Medidas urgentes para reduzir morte de albatrozes na pesca

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Ameaças sem precedentes desafiam a sobrevivência das populações de albatrozes, uma das aves mais vulneráveis do planeta, tornando essenciais medidas rigorosas para reduzir a morte de albatrozes decorrente da pesca em alto-mar. As espécies que se aventuram em águas oceânicas figuram no topo da lista de animais mais em risco, cenário que evidência uma crise de conservação de grande magnitude.

No dia 19 de junho, quando é celebrado anualmente o Dia Mundial do Albatroz, o foco se volta para a urgência da proteção desses animais. A data relembra o início da vigência do Acordo para a Conservação de Albatrozes e Petréis (ACAP), criado com o propósito de ampliar o conhecimento público sobre a biologia única dessas aves marinhas e ressaltar a premente necessidade de sua salvaguarda. Das 22 espécies de albatrozes catalogadas globalmente, a metade encontra em águas brasileiras um refúgio para buscar alimento e desfrutar de temperaturas mais brandas.

Medidas urgentes para reduzir morte de albatrozes na pesca

A taxa acelerada de declínio populacional impõe um enorme desafio a cientistas e órgãos governamentais, que se esforçam para conter a captura incidental na pesca de espinhel. Essa técnica, uma modalidade passiva, emprega uma linha principal de grande comprimento (a linha madre) da qual derivam várias linhas secundárias, equipadas com anzóis iscados – tipicamente com sardinhas, cavalinhas ou lulas – para atrair peixes de valor comercial. O grande perigo surge quando os albatrozes mergulham em busca das iscas, ficam presos nos anzóis e acabam morrendo por afogamento.

Estimativas indicam que, a cada ano, aproximadamente 300 mil aves marinhas são acidentalmente capturadas pela pesca de espinhel em todo o mundo. Desse total, entre 30 mil e 40 mil são albatrozes e petréis. No contexto brasileiro, o impacto é igualmente severo: cerca de 4 mil albatrozes sucumbem anualmente, vítimas da pesca de espinhel principalmente nas costas de Santa Catarina e do Rio Grande do Sul.

De acordo com Tatiana Neves, bióloga e fundadora do Projeto Albatroz, a gravidade da situação reforça a imperativa adoção de medidas mitigadoras práticas e rigorosas pelas frotas pesqueiras. Ela observa que “Muitas das espécies vêm declinando em ritmo muito acelerado, apesar dos esforços feitos em muitos países para reduzir a captura.”

Projeto Albatroz: Pioneirismo na Conservação Marinha

Desde 2006, o Projeto Albatroz conta com o patrocínio da Petrobras, dedicando-se integralmente à preservação dessas majestosas aves. Embora percorram o globo em suas rotas alimentares, os albatrozes transitam por águas brasileiras anualmente, entrando em contato com embarcações de pesca. A iniciativa foi estabelecida por Tatiana em 1990, impulsionada pela percepção do impacto global que a perda individual de cada uma dessas aves representaria. Naquele período, centenas de albatrozes eram capturados por barcos de espinhel que operavam no litoral Sul e Sudeste do Brasil. Atualmente, o projeto possui bases de pesquisa em quatro estados. Em 2023, um importante avanço foi a inauguração do primeiro Centro de Visitação e Educação Ambiental Marinha, localizado em Cabo Frio (RJ), na Região dos Lagos fluminense. O centro oferece trilhas, pontos de observação e atividades de educação ambiental, situando-se em uma das áreas de maior concentração de albatrozes e petréis na costa nacional.

Estratégias de Mitigação na Pesca

Para mitigar a captura acidental, foram desenvolvidas e são promovidas diversas estratégias:

  • **Lançamento noturno dos anzóis:** Realizar o processo de largada dos anzóis após o anoitecer.
  • **Uso de pesos nas linhas de pesca:** Anexar chumbadas aos apetrechos para que os anzóis afundem mais rapidamente, dificultando o acesso dos albatrozes às iscas.
  • **Adoção do toriline:** Trata-se de uma linha espanta-pássaros, equipada com fitas coloridas e posicionada na popa do barco, com a função de afastar os albatrozes das iscas enquanto estas estão na superfície.

