A Linha 12-Safira da CPTM enfrentou problemas significativos na manhã da última quinta-feira (6), apenas um dia após o encerramento da greve de funcionários da Companhia Paulista de Trens Metropolitanos. Uma falha de sinalização afetou diretamente a circulação dos trens, gerando consideráveis transtornos para os passageiros da capital e Grande São Paulo.
Por volta das 06h20, a CPTM detectou o problema que forçou a redução da velocidade dos comboios e aumentou drasticamente o tempo de parada nas estações, comprometendo o intervalo programado. As plataformas e os trens ficaram superlotados, com as composições circulando lentamente, especialmente na direção da Barra Funda. A companhia informou que equipes técnicas foram mobilizadas imediatamente para restaurar a normalidade do sistema e emitiu um pedido de desculpas pelos inconvenientes causados.
Linha 12-Safira CPTM: Falha e Lentidão Pós-Greve
As narrativas dos usuários do transporte público corroboram a gravidade da situação. Muitos relataram esperas por trens que variaram de 14 a 20 minutos, além de dificuldades que se estenderam por mais de 50 minutos para conseguir embarcar nas composições já abarrotadas. Os efeitos do incidente não se restringiram à Linha 12-Safira; a Linha 11-Coral também registrou irregularidades nos intervalos e longos períodos de paralisação nas estações, indicando uma falha que reverberou por trechos importantes do sistema ferroviário metropolitano.
Retomada Tensa da Operação Após a Greve
Os transtornos desta quinta-feira surgem em um cenário já conturbado. Na noite anterior, quarta-feira (5), o fim da greve que paralisou as linhas 11-Coral, 12-Safira e 13-Jade da CPTM foi marcado por cenas de caos na Estação Engenheiro Goulart, localizada na Zona Leste de São Paulo. Por volta das 18h20, uma confusão generalizada explodiu na área de embarque do Plano de Apoio entre Empresas em Situação de Emergência (Paese).
Conforme apurado pela TV Globo, houve um confronto entre passageiros e seguranças da CPTM, com uma mulher chegando a intervir para acalmar os ânimos. Cerca de 30 minutos depois, a dinâmica do local mudou radicalmente. Após o anúncio da retomada da circulação dos trens, por volta das 18h30, passageiros correram desenfreadamente pelo corredor que dá acesso às plataformas da Linha 12-Safira. Neste corre-corre, foram registrados tropeços, pessoas pulando as catracas em busca de um embarque mais rápido e uma série de empurra-empurra, refletindo a urgência e o estresse da situação. Após a liberação inicial e a movimentação intensa, a operação da Linha 12-Safira normalizou-se gradualmente entre Brás e Calmon Viana, conforme a CPTM, com o fluxo de passageiros atingindo níveis normais por volta das 19h.
Acordo Governamental e Condições da Greve
A greve, que começou à meia-noite de terça-feira (4), afetou diretamente quase 1 milhão de usuários diários na capital paulista e em sua região metropolitana. O movimento paredista chegou ao fim após uma assembleia de ferroviários que aceitou a proposta apresentada pelo governo de São Paulo em audiência no Tribunal Regional do Trabalho (TRT-2).
O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), havia garantido, durante a manhã da quarta-feira, que enviaria um projeto de lei à Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo (Alesp) para assegurar a absorção dos empregados das linhas concedidas por outros órgãos da administração estadual. O governador enfatizou a existência de um instrumento jurídico desde 2020 para tal, mas afirmou a intenção de encaminhar um PL específico para as Linhas 11-Coral, 12-Safira e 13-Jade, a fim de fortalecer o compromisso e remover quaisquer objeções.
Na audiência do TRT, que contou com a participação de representantes da CPTM, sindicatos, governo do estado e Ministério Público do Trabalho, a Vice-Presidência Judicial destacou que as medidas preventivas anteriores não haviam sido eficazes para garantir o direito de ir e vir da população. O governo de São Paulo formalizou a proposta de encaminhar o projeto de lei que autoriza a absorção dos trabalhadores por órgãos ou entidades da administração pública direta ou indireta, sob a condição da retomada imediata e integral do serviço.
