PF Investiga Projeto de Mario Frias com Emenda sem Execução

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A Polícia Federal (PF) deflagrou nesta quinta-feira, 10 de setembro de 2026, a Operação Make Up para investigar suspeitas de desvio de verbas públicas. O centro da apuração envolve um projeto de Mario Frias financiado por emenda parlamentar que teria sido direcionado a entidades sem comprovação de sua completa execução. Autorizada pelo ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), a ação resultou no cumprimento de 49 mandados de busca e apreensão em diversos estados, incluindo São Paulo, Rio de Janeiro, Ceará e Distrito Federal.

O deputado federal Mario Frias (PL-SP) foi alvo de uma dessas medidas em sua residência, onde equipamentos eletrônicos foram apreendidos pelas autoridades. A investigação foca, em grande parte, nos repasses de emendas parlamentares feitos pelo deputado ao Instituto Conhecer Brasil (ICB), uma entidade que recebeu um total de R$ 2 milhões em verbas. A presidente do ICB, Karina Gama, também foi um dos alvos da operação. Ela é produtora do filme “Dark Horse”, uma cinebiografia sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro.

PF Investiga Projeto de Mario Frias com Emenda sem Execução

De acordo com a decisão de Flávio Dino, cujo sigilo foi levantado, uma das iniciativas custeadas pelas emendas do parlamentar não teve a devida execução. Este projeto, intitulado “Jovem Empreendedor” e orçado em R$ 1 milhão, tinha como objetivo capacitar 250 multiplicadores e alcançar 2.250 estudantes na região de Pirassununga, interior de São Paulo. Contudo, a Controladoria-Geral da União (CGU) constatou o descumprimento dessas metas. Posteriormente, o Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI) reprovou a prestação de contas, alegando a frustração do objeto pactuado.

Outro empreendimento financiado por uma emenda de Mario Frias, também no valor de R$ 1 milhão, o projeto “Lutando pela Vida”, igualmente apresentou falhas em sua concretização. A CGU, embora tenha identificado evidências da realização de algumas atividades esportivas, considerou as provas insuficientes para atestar a execução integral da iniciativa, que previa atender 500 beneficiários. Além disso, foram apontadas irregularidades na documentação comprobatória da entrega de materiais e na efetiva prestação de serviços pagos com os recursos públicos.

A Intrincada Cadeia de Transferências e Conexões com o Filme “Dark Horse”

Durante a apuração, a Polícia Federal identificou uma complexa cadeia de transferências financeiras entre empresas associadas ao Instituto Conhecer Brasil (ICB) e a produtora responsável pelo filme “Dark Horse”. Embora a PF ainda não tenha concluído se esses valores repassados à produtora tiveram origem direta nas emendas parlamentares, a investigação detalhou os movimentos. No início de 2025, cerca de R$ 700 mil, provenientes dos recursos recebidos pelo ICB a partir das emendas de Frias, foram transferidos para empresas ligadas ao grupo de Heric Dias, empresário que também figura entre os alvos da operação. Especificamente, R$ 400 mil foram direcionados à Dinâmica Editora e R$ 300 mil ao Instituto Super Poder Educacional, ambos no âmbito do projeto “Jovem Empreendedor”.

Posteriormente, no final de 2025, no contexto da produção de “Dark Horse”, a NTT Brasil, outra empresa pertencente ao mesmo grupo de Heric Dias, realizou uma transferência de R$ 750 mil para a Go Up Entertainment, a produtora do filme. As autoridades agora buscam desvendar se os recursos públicos transitaram por essa série de operações até chegar, de alguma forma, à produção cinematográfica.

Outros Fatos Sob Análise da Polícia Federal

Além das emendas e das cadeias de repasse, a investigação revelou uma transferência de R$ 645,4 mil realizada diretamente por Mario Frias de sua conta pessoal para a Go Up Entertainment durante o período de filmagens. A PF levanta questionamentos sobre a compatibilidade desses repasses com os rendimentos declarados pelo deputado, cujo salário de parlamentar é de R$ 44.008,52 mensais. Essa movimentação, de grande vulto para o orçamento de um deputado, é um dos pontos-chave da apuração sobre a origem e destinação dos fundos.

