamento significativo da reação tradicionalmente veemente do governo venezuelano diante de tais declarações provenientes de Washington, evidenciando uma complexa mudança na política externa e interna do país.

A mais recente declaração do ex-presidente ocorreu na terça-feira (12) em sua plataforma Truth Social, acompanhada de um mapa no qual o território sul-americano era coberto pela bandeira dos Estados Unidos. Em contrapartida, manifestações anteriores que questionavam a soberania venezuelana nos últimos 25 anos eram prontamente rejeitadas por altos funcionários governamentais, incluindo a presidência.

Trump Anexar Venezuela: Silêncio Notável de Delcy Rodríguez

Anteriormente, o partido no poder chegava a organizar protestos em Caracas, como o de 3 de janeiro, poucas horas após a captura do então presidente Nicolás Maduro pelos Estados Unidos, quando eram ouvidos gritos como “Gringo, volte para casa”. Desta vez, entretanto, a administração de Rodríguez manteve uma reserva quase total, limitada a um breve comunicado à imprensa emitido pela própria presidente interina na segunda-feira. Essa atitude sublinha o delicado equilíbrio que Rodríguez necessita manter entre as esferas diplomática e doméstica, especialmente após a operação militar do Pentágono em Caracas, ocorrida em janeiro.

Desde os eventos de janeiro, o governo Trump tem implementado um plano faseado com o intuito de reverter a profunda crise econômica e social na Venezuela. Esse plano forçou o movimento político de Rodríguez, conhecido como chavismo, a abandonar o histórico sentimento antiamericano que há muito fundamentava sua doutrina ideológica. Segundo Christopher Sabatini, pesquisador sênior para a América Latina na Chatham House, um prestigiado think tank sediado em Londres, esta é, “provavelmente a manifestação mais pública e contundente da abordagem transacional e de sobrevivência do governo, acima de tudo, neste momento, acima até mesmo de princípios chavistas básicos”. Sabatini complementa, questionando a utilidade de uma reação: “É melhor eles se conterem e não ofenderem os Estados Unidos agora. Por que reagir de forma exagerada a uma declaração ridícula de Donald Trump?” Mais informações sobre a Chatham House e suas análises de política internacional podem ser encontradas em seu website oficial.

Delcy Rodríguez afirmou a jornalistas na segunda-feira que a nação não possuía intenções de se transformar no 51º estado norte-americano. No entanto, suas observações foram visivelmente mais comedidas do que os discursos presidenciais proferidos em ocasiões passadas, que tendiam a ridicularizar pronunciamentos similares vindos de Washington. As declarações da presidente interina sucederam a manifestação de Trump de que estaria “considerando seriamente” a hipótese da anexação venezuelana. O líder republicano já havia emitido comentários análogos sobre a possibilidade de anexar o Canadá. Rodríguez reforçou a soberania do país: “Continuaremos a defender nossa integridade, soberania, independência e história”, enfatizando que a Venezuela “não é uma colônia, mas um país livre”.

A administração Trump surpreendeu muitos venezuelanos ao optar por cooperar com Rodríguez, em vez de apoiar a oposição política do país, após a saída de Maduro do cenário. Desde então, Rodríguez tem liderado a colaboração com o plano gradual da Casa Branca, direcionando sua nação rica em petróleo para investidores internacionais e promovendo a abertura do setor energético a capitais privados e à arbitragem internacional. Além disso, ela efetuou a substituição de importantes figuras governamentais, como o ministro da Defesa e o procurador-geral, que eram alinhados a Maduro.

O ex-presidente Trump elogiou abertamente o trabalho de Rodríguez. Em resposta a essa cooperação, sua administração suspendeu sanções econômicas específicas contra a presidente interina e flexibilizou restrições aplicadas ao país, embora algumas permaneçam ativas. Atualmente, Washington reconhece Delcy Rodríguez como a única chefe de Estado da Venezuela, alterando o curso da diplomacia entre os dois países. Os Estados Unidos haviam retirado seu reconhecimento a Nicolás Maduro como líder legítimo da Venezuela em 2019, um ano após ele proclamar sua reeleição em eleições amplamente questionadas, com muitos partidos e candidatos da oposição impedidos de participar.

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Imagem: Leonardo Fernandez Viloria via valor.globo.com

Maduro e sua esposa, Cilia Flores, foram transferidos para Nova York para responder a acusações relacionadas a tráfico de drogas, após sua prisão em 3 de janeiro. Ambos declararam inocência e continuam detidos em um centro prisional no Brooklyn, enquanto o cenário político e jurídico do país sul-americano segue em profunda transformação. Em Caracas, a resposta do governo à fala de Trump foi considerada, por alguns moradores na quarta-feira, como uma forma de “submissão” ao ex-presidente americano. Contudo, esses mesmos cidadãos também reconhecem que Delcy Rodríguez não dispõe, neste momento, da capacidade ou da posição para inflamar a propaganda anti-americana que caracterizou o chavismo em períodos anteriores.

O estudante universitário Adonai Osoria avaliou a situação com pragmatismo: “Ele sabe que, no momento, é prudente não se envolver em um confronto direto, porque sabe que certamente perderá”. Osoria ainda complementou a análise sobre a aceitação popular da nova postura governamental: “Agora, há quem discorde, quem não goste disso? Bem, sim, claro. Mas considero a reação que ele teve agora uma reação comum e compreensível”. Esse contexto contrasta com as veementes demonstrações dos apoiadores do governo nos dias subsequentes à captura de Maduro, quando bandeiras americanas foram queimadas e cartazes com a mensagem “Gringo, volte para casa” foram erguidos.

Entre os mais fervorosos defensores do governo venezuelano, destacam-se os “colectivos”, grupos armados cuja participação em manifestações pró-governo é comum e organizada. Jorge Navas, um líder local desses coletivos, classificou os comentários de Trump como “atos irresponsáveis de provocação” e fez questão de elogiar a resposta diplomática adotada por Rodríguez. “Estamos cedendo estrategicamente, mas não vamos quebrar”, declarou Navas sobre a abordagem adotada pelo chavismo diante da persistente pressão dos Estados Unidos. Ele reforçou a necessidade de realismo, enfatizando: “Continuamos resistindo, isto é, realisticamente, dada a situação econômica do país”.

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A situação política na Venezuela, com a proposta de Trump anexar Venezuela e a moderada reação de Delcy Rodríguez, destaca a complexidade das relações internacionais e a evolução das estratégias do governo chavista. Fique por dentro de todas as análises e desdobramentos sobre a política internacional, incluindo o cenário latino-americano e a postura de Washington, acompanhando nossa editoria de Política para atualizações constantes.

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