O cenário para a mulher preta em postos de decisão ganhou destaque em um encontro crucial realizado na capital fluminense. No dia 21 de julho de 2026, segunda-feira, o Museu de Arte do Rio (MAR) sediou o segundo dia do prestigiado Festival Pacto das Pretas, que atinge sua quinta edição neste ano. O evento, promovido pelo Pacto de Promoção da Equidade Racial (PER), desenrola-se em três etapas estratégicas: a primeira ocorreu em Salvador na sexta-feira, dia 17, e a terceira e última fase será em São Paulo, na próxima sexta, dia 24.
A iniciativa, ao longo de seus três dias de programação intensa, reúne aproximadamente 1,5 mil líderes de diversas esferas. O foco principal reside no aprofundamento de temas como governança corporativa e a vital questão da diversidade, sob a inspiradora premissa “Movimento: Mulheres Negras Criando”. Esta série de encontros solidifica um espaço essencial para o avanço do diálogo e da prática em relação ao papel da mulher negra no ambiente profissional e de poder.
Mulher Preta em Postos de Decisão é Pauta Central no Rio
Como plataforma nacional dedicada ao impacto socioeconômico, o Pacto de Promoção da Equidade Racial orquestra e lidera esta agenda transformadora, contando com o apoio substancial de grandes corporações como Aegea, Caixa Capitalização, Banco do Brasil, Vivo, XP inc e Natura. A relevância do PER é ainda mais amplificada por sua atuação na implementação do Protocolo ESG Racial em nível nacional, engajando 85 empresas signatárias em um compromisso firme com a equidade e inclusão.
Wânia Sant’Anna, historiadora e presidente do Conselho Deliberativo do Pacto de Promoção da Equidade Racial, enfatizou a urgência e a importância do debate sobre a ascensão e consolidação das mulheres negras como verdadeiras tomadoras de decisões estratégicas. Para ela, esse movimento deve se refletir diretamente nos setores da economia e da tecnologia, desmistificando barreiras históricas e sociais. Em entrevista à Agência Brasil, Sant’Anna reiterou que o festival foi concebido especificamente para apresentar “a visão, a opinião e a prática de mulheres negras que têm atuado no terreno do trabalho”, desviando de abordagens tradicionais de saúde ou educação para focar na empregabilidade, empreendedorismo, economia e empoderamento feminino negro.
A discussão não ignora os profundos processos discriminatórios que frequentemente negam oportunidades ou minimizam as contribuições de profissionais negras nas corporações, um ponto crucial ressaltado por Wânia Sant’Anna para desmistificar o que o festival pretende enfrentar. Sua análise contextualiza os obstáculos persistentes, reiterando que a promoção da mulher preta em postos de decisão é uma resposta direta a essas desigualdades históricas.
Impulso à Liderança Feminina Negra e o Antirracismo Corporativo
A escritora e comunicadora Luna Vitrolira, presente no encontro carioca, reforçou a ideia de que a liderança feminina negra raramente se manifesta de forma isolada. Conforme suas palavras, ditas à Agência Brasil, “ela abre caminhos, compartilha oportunidades e inspira outras mulheres a acreditarem que também podem ocupar espaços de poder e decisão”. Vitrolira destacou que incentivar essa liderança representa um investimento concreto em um futuro mais equitativo, próspero e, fundamentalmente, mais representativo para todos os segmentos da sociedade brasileira.
Um dos lançamentos de maior destaque desta edição é a Plataforma Black Hub, inaugurada em 17 de junho, em São Paulo. Essa inovadora iniciativa é um ecossistema digital que visa promover educação antirracista, enriquecimento cultural e aceleração profissional. Sua viabilização foi possível graças à Lei Rouanet e a investimentos cruciais de marcas como Banco Itaú, Caixa Capitalização, Bayer e Fujifilm. A Black Hub exemplifica a sinergia entre setor privado e políticas culturais na promoção da equidade racial no Brasil.
Dentro do universo da Plataforma Black Hub, há a interação com projetos notáveis como a Cartilha ESG Racial. Desenvolvida em colaboração com o Grupo de Institutos, Fundações e Empresas (Gife), a cartilha visa fortalecer a filantropia e o investimento social no país. Essa publicação estratégica oferece diretrizes claras e indicadores práticos para que o setor corporativo possa integrar de forma eficiente a pauta antirracista em suas rotinas de gestão, governança e impacto social, conforme a organização do evento. É uma ferramenta fundamental para as empresas que buscam realmente apoiar a mulher preta em postos de decisão.
Outro documento relevante é a Cartilha de Enfrentamento à Violência, liderada por Wania Sant’Anna e desenvolvida em parceria com o escritório Daniel Law, que também é signatário do Pacto de Promoção da Equidade Racial. O guia apresenta um conjunto de recomendações, diretrizes, referências legais e orientações práticas para auxiliar as empresas na prevenção, sensibilização e na edificação de uma cultura corporativa que efetivamente proteja as mulheres contra a violência e a discriminação.
