Queda da Selic de 0,25% é vista como tímida por entidades

Economia

A recente queda da Selic em 0,25 ponto percentual, que estabeleceu a taxa básica de juros da economia brasileira em 13,75% ao ano, foi amplamente recebida com ceticismo. Representações importantes dos setores industrial e trabalhista do país classificaram a decisão como excessivamente “tímida”, expressando a convicção de que o corte é insuficiente para proporcionar um alívio substancial à situação financeira de empresas e famílias brasileiras.

A determinação sobre a taxa foi anunciada na última quarta-feira, 16 de agosto de 2026, pelo Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central (BC). A mudança representa a redução da Selic de seu patamar anterior, 14%, para os atuais 13,75% anuais, marcando a quinta redução consecutiva na taxa desde o início do ciclo de cortes. Contudo, essa diminuição não satisfez as expectativas de boa parte do mercado produtivo e de trabalho, que esperava um movimento mais agressivo para reaquecer a economia.

Queda da Selic de 0,25% é vista como tímida por entidades

A Confederação Nacional da Indústria (CNI) manifestou seu posicionamento por meio de nota logo após a divulgação do novo índice, argumentando que o Copom agiu com um “excesso de prudência”. Segundo a CNI, o cenário atual de inflação já demonstra uma trajetória de queda consistente, atingindo 4,22% no acumulado de 12 meses até agosto. Além disso, as expectativas do mercado financeiro sinalizam uma convergência gradual em direção à meta de 3% ao ano para a política monetária. Ricardo Alban, presidente da confederação, ressaltou a importância da continuidade nesse ciclo de reduções, afirmando que a manutenção da taxa básica em um patamar tão restritivo impõe um custo econômico desnecessariamente elevado para garantir a estabilidade de preços. Ele defende que existe “espaço para avançar no ciclo de cortes sem comprometer a convergência da inflação para a meta”.

Ainda na visão da CNI, mesmo com a redução anunciada, a política monetária praticada pelo Banco Central do Brasil continua sendo austera. Com a Selic em 13,75% ao ano, o juro real permanece em torno de 9%, uma margem considerada elevada e cerca de quatro pontos percentuais acima da taxa real neutra, estimada pelo próprio Banco Central em 5% ao ano. Para informações adicionais sobre a política monetária brasileira, consulte o site oficial do Banco Central do Brasil.

Pelo lado das representações trabalhistas, a Central Única dos Trabalhadores (CUT) classificou a decisão do Copom como um passo relevante, mas “insuficiente diante do nível muito elevado dos juros no país”. Neiva Ribeiro, que preside o Sindicato dos Bancários de São Paulo e é diretora executiva da CUT, pontuou que a Selic exerce influência direta sobre os custos de empréstimos e financiamentos. Embora a redução nem sempre se reflita imediatamente no bolso do consumidor, ela “abre espaço para uma trajetória de crédito mais barato”, o que é um fator positivo, mas ainda aquém do ideal.

Neiva Ribeiro defendeu que a desaceleração tanto dos preços quanto da atividade econômica cria condições favoráveis para que o Banco Central avance com cortes mais significativos na taxa de juros. Em sua avaliação, é crucial que o debate sobre os juros transcenda os indicadores exclusivos do mercado financeiro. Juros em patamares mais baixos significariam, na prática, condições mais benéficas para a obtenção de crédito, para investimentos produtivos, para a geração de empregos e, fundamentalmente, para a redução do pesado custo financeiro que onera famílias, empresas e o orçamento público nacional.

Em linha com a perspectiva da CUT, a Força Sindical também se manifestou, qualificando o corte de 0,25 ponto percentual como “muito tímido” e um “verdadeiro balde de água fria” para as projeções da economia brasileira no último trimestre do ano (outubro, novembro e dezembro). A central expressou que o país perdeu uma valiosa chance de promover uma redução mais expressiva na taxa de juros, o que poderia ter gerado um impulso significativo para o setor produtivo e alavancado de maneira mais robusta a atividade econômica.

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Imagem: agenciabrasil.ebc.com.br

Para a Força Sindical, a atual política do Banco Central favorece a concentração de renda nas mãos de banqueiros e especuladores, ao mesmo tempo em que mantém as taxas de juros em níveis proibitivos tanto para o setor produtivo quanto para a criação de novos postos de trabalho. A entidade conclui que esta estratégia de juros elevados acarreta a diminuição da capacidade de consumo das famílias, enfraquece a confiança dos empresários, desestimula investimentos e, consequentemente, compromete o crescimento econômico e a tão necessária distribuição de renda no país.

O segmento da Indústria da Construção, por meio da Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC), demonstrou uma recepção positiva à redução da taxa Selic, mas reforçou a importância da continuidade desse movimento. A entidade, contudo, fez um alerta: a Selic ainda se encontra em um patamar consideravelmente elevado, o que impõe sérios desafios ao setor produtivo e restringe a possibilidade de uma retomada mais consistente do crédito e dos investimentos na construção civil.

Eduardo Almeida, presidente da CBIC, salientou que a Selic atual é uma das mais altas globalmente, o que dimensiona a magnitude do desafio enfrentado pelos empresários brasileiros, especialmente aqueles que atuam na construção. Este setor tem uma grande dependência de crédito e é caracterizado por um longo ciclo produtivo. Almeida observou que “Estamos com juros de dois dígitos desde o início de 2022, o que representa um grande desafio para o empresário, especialmente em um setor como a construção, que trabalha com projetos de longo prazo e depende de crédito e previsibilidade.” Ele concluiu a necessidade urgente de construir um ambiente macroeconômico estável, capaz de sustentar a sequência das reduções de juros de forma duradoura e, assim, estimular novos investimentos essenciais para o desenvolvimento do país.

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Em síntese, a decisão do Copom de cortar a Selic em 0,25 ponto percentual, embora seja uma continuidade de um ciclo de quedas, foi recebida majoritariamente como insuficiente pelas entidades da indústria e do trabalho. Setores como a construção civil ainda enfrentam um ambiente desafiador de juros elevados, demandando uma política monetária mais alinhada à realidade de empresas e consumidores. Para acompanhar de perto as últimas notícias sobre economia e a política monetária nacional, continue explorando nossa editoria de Economia.

Crédito da imagem: José Cruz/Agência Brasil/Arquivo

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