Projeto Oscar Schmidt Basquete Brilha no Nacional Escolar

Esportes

A jornada vitoriosa do Projeto Oscar Schmidt Basquete, uma notável iniciativa social com sede em Ponta Porã, Mato Grosso do Sul, culminou em glória na última sexta-feira, 17 de abril de 2026. A equipe masculina sub-18 do Porãbask conquistou o campeonato dos Jogos Escolares Brasileiros (Jebs) em Brasília, num momento que misturou celebração e luto. Poucos minutos antes de entrar em quadra para a final decisiva, os jovens atletas foram informados da triste notícia sobre o falecimento de Oscar Schmidt, o “Mão Santa”, figura que transcendeu o status de ídolo esportivo para se tornar um pilar fundamental no desenvolvimento do projeto.

Para os garotos do time e seu treinador, Hugo Costa, de 59 anos, Oscar representava muito mais do que uma lenda do basquete exibida em telas. Ele foi o verdadeiro mentor e o catalisador que, há 19 anos, viabilizou a transformação do programa social. O que começou com uma estrutura rudimentar e improvisada floresceu, ganhou um ginásio próprio e pavimentou um caminho de sucesso para inúmeros jovens. Assim, em quadra, os atletas do Porãbask enfrentaram a equipe representante de São Paulo, imersos em um turbilhão de emoções — a ansiedade da finalíssima somada à dor da perda do grande incentivador.

Projeto Oscar Schmidt Basquete Brilha no Nacional Escolar

No entanto, a mistura de sentimentos não ofuscou o desempenho, e o time garantiu uma vitória expressiva por 74 a 63, conquistando um inédito lugar no topo do pódio. O treinador Hugo Costa, visivelmente emocionado e com os olhos marejados, testemunhava a materialização de um sonho. Ele foi o visionário que, em 2004, deu início ao projeto social, inicialmente batizado de Meninos do Terrão. Esse nome refletia a realidade humilde da época, com a quadra improvisada no Jardim Ivone, bairro da periferia da cidade sul-mato-grossense.

A Transição do Terrão à Estrutura Nomeada pelo Ídolo

A virada para o Projeto Oscar Schmidt Basquete começou a tomar forma em 2007, quando Oscar Schmidt realizou uma série de palestras em Ponta Porã. Nesse período, ele conheceu a iniciativa de Hugo Costa, estabelecendo uma conexão pessoal e um incentivo permanente. Hugo Costa, que era um admirador fervoroso do “Mão Santa”, rapidamente o via como um amigo e colaborador essencial. Oscar, em todas as suas aparições e palestras, clamava por apoio e recursos para o projeto, sonhando com a transição do simples “terrão” para uma quadra coberta e equipada. O empenho rendeu frutos: foi possível adquirir um terreno e, com a ajuda constante de Oscar, construir um ginásio que, em sua honra, leva seu nome.

O técnico Hugo Costa expressou sua profunda consternação pela coincidência de alcançar o campeonato exatamente no dia do falecimento de seu maior benfeitor. “Nós disputamos mais de 20 jogos escolares, sempre chegávamos perto. Esta foi a primeira vez que fomos campeões. Que seja uma homenagem a ele”, afirmou. A conquista dos Jogos Escolares Brasileiros representa mais do que um troféu; ela abre portas para um desafio internacional. A equipe de Ponta Porã agora terá a honra de representar o Brasil no Mundial Escolar de Basquete, agendado para ocorrer de 13 a 22 de junho, na cidade de Zlatibor, na Sérvia.

Legado e Formação: Mais Que Atletas, Cidadãos

Para Hugo Costa, Oscar Schmidt deixou uma lição fundamental: a obstinação como caminho para alcançar os objetivos. Em suas palavras, o ex-jogador desmistificou a ideia de que o basquete seria um esporte exclusivo para certos grupos ou regiões. “Muita gente pensa que basquete não seria para pobre. Nem para periferia. O Oscar ensinou para a gente que é possível fazer basquete em qualquer lugar”, compartilhou o treinador. Esse ensinamento reforça a essência do projeto, que vai além de formar atletas. O objetivo primordial do Projeto Oscar Schmidt Basquete sempre foi moldar indivíduos, preparar cidadãos com valores e princípios, contribuindo para suas formações acadêmicas e profissionais. Ex-alunos do programa hoje atuam como profissionais de educação física, medicina e em diversas outras carreiras, mantendo contato contínuo com a equipe.