No mês de novembro do ano passado, a Go Up Entertainment, produtora do filme “Dark Horse”, movimentou uma quantia expressiva, cerca de R$ 19 milhões. Grande parte dessas despesas foi registrada durante as filmagens da produção, com R$ 906,8 mil gastos no Hotel Unique e R$ 653,2 mil destinados a serviços de alimentação, além de outros pagamentos a produtoras audiovisuais. Essas informações detalhadas constam na decisão de 150 páginas de Flávio Dino que teve seu sigilo levantado, conferindo transparência aos fatos apurados.

A investigação também estendeu o seu foco para outras emendas parlamentares, que totalizam R$ 1,15 milhão, e foram destinadas pelos deputados Marcos Pollon (PL-MS) e Bia Kicis (PL-DF) à Academia Nacional de Cultura (ANC). Curiosamente, essa entidade também é presidida por Karina Gama, a mesma gestora do ICB. Conforme indicado na decisão judicial, estas emendas não apresentaram qualquer execução financeira comprovada, levantando novas indagações sobre a utilização dos recursos.

A Defesa do Deputado Mario Frias

Em um vídeo publicado em suas redes sociais, o deputado Mario Frias apresentou sua defesa contra as acusações. Ele argumentou que a investigação gira em torno de uma emenda parlamentar de R$ 2 milhões, verba que, segundo ele, foi destinada para apoiar um projeto esportivo e outro de letramento digital, com o intuito de oferecer oportunidades e desenvolvimento intelectual a crianças, jovens e adolescentes em situação de vulnerabilidade. Frias enfatizou que se trata de uma “emenda pública, registrada, transparente, que qualquer um pode consultar no Portal da Transparência”, buscando ressaltar a legalidade e publicidade dos fundos.

O parlamentar também expressou sua insatisfação por não ter tido acesso prévio aos detalhes da investigação, declarando: “Como é que pode-se defender de alguma acusação sem ler? A gente descobre o que estão dizendo pelo jornal, no mesmo dia em que sua porta é arrombada”. Frias confirmou que agentes da PF apreenderam seus aparelhos de telefone e computador. Adicionalmente, criticou a Operação Make Up, apontando que emendas não são recursos que transitam pelas mãos do parlamentar, mas sim verbas que são transferidas diretamente do Tesouro para o órgão executor, que por sua vez aprova o plano de trabalho e fiscaliza a prestação de contas. Para o deputado, se há questões da CGU, estas deveriam ser resolvidas “com documento, não com operação em ano de eleição”, caracterizando a ação como uma “cortina de fumaça”. Contudo, Frias não abordou a transferência de R$ 645 mil de sua conta pessoal para a produtora do filme.

Restrições Impostas e Desdobramentos da Investigação

Na mesma decisão que autorizou a Operação Make Up, o ministro Flávio Dino também impôs uma série de restrições ao deputado Mario Frias. Entre elas, estão a proibição de deixar o país e de se comunicar com outros indivíduos investigados no inquérito. Tais medidas visam garantir a integridade da apuração e evitar qualquer interferência ou ocultação de informações relevantes para a Polícia Federal e o Supremo Tribunal Federal.

Até o momento da publicação desta reportagem, a equipe não obteve um posicionamento oficial da produtora Karina Gama ou do empresário Heric Dias em relação às alegações e desdobramentos da investigação da PF.

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A investigação em torno do projeto pago com emenda de Mario Frias e sua conexão com a Operação Make Up evidencia a importância da fiscalização de recursos públicos e a transparência na destinação de verbas parlamentares. Casos como este, que mobilizam órgãos como a Polícia Federal, o STF e a CGU, reiteram a vigilância sobre a correta aplicação dos fundos que visam beneficiar a sociedade. Para acompanhar todos os desdobramentos desta e de outras apurações no cenário político brasileiro, continue navegando por nossa editoria de Política.

Crédito da imagem: Marcello Casal Jr/Agência Brasil

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