Passarela para Animais no Aeroporto BH Salva Fauna Silvestre

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A implantação de uma passarela para animais no Aeroporto BH tem se mostrado uma solução eficaz para a preservação da fauna silvestre local, mitigando riscos de atropelamento e fomentando a biodiversidade regional. Localizada sob a movimentada rodovia LMG-800, que dá acesso ao Aeroporto Internacional de Belo Horizonte, essa estrutura subterrânea garante um trajeto seguro para diversas espécies.

Com impressionantes 60 metros de comprimento e dois metros de altura, a passarela atua como um corredor ecológico vital. Monitoramentos recentes, utilizando armadilhas fotográficas, revelaram um dado alarmante: nos primeiros dois anos de funcionamento, houve uma expressiva redução de 83% no número de atropelamentos, demonstrando o sucesso da iniciativa. Desde 2023, 16 espécies de animais silvestres, algumas delas ameaçadas ou vulneráveis à extinção, já foram registradas fazendo uso do túnel, evidenciando a sua importância ecológica.

Passarela para Animais no Aeroporto BH Salva Fauna Silvestre

A passarela é um instrumento crucial na conservação ambiental, oferecendo um refúgio para a fauna transitar sem perigos entre fragmentos de vegetação. Entre os visitantes habituais do corredor estão a jaguatirica, o tamanduá-mirim, o veado-catingueiro, a capivara, a paca e o quati. A passagem não só reduz significativamente os acidentes na rodovia, como também desempenha um papel fundamental na manutenção dos ecossistemas circundantes, interligando áreas de Mata Atlântica e Cerrado.

Importância Vital para a Biodiversidade Regional

A estrutura transcende a simples redução de atropelamentos. Ela é um elo crucial para a garantia da variabilidade genética de grupos de animais da mesma espécie. Ao permitir o encontro e a reprodução entre populações distintas, a passarela evita a endogamia, assegurando a saúde e a resiliência das espécies a longo prazo. Além disso, facilita a busca por alimentos e parceiros, um aspecto essencial para a sobrevivência das populações de animais em habitats fragmentados. O biólogo e analista de sustentabilidade do BH Airport, Evandro Amato, ressalta que essa circulação segura é uma condição indispensável para a conservação tanto da fauna quanto da flora locais, que dependem diretamente dessas interações para dispersão de sementes e controle de espécies.

Amato ainda enfatiza que a presença e a circulação de animais de médio e grande porte nessas áreas são um indicativo direto da boa conservação dos biomas Mata Atlântica e Cerrado. A existência desses animais demonstra um certo grau de preservação, já que eles são sensíveis a alterações ambientais e dependem de um ecossistema equilibrado para sobreviver. Eles contribuem com processos ecológicos vitais, como a polinização, a dispersão de sementes e o controle de populações de outras espécies, fortalecendo a flora e a resiliência dos biomas. Essa conexão, facilitada pela passarela, assegura que essas importantes funções ambientais continuem ativas, contribuindo significativamente para a biodiversidade regional e para a proteção de espécies, algumas das quais figuram na lista de animais ameaçados do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio).

A Adaptação dos Animais à Estrutura

O processo de utilização da passarela pelos animais ocorre de forma natural e instintiva, guiado pela segurança que a estrutura oferece. Conforme explicado pelo biólogo Evandro Amato, as entradas e saídas do túnel estão estrategicamente localizadas dentro dos biomas, e uma grade ao longo da rodovia impede que os animais acessem diretamente as pistas, direcionando-os para a passagem subterrânea. Embora alguns indivíduos mais arrojados possam eventualmente transpor a cerca, a maioria é eficazmente conduzida à passarela.

A eficácia da passarela reside na sua percepção de segurança pelos animais. Ao transitarem pela estrutura sem a presença de veículos ou humanos, eles compreendem que é um caminho livre de riscos. Esse conhecimento é então transmitido dentro dos grupos, um fenômeno comum na fauna silvestre onde experiências de perigo (como atropelamentos presenciados) e segurança são aprendidas coletivamente, estabelecendo rotas seguras para toda a comunidade animal. A adaptação, portanto, é um processo orgânico, construído pela experiência positiva e repassado através de gerações de animais que encontram no túnel um porto seguro.

Passarela para Animais no Aeroporto BH Salva Fauna Silvestre - Imagem do artigo original

Imagem: g1.globo.com

Construção e Manutenção da Passagem

A passarela foi edificada em 2014, durante um período de importantes obras de duplicação e revitalização da infraestrutura do Aeroporto Internacional de Belo Horizonte, preparatórias para atender às demandas da Copa do Mundo realizada no Brasil. A partir do momento em que a BHAirport assumiu a gestão do complexo aeroportuário, a responsabilidade pela manutenção e monitoramento dessa infraestrutura crucial para a fauna silvestre passou a ser da concessionária.

A contínua supervisão e os relatórios gerados a partir do monitoramento por armadilhas fotográficas evidenciam o compromisso da BHAirport com a proteção da biodiversidade. Emerson Chaves, gestor de Infraestrutura e Meio Ambiente do BH Airport, reforça que o percentual de 83% na redução de atropelamentos é um feito notável, especialmente quando se considera que muitas das espécies beneficiadas estão classificadas como ameaçadas ou vulneráveis à extinção. A parceria com a Área de Proteção Ambiental (APA) Carste de Lagoa Santa, através do compartilhamento de dados e pesquisas, reforça o papel ativo do aeroporto na conservação ambiental, fornecendo subsídios para estudos científicos e gestão da reserva.

Localização Estratégica na Transição de Biomas

A posição geográfica da passarela subterrânea é de grande relevância ambiental, situada em uma área de transição entre dois importantes biomas brasileiros: a Mata Atlântica e o Cerrado. Esta localidade, por si só, já abriga uma rica diversidade biológica. A região sob gestão do aeroporto compreende uma vasta área dedicada à preservação, totalizando 310 hectares de Reserva Legal (RL), cerca de 790 hectares de remanescente de vegetação nativa e 97 hectares classificados como Área de Preservação Permanente (APP).

  • Reserva Legal (RL): Constitui uma porção do imóvel rural que o proprietário deve manter com cobertura de vegetação nativa, com a finalidade de assegurar o uso econômico sustentável dos recursos naturais do imóvel rural, auxiliar a conservação e a reabilitação dos processos ecológicos e promover a conservação da biodiversidade, bem como o abrigo e proteção de fauna silvestre e flora nativa.
  • Área de Preservação Permanente (APP): É uma área protegida pela legislação ambiental brasileira, que tem a função ambiental de preservar os recursos hídricos, a paisagem, a estabilidade geológica e a biodiversidade, facilitar o fluxo gênico de fauna e flora, proteger o solo e assegurar o bem-estar das populações humanas. Possui regime de proteção mais rigoroso, geralmente intocável.
  • Remanescente de vegetação nativa: Refere-se a trechos da vegetação original de um ecossistema que permaneceram preservados ou se recuperaram naturalmente após algum tipo de intervenção, podendo estar inseridos ou não em áreas de Reserva Legal ou Preservação Permanente.
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A existência dessa infraestrutura inovadora sublinha o potencial da conciliação entre desenvolvimento e sustentabilidade. Ao integrar soluções que protegem a vida selvagem, o Aeroporto de Belo Horizonte estabelece um modelo de gestão que beneficia tanto o tráfego aéreo quanto a rica biodiversidade do entorno. Fique por dentro de outras iniciativas de conservação e novidades em nossa editoria de notícias sobre Cidades, e descubra como a inovação local transforma nosso país.

Crédito da imagem: BHAirport

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