O presidente Luiz Inácio Lula da Silva embarca neste domingo para a cúpula da Comunidade de Estados Latino-Americanos e Caribenhos (Celac) na Colômbia. O chefe de Estado brasileiro direcionará seus esforços diplomáticos para discussões sobre a Venezuela, buscando não apenas demonstrar solidariedade com o país vizinho, mas também para reforçar a defesa da paz na região. Esta iniciativa visa, primordialmente, evitar uma escalada de tensões que poderia envolver os Estados Unidos.
A viagem de Lula à cidade colombiana de Santa Marta, onde o encontro será sediado, representa uma mudança de planos. Inicialmente, a participação do presidente brasileiro na cúpula da Celac não estava prevista. Contudo, conselheiros próximos o persuadiram da importância de sua presença. O intuito é que o Brasil possa estabelecer um canal de interlocução para prevenir um potencial conflito iminente entre as forças do presidente venezuelano Nicolás Maduro e o ex-presidente norte-americano Donald Trump. Um confronto militar desta natureza na América do Sul seria o primeiro após um considerável período de estabilidade regional.
Lula embarca para Celac por Venezuela e paz regional
Embora o objetivo principal da reunião da Celac envolva a aproximação e fortalecimento das relações com representantes da União Europeia, o Ministério das Relações Exteriores do Brasil (Itamaraty) reconhece que a complexidade e a seriedade da situação venezuelana farão com que este tema prevaleça nos debates da cúpula. A embaixadora Gisela Padovan, secretária de América Latina e Caribe da pasta, salientou a inevitabilidade da discussão. “O tema da Venezuela será discutido. Agora, como isso aparecerá na declaração final da reunião, não tem como saber. Óbvio que o tema será discutido, porque é um tema grave da região,” detalhou Padovan.
A postura do governo brasileiro frente à Venezuela assume uma nuance particularmente delicada. Recentemente, Lula havia conseguido reativar um canal de comunicação com a presidência dos Estados Unidos para tratar de questões referentes às tarifas comerciais, o “tarifaço”. Apesar desse cenário, Celso Amorim, embaixador e assessor especial da Presidência para assuntos internacionais, descartou que a defesa do Brasil em prol da Venezuela possa prejudicar o papel moderador do Itamaraty ou comprometer as negociações comerciais com os americanos. Segundo Amorim, a prioridade é a proteção da América do Sul. “Temos que defender a América do Sul. Nós vivemos aqui. O Brasil tem fronteiras com dez países da América do Sul. É diferente,” afirmou ele a jornalistas na quinta-feira, durante a Cúpula de Líderes do Clima.
A proposição de o Brasil atuar como interlocutor entre Venezuela e outros países, especialmente os Estados Unidos, não é uma novidade na política externa brasileira. Recentemente, durante uma reunião bilateral com o então presidente Trump, ocorrida na Malásia, Lula já havia sinalizado essa disponibilidade. Historicamente, o governo brasileiro desempenhou tal papel em duas outras ocasiões envolvendo o país vizinho. A primeira intervenção diplomática relevante foi em 2003, sob a administração de Hugo Chávez, e a segunda se deu em um período mais recente, quando a Venezuela manifestou a intenção de reivindicar e controlar a região de Essequibo, um território da Guiana.
Nos círculos diplomáticos, sob condição de anonimato, experientes figuras da área revelam que a mensagem do Brasil, direcionada tanto aos americanos quanto a outras nações sul-americanas, será enfática: a soberania sobre o território da América do Sul é inegociável. Dessa forma, a análise predominante na equipe de Lula indica que tanto Brasil quanto Estados Unidos terão de aprender a coexistir com perspectivas distintas no que tange à questão venezuelana.

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Em uma declaração recente, na quarta-feira, o ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, confirmou aos jornalistas que o presidente Lula utilizará o encontro na Colômbia, entre os países caribenhos e a União Europeia, para externar “solidariedade regional” à Venezuela. Esta manifestação está diretamente ligada às recentes advertências e ameaças proferidas pelo governo americano contra a nação vizinha. “É um apoio, é uma solidariedade regional à Venezuela, tendo em vista que o presidente repetidamente já disse, e é a posição da nossa política externa, de que a América Latina e, sobretudo, a América do Sul, onde nós estamos, é uma região de paz e cooperação,” explicou Vieira. Conforme dados do Ministério das Relações Exteriores, as relações diplomáticas com países da América Latina e do Caribe são prioridade constante da política externa brasileira, reforçando o compromisso com a cooperação e a solução pacífica de disputas.
A preocupação do Brasil com o desenvolvimento da crise na Venezuela intensificou-se após a recente movimentação militar dos Estados Unidos no Mar do Caribe. O governo do ex-presidente Donald Trump tem justificado suas ações com a alegação de combate ao narcotráfico, ao mesmo tempo em que considera abertamente a possibilidade de uma intervenção militar terrestre em território venezuelano. Coincidentemente, em um contexto paralelo a este cenário complexo, autoridades brasileiras têm uma viagem agendada para Washington, capital norte-americana, nos próximos dias. Embora o foco principal desta comitiva seja outro — as sensíveis negociações sobre as sanções comerciais americanas que afetam produtos brasileiros —, a pauta adiciona mais uma camada de preocupação às relações bilaterais.
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A diplomacia brasileira, liderada pelo presidente Lula, reafirma seu compromisso com a estabilidade regional e a busca por soluções pacíficas para conflitos complexos como o envolvendo a Venezuela. As discussões na cúpula da Celac demonstram a prioridade do governo em resguardar a América do Sul como uma zona de paz e cooperação, mesmo diante de divergências internacionais. Para aprofundar-se em mais análises e notícias sobre os desdobramentos da política externa brasileira, explore nossa seção de Política.
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