O primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, reiterou sua firme objeção ao plano mais recente proposto por Donald Trump para a Faixa de Gaza. A declaração foi feita publicamente durante uma reunião com seu governo de direita no domingo (9). Em contraste com a postura de Netanyahu, as forças militares israelenses diminuíram notavelmente a intensidade de seus ataques no território palestino, em resposta direta à pressão exercida pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. Este cenário se desenrola enquanto Netanyahu enfrenta desafios nas pesquisas de opinião, preparando-se para a disputa pela reeleição em 27 de outubro, equilibrando-se entre as demandas de seus ministros de extrema direita, que se opõem veementemente a qualquer concessão em Gaza, e seu principal aliado internacional, Trump, que busca ativamente o fim do conflito através de um novo roteiro de 15 pontos.
A diminuição das operações militares de Israel em Gaza teve início na segunda-feira (3), após um encontro entre Nikolay Mladenov, enviado de Trump para o território e membro do Conselho de Paz responsável por supervisionar o cessar-fogo, e o próprio primeiro-ministro israelense. De acordo com uma fonte familiarizada com a posição de Israel, o país aceitou limitar suas ações militares a ameaças consideradas imediatas, abstendo-se de novos assassinatos seletivos, prática que vinha sendo realizada quase diariamente. No domingo, Mladenov confirmou que as discussões em torno do novo roteiro de paz estão em andamento.
Netanyahu Rejeita Plano Trump e Exige Desarmamento do Hamas
O plano para a resolução do conflito, que Donald Trump havia anunciado no mês anterior como um avanço significativo, previa a retirada das forças israelenses e o desarmamento completo do grupo palestino Hamas. A proposta também contemplava a criação de uma Força Internacional de Estabilização, que cooperaria com uma nova força policial palestina para garantir a segurança da região. No entanto, as negociações rapidamente esbarraram em impasses, particularmente no que diz respeito ao cronograma para a implementação das medidas. Netanyahu declarou, no início de sua reunião com os ministros, que Israel não aceita o documento de 15 pontos. Ele enfatizou categoricamente que os militares israelenses não efetuarão nenhuma retirada até que o Hamas esteja desarmado, “e isso significa armamento pesado, armamento leve, todo tipo de armamento”, sublinhou. O líder israelense havia feito declarações similares em suas redes sociais na terça-feira (4), e autoridades do país afirmaram que suas objeções foram comunicadas a Washington. Netanyahu acrescentou que Israel continua em diálogo com os Estados Unidos sobre a proposta. “Eles (os EUA) têm ideias, algumas aceitáveis para nós e outras inaceitáveis, e sabemos como nos posicionar firmemente contra elas”, disse.
Em uma entrevista ao canal de notícias israelense N12, Nikolay Mladenov explicou que Israel terá que se retirar gradualmente, setor por setor, conforme as armas do Hamas forem confiscadas e inutilizadas. Por sua vez, Basem Naim, um alto funcionário do Hamas, informou à agência Reuters no domingo que o grupo permanece comprometido com o roteiro que foi acordado no Cairo há dez dias. “Esperamos que os mediadores e os Estados Unidos pressionem Netanyahu e seu governo a cumprir o roteiro e não obstruir o processo por razões políticas e eleitorais internas”, declarou Naim.
A postura intransigente de Netanyahu foi elogiada por Bezalel Smotrich, ministro das Finanças e membro da ala de extrema direita do governo. Em um comunicado, Smotrich afirmou: “Fomos à guerra com um objetivo central: a destruição do Hamas. Os militares não podem recuar nem um milímetro da Faixa de Gaza”. Donald Trump havia afirmado, no mês anterior, que o Hamas – um grupo apoiado pelo Irã, que governou Gaza por quase duas décadas antes de perpetrar o ataque de 7 de outubro de 2023 contra Israel, desencadeando a guerra – havia concordado em depor as armas.
No entanto, o Hamas adota uma perspectiva diferente, evitando o termo “desarmamento”. O grupo declara ter concordado em entregar suas armas para que fossem armazenadas sob a administração de uma gestão tecnocrata palestina, que seria apoiada pelos Estados Unidos e administraria Gaza sob a supervisão do Conselho de Paz de Trump. O Hamas justifica sua aceitação do plano como uma tentativa de evitar a retomada da guerra, mas ressalta que a implementação desse acordo está condicionada ao cumprimento prévio, por parte de Israel, de seus próprios compromissos, que incluem a retirada das tropas e a suspensão dos ataques.

Imagem: Ronen Zvulun via valor.globo.com
Antes da interrupção dos ataques direcionados na semana passada, Israel havia prometido continuar a perseguir os militantes que estiveram envolvidos no ataque de outubro de 2023. Desde a formalização do cessar-fogo mediado pelos Estados Unidos, ocorrido em outubro de 2025, mais de 1.250 pessoas foram mortas em ofensivas israelenses, sendo a maioria delas civis, conforme informações divulgadas por autoridades de saúde de Gaza. O Hamas, no entanto, não divulgou números de combatentes mortos. Durante o mesmo período, quatro soldados israelenses perderam a vida em Gaza. As forças israelenses ocupam e mantêm desocupadas cerca de dois terços do enclave, confinando a quase totalidade dos mais de 2 milhões de habitantes a uma pequena faixa de terra sob controle do Hamas, na costa, onde a maioria reside em tendas improvisadas ou edifícios danificados.
A tensão na região continua elevada, com o primeiro-ministro Netanyahu mantendo sua posição inflexível quanto à exigência do desarmamento do Hamas como pré-condição para qualquer retirada militar, confrontando as propostas de Donald Trump e as pressões políticas internas e externas. Os próximos passos das negociações serão cruciais para o futuro do conflito em Gaza, influenciados pelas próximas eleições em Israel e pela dinâmica das relações internacionais.
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Este artigo detalhou a rejeição do primeiro-ministro Benjamin Netanyahu ao plano de paz de Trump e suas exigências de desarmamento do Hamas em Gaza, abordando as complexas dinâmicas políticas e militares. Para continuar acompanhando as últimas notícias sobre política internacional e análises aprofundadas, visite nossa editoria de Política.
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