No campo das artes e cultura, o livro “Vozes que Ocupam” merece atenção especial. A obra compila 16 crônicas inéditas, todas escritas por proeminentes lideranças negras do meio cultural, da comunicação e da educação. Entre os renomados autores e autoras que contribuíram para o livro estão Djamila Ribeiro, Rodrigo França, Érica Januza, Diogo Almeida, Dom Filó, Pedro Rajão e Isabel Fillardis, demonstrando a potência intelectual e criativa da comunidade negra.

Imagem: agenciabrasil.ebc.com.br
Reconhecimento, Conexões e o Dia da Mulher Negra Latino-americana e Caribenha
Wânia Sant’Anna enfatizou a relevância simbólica do evento acontecer no mês de julho, período em que se celebra o Dia Internacional da Mulher Negra Latino-Americana e Caribenha, comemorado em 25 de julho. A data agrega um significado especial aos debates sobre a promoção da equidade racial e a liderança feminina negra. Para a historiadora, “Nada melhor que falar sobre isso na semana do 25 de julho”, destacando a sincronicidade dos temas.
Luna Vitrolira compartilhou sua visão sobre o festival, destacando a mensagem de que a transformação verdadeira nunca é solitária. “Eu venho do Nordeste, de Pernambuco, de uma tradição em que a palavra é encontro, é memória e também é ferramenta de mudança”, relatou a escritora. Ela frisou a potência da voz em conectar pessoas, criar pontes e abrir novos caminhos. A comunicadora também abordou como sua atuação, enquanto poeta e cerimonialista, buscou integrar a estratégia, a arte e a sensibilidade, mostrando que esses elementos não são mutuamente excludentes. “Podemos falar de negócios, liderança, inovação e desenvolvimento sem perder de vista o afeto, a poesia, a escuta”, acrescentou.
O futuro almejado pela sociedade, de acordo com Luna Vitrolira, demanda o reconhecimento da força intrínseca das mulheres negras não como uma peculiaridade, mas como uma parcela essencial do presente. Quando a mulher preta ocupa o epicentro da narrativa, há uma ampliação genuína do horizonte de possibilidades para toda a sociedade, mensagem essa que marcou sua participação no evento. O engajamento e as reações do público sublinharam a enorme demanda por espaços de discussão e conexão como o Festival Pacto das Pretas.
As participantes demonstravam um desejo palpável de expressar-se e ouvir, compartilhando vivências, forjando laços e identificando-se nas narrativas umas das outras. Vitrolira concluiu que o Pacto das Pretas é um lembrete contundente de que o desenvolvimento transcende o mero crescimento econômico, englobando também o acesso à informação, o fortalecimento de redes, a expansão de direitos e a autoconfiança para ascender e se manter em espaços de decisão, especialmente para a mulher preta em postos de decisão. Mais sobre a relevância do tema ESG para a inclusão em diversos setores pode ser consultado em portais como a Exame, que detalha os pilares da sustentabilidade corporativa.
Hub de Talentos e Aceleração Profissional
Além de ser um fórum de debates, o Festival Pacto das Pretas desempenha um papel fundamental como um polo de atração de talentos qualificados para as mais altas esferas do mercado corporativo. Este impacto é consolidado pela imersão presencial de 30 executivas que foram selecionadas para o Programa Pacto Transforma. Trata-se de uma iniciativa de alcance nacional, desenhada para identificar e capacitar profissionais seniores em diferentes regiões do Brasil, aprimorando suas competências em alta governança. O objetivo final é prepará-las estrategicamente para ocuparem assentos em conselhos administrativos e posições de C-Level, pavimentando o caminho para a ascensão da mulher preta em postos de decisão.
A participação deste seleto grupo eleva o status do festival, consolidando-o como o principal hub de networking de qualidade e de atração de talentos para posições de liderança em todo o país. A organização do evento destaca que a iniciativa conecta diretamente essa pipeline executiva de elite com diretores de sustentabilidade e CEOs de organizações parceiras, criando pontes cruciais para a diversidade no comando corporativo. Este esforço coletivo reforça o compromisso de não apenas debater, mas efetivamente promover a presença e a influência da mulher preta em postos de decisão estratégicos.
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O Festival Pacto das Pretas reafirma-se como um marco essencial na discussão e na promoção do protagonismo da mulher negra em posições de destaque. Com debates que cobrem desde a equidade racial no ambiente corporativo até o empoderamento feminino negro, o evento não só catalisa transformações sociais, mas também pavimenta o caminho para um futuro mais justo e representativo. Para continuar explorando a interseção entre sociedade e mercado de trabalho, confira mais notícias na editoria de Economia de Hora de Começar.
Crédito da imagem: Fábio Carmona/Divulgação