Inicialmente, os sindicatos demandaram a inclusão dos empregados da Linha 10-Turquesa e de trabalhadores da área administrativa na proposta. Para evitar desigualdades, a Vice-Presidência Judicial sugeriu a ampliação, e o governo estadual aceitou encaminhar um projeto de lei que abranja as linhas 10-Turquesa, 11-Coral, 12-Safira e 13-Jade. Este aceite estava condicionado à retomada das operações com 100% dos trabalhadores a partir das 16h do mesmo dia. Com a aprovação da proposta, as multas previamente aplicadas seriam relevadas e os termos seriam incorporados a um acordo coletivo. Em caso de recusa e prosseguimento da greve, os percentuais mínimos de funcionamento seriam elevados, e a multa diária subiria para R$ 5 milhões. Uma nova audiência foi agendada para 19 de agosto de 2026.

Imagem: g1.globo.com
Posicionamento Sindical Pós-Acordo
O Sindicato dos Trabalhadores em Empresas Ferroviárias da Zona Central do Brasil comunicou o retorno às atividades, embora mantendo o “estado de greve”. A decisão de aceitar a proposta do TRT e retomar o trabalho foi majoritária, com 131 votos favoráveis e 26 votos contrários à continuidade da paralisação. Segundo a entidade, a proposta governamental representou avanços significativos nas reivindicações da categoria, especialmente no que tange às garantias para os ferroviários frente ao processo de concessão das linhas.
Apesar da suspensão da greve, o sindicato reafirmou sua vigilância quanto ao cumprimento dos compromissos firmados e o progresso das negociações futuras. A mobilização, de acordo com o sindicato, sempre buscou a defesa dos empregos, a proteção dos direitos dos trabalhadores da CPTM e a manutenção da qualidade do transporte público. A entidade não descartou novas ações caso os termos acordados não sejam integralmente cumpridos.
Histórico e Impasse da Concessão das Linhas
O pano de fundo para a greve reside no processo de concessão das linhas 11-Coral, 12-Safira e 13-Jade ao grupo Comporte Participações, controlador da concessionária Trivia Trens. O contrato de concessão prevê investimentos expressivos de R$ 14,3 bilhões para obras, modernização da infraestrutura e expansão da capacidade do sistema.
A concessionária assumiu integralmente a operação em 21 de julho. Contudo, os dias subsequentes foram marcados por uma série de problemas, incluindo falhas operacionais, atrasos e um incêndio em uma composição da Linha 12-Safira. Diante desse cenário adverso, a Agência Reguladora de Serviços Públicos Delegados de Transporte do Estado de São Paulo (Artesp) determinou que a CPTM reassumisse provisoriamente a operação das linhas por um período de 90 dias, a fim de permitir que a concessionária efetuasse os ajustes necessários. Foi precisamente nesse período de retorno provisório da estatal que a greve ocorreu, impulsionada pelas reivindicações do Sindicato dos Ferroviários da Central do Brasil por garantias formais para os trabalhadores e pela contestação do processo de concessão à iniciativa privada. No Brasil, dados sobre a infraestrutura ferroviária e os desafios do setor podem ser aprofundados consultando as informações divulgadas pela Agência Nacional de Transportes Terrestres, entidade responsável por regulamentar e fiscalizar o setor.
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A falha na Linha 12-Safira da CPTM demonstra os persistentes desafios do sistema de transporte público, que exigem atenção contínua e soluções robustas. As consequências das interrupções não se limitam apenas ao deslocamento, mas ecoam na economia e no dia a dia da população. Para um olhar mais aprofundado sobre o impacto das paralisações no cotidiano das grandes cidades e suas consequências socioeconômicas, convidamos você a explorar outras notícias sobre cidades em nossa editoria, mantendo-se sempre informado sobre o que move a nossa metrópole.
Crédito da imagem: Hermínio Bernardo/TV Globo

