Investimento em Terras Raras Cresce para Reduzir Dependência China

Economia

As restrições de exportação de terras raras, adotadas pela China desde 2025, estão reconfigurando o cenário global e fomentando uma nova onda de investimentos no setor. Empresas engajadas na mineração, processamento e fabricação de ímãs permanentes — componentes vitais para veículos elétricos, energia eólica, defesa, semicondutores e robótica — estão se beneficiando desse movimento estratégico, conforme análise do Morgan Stanley.

Atualmente, o domínio chinês é inegável, concentrando cerca de 60% da produção mundial de terras raras magnéticas, 91% do refino e 94% da fabricação de ímãs permanentes sinterizados. Essa hegemonia adquiriu proporções ainda maiores após Pequim implementar duas rodadas de controle de exportação, impactando significativamente a oferta global desses elementos, cruciais para diversas indústrias essenciais.

O efeito dessas políticas já se manifesta claramente nos preços e na dinâmica comercial. O disprósio, um metal imprescindível para motores de veículos elétricos, registrou uma valorização de aproximadamente 90% na Europa desde o fim de 2025. Concomitantemente, as exportações chinesas de alguns elementos críticos para mercados estratégicos como os Estados Unidos e o Japão apresentaram uma retração acentuada. Esse cenário justifica a urgência global por novas fontes e tecnologias, pavimentando o caminho para o significativo movimento observado no mercado.

Investimento em Terras Raras Cresce para Reduzir Dependência China

A vulnerabilidade da cadeia de suprimentos motivada pela concentração chinesa intensifica as preocupações. O relatório do Morgan Stanley salienta que uma eventual e mais abrangente interrupção nas exportações de terras raras poderia comprometer aproximadamente US$ 6,5 trilhões em produção industrial fora da China. Setores como o automotivo, defesa, eletrônicos e a infraestrutura de energia renovável seriam os mais atingidos por tal cenário adverso.

A crescente apreensão quanto à segurança no suprimento desses minerais críticos tem gerado repercussões nos mercados financeiros internacionais. O Morgan Stanley revela que fundos temáticos voltados para recursos naturais e terras raras atraíram um aporte líquido de US$ 2,45 bilhões apenas no primeiro trimestre de 2026. Esse fluxo de capital marca o fim de um período de dois anos de resgates na área de Resource Management, com o segmento administrando atualmente um portfólio de cerca de US$ 69 bilhões em ativos globais.

Adicionalmente, os fundos com foco exclusivo em terras raras demonstraram uma performance robusta. Desde janeiro de 2025, a carteira média desse grupo acumulou uma notável valorização de 81%, traduzindo-se em um retorno anualizado impressionante de 61%. Embora as empresas chinesas ainda ocupem a maior parte das posições nesses fundos especializados, nota-se uma tendência clara por parte dos investidores em aumentar sua exposição a produtores situados fora da nação asiática, evidenciando a busca por alternativas de suprimento mais diversificadas e seguras.

Entre as principais companhias que se destacam como apostas fora da China, o Morgan Stanley aponta a australiana Lynas Rare Earths, a americana MP Materials e a também australiana Iluka Resources. O banco registrou um crescimento da participação dessas empresas nas carteiras dos fundos desde o final de 2024, um indicativo direto da procura por diversificação e novas opções fora da dependente cadeia de suprimentos chinesa. Contudo, é importante ressaltar que grupos chineses como China Northern Rare Earth, Xiamen Tungsten, Shenghe Resources e China Rare Earth ainda detêm os maiores pesos nessas carteiras de investimento, refletindo o caminho a ser percorrido na verdadeira diversificação.

No plano geopolítico, a busca pela diversificação da cadeia produtiva tem ganhado considerável impulso. Líderes do G7 selaram um compromisso formal para reduzir a dependência de qualquer fornecedor único de terras raras, estipulando uma meta de diminuir essa dependência para menos de 60% até 2030. A União Europeia, por sua vez, estabeleceu um objetivo análogo no âmbito de sua Critical Raw Materials Act (Lei de Matérias-Primas Críticas). O Morgan Stanley calcula que, para satisfazer a demanda global por ímãs de terras raras fora da China na próxima década, serão necessários investimentos globais da ordem de US$ 60 bilhões, destacando a magnitude do desafio e da oportunidade envolvidos.

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Imagem: infomoney.com.br

O estudo também enfatiza a crescente maturidade dos investimentos privados no setor de terras raras. Desde 2020, aproximadamente US$ 4,5 bilhões foram direcionados a esse segmento, com mais da metade desse valor sendo empregado em operações de fusões e aquisições. Em paralelo, mais de 30% das companhias monitoradas pelo banco já se encontram em estágios avançados de venture capital. A Ásia continua liderando em termos de quantidade de empresas e avaliações de mercado, mas as Américas emergem como a principal rota para o desenvolvimento de uma cadeia de suprimentos alternativa à China. A Austrália, por sua vez, se sobressai pelo volume de capital investido, impulsionada pela natureza intensiva em capital dos projetos de mineração e refino.

Outro ponto relevante é a concentração dos investimentos privados avançados nas fases “downstream” da cadeia, como as tecnologias de fabricação de ímãs, processos de reciclagem e a pesquisa por materiais substitutos. Estas são áreas vistas como gargalos para uma real expansão da produção fora do controle chinês. Apesar do notável incremento do interesse, a análise do Morgan Stanley conclui que o universo de empresas listadas em bolsa ainda se mostra relativamente restrito. Nas Américas e na Europa, a maioria dos IPOs realizados nos últimos seis anos envolveu companhias de exploração mineral em estágios iniciais, e fabricantes de ímãs permanentes – um elo crítico da cadeia – permanecem quase ausentes dos mercados acionários, evidenciando uma desconexão entre a escalada da demanda e as oportunidades de investimento disponíveis ao público.

Para o banco, a convergência de fatores como as restrições impostas pela China, o suporte crescente de governos e o significativo fluxo de capitais direcionado para o setor indicam que o tema das terras raras continuará em destaque nas estratégias de investidores nos próximos anos, solidificando sua posição como um campo de importância estratégica global.

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Em suma, a dinâmica global das terras raras está em plena transformação, impulsionada pela busca incessante por segurança e diversificação de suprimentos. As movimentações financeiras e geopolíticas indicam um futuro onde o investimento em tecnologia e infraestrutura será chave para reduzir a dependência da China, garantindo a sustentabilidade de indústrias essenciais. Para continuar acompanhando as principais análises sobre economia, política e as tendências de mercado, acesse nossa editoria de Economia e mantenha-se informado sobre os acontecimentos mais relevantes do Brasil e do mundo.

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