Tatiana Neves assegura que, quando aplicadas simultaneamente, essas medidas têm o potencial de diminuir a captura incidental de albatrozes em até 90%. Contudo, a efetividade é desafiada pela dificuldade em monitorar a utilização dessas práticas em alto-mar.

Políticas Públicas e Desafios da Fiscalização

A bióloga salienta a necessidade premente de políticas públicas mais robustas para a implementação generalizada dessas medidas. O Plano de Ação Nacional para a Conservação de Albatrozes e Petréis (PAN Aves Marinhas) é a principal diretriz brasileira de proteção dessas aves. Coordenado pelo Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) e coexecutado pelo Projeto Albatroz, o plano busca atenuar a captura acidental pela pesca de espinhel e resguardar os habitats de reprodução.

Medidas urgentes para reduzir morte de albatrozes na pesca - Imagem do artigo original

Imagem: agenciabrasil.ebc.com.br

O Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) já conduz ações de fiscalização quanto ao emprego das medidas. Em relação ao uso do sistema de pesos na linha, a legislação já prevê a obrigatoriedade de um sistema de peso padronizado, que agiliza o afundamento do anzol, sendo possível a verificação nos portos. A maior complexidade, no entanto, reside na fiscalização das outras duas medidas – o toriline e a largada noturna –, que só podem ser observadas em alto-mar. No caso do toriline, a inspeção em terra se limita a constatar sua presença a bordo.

Diante desse cenário, o governo brasileiro discute a implementação de sistemas de monitoramento por câmeras ou meios eletrônicos. O Programa Parceiros, uma iniciativa do ICMBio, testou pioneiramente câmeras a bordo de barcos de pesca de atum em Natal (RN). O trabalho foi recentemente apresentado em Madri, Espanha, durante uma reunião da Comissão Internacional para a Conservação do Atum Atlântico (ICCAT). Esta comissão, que supervisiona a pesca em alto-mar nos oceanos Atlântico e Mediterrâneo, recebeu o estudo brasileiro com grande relevância. Tatiana enfatizou o caráter inovador e crucial desse trabalho para assegurar o uso das medidas mitigadoras em águas abertas.

A fiscalização da largada noturna, que exige que o primeiro anzol seja lançado após o crepúsculo náutico, também ganhou avanços. Ibama e ICMBio desenvolveram uma metodologia para verificar o horário de lançamento via satélite, aproveitando o sistema de rastreamento de embarcações já existente. O Programa Nacional de Rastreamento de Embarcações Pesqueiras por Satélite será utilizado com inovações para este fim.

Considerados o grupo de aves oceânicas mais ameaçadas globalmente, os albatrozes, com sua impressionante envergadura de até 3,5 metros, passam a maior parte da vida em regiões remotas, planando sobre os oceanos e sendo avistados majoritariamente em alto-mar, uma rotina conhecida por pescadores e pesquisadores. Essa particularidade contribui para que grande parte da população desconheça as ameaças que pairam sobre essas aves e os desafios inerentes à sua conservação.

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Em síntese, a proteção dos albatrozes demanda uma conjugação de esforços, englobando a conscientização, a adoção de medidas preventivas nas atividades pesqueiras e um rigoroso sistema de fiscalização, inclusive com tecnologias de monitoramento em alto-mar. As vidas dessas magníficas aves marinhas, que são verdadeiros termômetros da saúde dos oceanos, dependem de ações integradas e urgentes. Para continuar a acompanhar a fundo análises sobre o meio ambiente e políticas de conservação, explore mais em nossa editoria de Análises.

Crédito da imagem: Projeto Albatroz

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