Um incremento alarmante no número de pacientes transferidos para o Instituto Nacional de Traumatologia e Ortopedia (Into) devido a quedas acende um alerta crucial sobre a prevenção de quedas, principalmente na população idosa. O período entre janeiro e maio deste ano registrou uma elevação de quase 50% nesses atendimentos em comparação com o mesmo recorte de 2022. Ao todo, 258 pessoas foram admitidas nesses cinco meses, configurando mais da metade dos casos de trauma recebidos pela unidade.
Esses dados estatísticos evidenciam que as quedas representam uma das causas mais prevalentes de lesões ortopédicas de alto impacto. Tal constatação ganha ainda mais relevância com a observância do Dia Mundial de Prevenção de Quedas, comemorado anualmente em 24 de maio. Esta data, instituída pela Organização Mundial da Saúde (OMS) e incorporada ao calendário do Ministério da Saúde, serve como um lembrete fundamental da necessidade de conscientização e ações preventivas.
Como hospital federal de referência em complexidade, o Into atende exclusivamente pacientes que demandam cuidados especializados. Por essa razão, todos os casos de queda requeriam, no mínimo, uma avaliação aprofundada para determinar a necessidade de intervenção cirúrgica, procedimento que se mostrou essencial para a grande maioria desses pacientes.
Prevenção de Quedas: Alerta para Idosos e Crescimento no Into
O aumento da longevidade populacional é um fator determinante para a compreensão dessa tendência ascendente, conforme ressalta Tito Rocha, chefe do Centro de Trauma do Into. A predominância dos atendimentos em idosos é marcante: mais de 70% dos pacientes hospitalizados tinham 60 anos ou mais. Rocha enfatiza que “a falta do equilíbrio, a diminuição da força, a perda da acuidade visual, tudo isso vem com a idade”. Com o significativo crescimento da longevidade nas últimas duas décadas, o número de desafios de saúde inerentes à idade também se eleva proporcionalmente.
Outro indicador dos registros do Into corrobora o profundo impacto do envelhecimento: a maioria dos indivíduos atendidos caiu da própria altura. Esses episódios geralmente ocorrem em decorrência de algum desequilíbrio durante a rotina diária. Para os idosos, contudo, mesmo acidentes aparentemente triviais podem acarretar sérias implicações. “O jovem, quando cai de própria altura, geralmente sacode a poeira e dá a volta por cima. O idoso não. Ele não consegue nem se levantar e normalmente faz uma fratura que precisa de algum tratamento cirúrgico ou que ele fique acamado”, explica o especialista.
As intervenções médicas, embora necessárias para recuperação, podem expor os idosos a riscos adicionais. Um idoso hospitalizado está mais suscetível a complicações como pneumonia ou infecção urinária. As estatísticas são alarmantes: a mortalidade associada a fraturas em idosos é significativamente elevada nos primeiros 30 dias pós-queda e pode atingir de 20% a 30% em até um ano.
Medidas Cruciais de Prevenção
Para mitigar esses riscos, Tito Rocha aponta duas frentes de ação preventivas essenciais. A primeira envolve o autocuidado com o corpo, por meio da prática regular de exercícios físicos, que ajudam a preservar a massa muscular, e do tratamento adequado da osteoporose, condição que fragiliza os ossos. “Uma pessoa que já não consegue levantar sozinha de uma cadeira, se ela cai e quebra um osso, ela vai ter uma recuperação bem mais difícil, porque ela já não tinha força óssea e muscular antes”, exemplifica Rocha, destacando a importância de fortalecer o corpo preventivamente.

Imagem: agenciabrasil.ebc.com.br
A segunda medida foca na adaptação do ambiente domiciliar para oferecer maior segurança aos idosos. Recomendações práticas incluem a instalação de barras de apoio em banheiros, a remoção de tapetes soltos que podem causar tropeços, a utilização de calçados antiderrapantes e o cuidado com animais domésticos, que por vezes se entrelaçam nas pernas dos tutores. Essas ações simples, quando implementadas, criam um espaço mais seguro e minimizam as chances de quedas inesperadas.
Embora o envelhecimento da população apresente seus desafios, o chefe do Centro de Trauma do Into enfatiza que este não deve ser encarado como um fenômeno negativo. Atualmente, as pessoas atingem idades avançadas mantendo um nível de atividade e engajamento significativamente maior do que no passado. “Chegar aos 90 anos é ótimo, mas tem um preço”, adverte Rocha, complementando que esses indivíduos podem apresentar maior incidência de comorbidades, fragilidade e déficits cognitivos, fatores que naturalmente aumentam a vulnerabilidade a quedas e suas consequências.
A conscientização sobre a prevenção de quedas e a adoção de estratégias proativas são fundamentais para assegurar que o aumento da longevidade seja acompanhado de qualidade de vida e segurança para os nossos idosos. A iniciativa de datas como o Dia Mundial de Prevenção de Quedas reforça a urgência de uma abordagem abrangente, envolvendo cuidados pessoais, adaptação de ambientes e políticas de saúde pública focadas no bem-estar da terceira idade. Para mais informações sobre as estratégias do governo na prevenção de quedas e cuidados com o idoso, consulte o portal oficial do Ministério da Saúde.
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A complexidade e o impacto das quedas em idosos, como detalhado pelos especialistas do Into, demandam atenção contínua e esforços preventivos em múltiplas frentes. Manter-se informado sobre esses desafios e as soluções propostas é essencial para promover um envelhecimento saudável e seguro. Continue acompanhando a nossa editoria de Cidades para mais análises e notícias relevantes sobre saúde pública e bem-estar em sua região.
Crédito da imagem: Agência Brasil.



