Após um período de estagnação de aproximadamente cinco anos sem novas ofertas públicas iniciais (Mais de 50 Empresas Prontas para IPO Anima Mercado, Diz B3), a Bolsa de Valores do Brasil (B3) manifesta otimismo com a expectativa de que o recente processo de listagem da Compass Gás e Energia (PASS3) sirva como catalisador para outras empresas. A crença é que diversas companhias, que já percorrem o caminho para abrir seu capital, sintam-se encorajadas a concretizar a sua própria oferta na bolsa brasileira.
De acordo com Viviane Basso, vice-presidente de operações da B3, há um significativo volume de organizações que já possuem registro junto à Comissão de Valores Mobiliários (CVM), um marco crucial no preparo para a abertura de capital. “Há mais de 50 empresas com registro na CVM, que é um passo importante nessa preparação”, detalhou a executiva durante uma entrevista concedida após o tradicional “toque de campainha” que celebrou a chegada da Compass à bolsa. O registro como companhia aberta na CVM é uma exigência fundamental para empresas que buscam levantar recursos no mercado financeiro nacional.
Mais de 50 Empresas Prontas para IPO Anima Mercado, Diz B3
A B3 está atenta a esse cenário, percebendo que a concretização de operações como a da Compass tem o poder de insuflar um novo ânimo e renovar as energias entre os executivos de outras companhias que já se encontram nesse complexo processo de formalização. Embora não haja uma previsão exata se essas aberturas ocorrerão ainda em 2026 ou em um horizonte temporal mais amplo, a VP da B3 ressalta que o movimento atual já proporciona uma atmosfera diferente no ambiente de negócios brasileiro. Esta dinâmica é percebida como um termômetro da força do mercado de capitais para fomentar o financiamento da indústria nacional e do crescimento econômico do país.
A recente oferta inicial da Compass confirmou seu preço em R$ 28 por ação, marcando um evento de destaque. Durante seu discurso proferido momentos antes da cerimônia do toque de campainha, a diretora Viviane Basso enfatizou que este momento ilustra, de forma prática, a capacidade e resiliência do mercado de capitais brasileiro em prover o suporte financeiro necessário para a expansão da indústria local. Um elemento adicional que demonstrou a confiança e o potencial do mercado nacional foi a notável presença de capital estrangeiro na operação, um indicativo claro do interesse global no Brasil.
A jornada da Compass rumo à abertura de capital, conforme declarado pela própria companhia, teve início em 2020, abarcando desde fases meramente organizacionais até os procedimentos formais. A conexão com a B3 se intensificou, especialmente por meio do grupo Cosan (CSAN3), controlador da Compass. Essa proximidade de longa data permitiu à operadora da bolsa acompanhar de perto cada etapa do processo prévio à listagem efetiva. A relação estabelecida com grupos robustos demonstra o contínuo diálogo da B3 com empresas que se preparam para ingressar no mercado acionário.
A vice-presidente reconhece que o período recente foi desafiador para as empresas buscarem capital. “Infelizmente, como a gente tem falado, o momento de mercado acabou ficando mais complicado para as companhias acessarem”, ponderou. Contudo, ela ressalta que, desde então, a B3 tem trabalhado em conjunto com os executivos das empresas, monitorando e apoiando os desenvolvimentos em andamento. A própria Compass é um exemplo dessa perseverança; a empresa, que já figurava como uma companhia listada, preparava sua migração para o Novo Mercado, o segmento de governança corporativa mais exigente da B3, apenas aguardando o momento oportuno do mercado.
Para se aprofundar nos requisitos e regulamentações, é importante compreender o que é o registro de companhia aberta na CVM, fundamental para o acesso ao mercado de capitais. Acesse informações detalhadas sobre as normas da Comissão de Valores Mobiliários (CVM) para companhias abertas, uma leitura essencial para quem acompanha este setor.

Imagem: Camille Bocanegra via infomoney.com.br
Enquanto os anos recentes testemunharam um cenário de menor atividade para as ofertas de IPOs na B3, algumas companhias brasileiras buscaram mercados estrangeiros para sua listagem, exemplificadas por empresas como PicPay e Nubank. Em resposta a essa tendência, a B3, por meio de seus diretores, desenvolveu e implementou uma série de produtos e serviços voltados para atender às diversas e crescentes necessidades das empresas brasileiras, visando reter o interesse no mercado doméstico e oferecer soluções competitivas.
Viviane Basso destaca que a decisão sobre o mercado onde uma empresa optará por se listar está diretamente ligada tanto à sua estrutura interna quanto à sua ambição por uma presença mais internacional ou focada no mercado brasileiro. A argumentação da B3 é consistente: ao abrir capital no Brasil, as companhias não apenas acessam o robusto ecossistema de investidores locais, mas também conseguem atrair capital estrangeiro, estabelecendo uma conexão mais forte com a cultura e a história da companhia.
Um dos pontos cruciais que a diretora frequentemente elenca reside nas vantagens comparativas em termos de custos e ambiente regulatório. A complexidade e os desafios inerentes a custos e regulamentações para empresas que almejam uma listagem no exterior podem ser substancialmente maiores. “Estamos tentando que a B3 seja sim a solução mais completa para as companhias”, pontua Basso, sublinhando a importância da diversificação do portfólio de serviços para abraçar um espectro amplo de empresas, de diferentes tamanhos e setores. Ela cita que a B3 já conta com empresas de tecnologia listadas e fintechs em fase inicial de atividade, muitas delas com projeção internacional, buscando formas de atender um setor que, por vezes, olha com mais frequência para bolsas estrangeiras.
Leonardo Resende, superintendente de empresas e mercado de capitais da B3, complementa a discussão ao mencionar produtos como os Brazilian Depositary Receipts (BDRs). “Em última instância, se a companhia faz a sua listagem e IPO nos Estados Unidos, a gente consegue ter o ativo dela negociado aqui, com acesso para investidores brasileiros em linhas muito similares às ações, simultaneamente, com arbitragem e liquidez”, explica. Essa solução permite que investidores brasileiros acessem companhias listadas no exterior, via BDRs, oferecendo uma ponte entre o capital local e empresas globais, ou entre empresas brasileiras que optaram pela listagem lá fora e os seus investidores no país.
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O aquecimento da perspectiva de mais de 50 empresas prontas para IPO na B3, impulsionado pela oferta da Compass, revela um dinamismo renovado no mercado de capitais brasileiro. Este cenário otimista é reflexo de um esforço contínuo da B3 em fortalecer o ecossistema de investimento nacional, buscando atender às necessidades das empresas e atrair tanto investidores locais quanto estrangeiros. Para ficar por dentro de todas as movimentações econômicas e novidades do mercado financeiro, continue acompanhando a editoria de Economia do nosso portal.
Crédito da imagem: Divulgação/B3