O professor Costa ressaltou ainda o impacto transformador da presença do clube na comunidade local. A área que antes era apenas uma periferia comum, hoje é reconhecida como um ponto de referência esportiva, promovendo inclusão e oportunidades. Ele enfatiza que o verdadeiro papel do profissional de educação física reside em educar as crianças através do esporte, incutindo valores como responsabilidade e disciplina. Acreditando firmemente que o esporte possui essa capacidade instrutiva e transformadora. Para saber mais sobre o impacto cultural e esportivo de figuras como Oscar Schmidt, o legado de Oscar Schmidt no basquete brasileiro é vasto e reverenciado por gerações de atletas e admiradores. Conhecer a fundo sua trajetória pode-se aprofundar a apreciação por seu papel. (Fonte: Wikipedia)

Emoção no Pódio e Horizontes Internacionais

No pódio, a emoção tomou conta, e Hugo Costa fez questão de relembrar os dias intensos de treino, o tempo dedicado longe de suas famílias e a magnitude de seu papel como educador. “Eu disse aos meninos que eles nunca mais vão esquecer esse momento. Vão passar aos filhos deles”, pontuou o treinador. Entre os jovens campeões, estava Rafael Cardozo, de 17 anos, estudante do terceiro ano do ensino médio. Ao subir no pódio, seu pensamento inicial foi para sua mãe, que o cria, junto com seu irmão mais novo, sozinha. Após o apito final, sua prioridade foi avisá-la, expressando gratidão por todo o suporte. Ele abraçou seu professor, manifestando também sua gratidão. Com planos de cursar gestão hospitalar, Rafael almeja, além dos estudos, manter o basquete em sua vida, visando alcançar o “topo” através de muito trabalho e dedicação.

A notícia do falecimento de Oscar Schmidt tocou profundamente o jovem atleta, que reconheceu a importância do ídolo tanto para o Brasil quanto para o desenvolvimento de seu próprio projeto. Samuel Menezes, também de 17 anos e pivô do time, que foi o cestinha da partida com impressionantes 30 pontos, compartilhou dessa comoção. Ele, que também está no terceiro ano do ensino médio, almeja ingressar no curso superior de educação física, desejando permanecer no universo esportivo. No pódio, com a medalha no peito, Samuel abraçou cada um dos colegas, recordando os treinos diários e o esforço conjunto. Após ligar para seus pais – sua mãe, dona de casa, e seu pai, ourives –, ele relembrou a morte do ídolo e seu hábito de assistir a antigos jogos de Oscar pela internet.

“Só temos a agradecer a ele. Hoje eu fui o Mão Santa do meu time”, brincou Samuel, com um sorriso. Após a vitória suada e o mix de emoções intensas, a quadra se encheu de alegria. O silêncio da tensão pré-jogo deu lugar a sorrisos contagiantes, celebrando não apenas uma vitória no esporte, mas o legado de um ídolo e a força de um projeto que transforma vidas.

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O triunfo do Projeto Oscar Schmidt Basquete no Jebs sub-18 não é apenas um marco esportivo, mas um testemunho do poder transformador do basquete e do impacto duradouro de uma lenda como Oscar Schmidt. Essa conquista pavimenta o caminho para a equipe de Ponta Porã representar o Brasil em um cenário mundial. Para mais novidades e análises do mundo esportivo, explore nossa seção de Esporte e mantenha-se atualizado com as últimas histórias que inspiram e celebram o poder do esporte.

Crédito da Imagem: PorãBask/Instagram e Valter Campanato/Agência Brasil

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