Ímpeto de Compra Dia das Mães 2026: Maior Nível desde 2013

Economia

O ímpeto de compra para o Dia das Mães em 2026 atingiu o patamar mais elevado dos últimos 13 anos, conforme revela o indicador da FGV Ibre (Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas). A data comemorativa, considerada a segunda principal geradora de vendas extraordinárias no comércio, ficando atrás apenas do Natal, demonstra um cenário de intenções de consumo robustas. O estudo do FGV Ibre mensura a expectativa de despesas, o valor médio projetado para os presentes e as categorias de itens mais buscadas pelos consumidores brasileiros.

Para o Dia das Mães de 2026, o indicador alcançou 85,7 pontos, registrando um aumento de 1,4 ponto percentual em comparação com o ano anterior. Este resultado marca a quinta elevação consecutiva e representa o maior nível observado desde 2013, quando o indicador havia atingido 88,5 pontos. A persistência dessa trajetória de alta reflete uma evolução gradual na intenção de participação do público em eventos de consumo. A Fundação Getulio Vargas é uma instituição renomada no cenário econômico brasileiro, frequentemente divulgando estudos relevantes. Para mais detalhes sobre seus índices econômicos, acesse o portal oficial do FGV Ibre.

Ímpeto de Compra Dia das Mães 2026: Maior Nível desde 2013

A construção do índice, conforme explicou em entrevista a pesquisadora Anna Carolina Gouveia do FGV Ibre, baseia-se na diferença entre a proporção de consumidores que planejam gastar mais em relação ao ano anterior e a proporção dos que pretendem gastar menos. Dessa forma, quando o indicador supera a marca de 100 pontos, indica-se uma “faixa de otimismo”, cenário em que a maioria dos consumidores projeta um aumento nos gastos. Desde sua criação, o patamar máximo alcançado pelo indicador foi de 94,8 pontos em 2010, evidenciando que, historicamente, a proporção de pessoas prevendo gastar mais nunca superou a de gastar menos de forma expressiva.

“Nos últimos cinco anos, observamos uma melhoria progressiva. Assim, o indicador deste ano sinaliza que tanto o consumo quanto a intenção de compra estão presentes. Contudo, isso não se traduz em um otimismo explícito em relação à aquisição de presentes”, pontua Gouveia. Ela complementa que, apesar de um resultado abaixo de 100 pontos ainda configurar a “faixa pessimista”, a tendência de crescimento indica uma diminuição desse pessimismo. “Mais pessoas estão manifestando a intenção de participar do evento comprando presentes no Dia das Mães”, esclarece a pesquisadora da FGV Ibre, sinalizando uma mudança comportamental mesmo em um ambiente cauteloso.

A pesquisa detalha que o resultado positivo é impulsionado principalmente por duas dinâmicas: a redução da parcela de consumidores que planejam gastar menos, com uma queda de 2,1 pontos percentuais (p.p.), alcançando 24,3%, e o aumento da fatia de consumidores que pretendem manter os mesmos níveis de gastos, com alta de 2,7 p.p., para 65,6%. Em contrapartida, a proporção de quem almeja aumentar as despesas com presentes no Dia das Mães permanece minoritária e registrou um leve decréscimo de 0,6 p.p., fixando-se em 10,1%.

Anna Carolina Gouveia destaca ainda que este panorama reflete a estabilidade no mercado de trabalho, com manutenção dos níveis de emprego e renda, somada a um controle da inflação. Esses fatores em conjunto proporcionam um respiro no orçamento familiar, abrindo espaço para despesas comemorativas. Apesar desses pontos favoráveis, a pesquisadora enfatiza que a melhora do índice ocorreu “a despeito do nível elevado de endividamento das famílias brasileiras no momento”. Ela sublinha que a questão do superendividamento se tornou “crônica” e “um problema relevante”, com um agravamento significativo a partir do período pandêmico.

Ao analisar as diferentes faixas de renda familiar, o estudo aponta que o crescimento do ímpeto para gastos no Dia das Mães foi evidente em duas das quatro categorias investigadas: a de renda mais alta (acima de R$ 9,6 mil mensais) e a de renda mais baixa (até R$ 2,1 mil mensais). Notavelmente, na faixa de renda mais baixa, foi registrado um forte salto no indicador de intenção de compras, que avançou 10,7 pontos, atingindo 86,3 pontos – o nível mais alto já verificado para esse grupo. Nas famílias de renda mais elevada, o ritmo de crescimento foi mais contido, com elevação de 4 pontos.

Ímpeto de Compra Dia das Mães 2026: Maior Nível desde 2013 - Imagem do artigo original

Imagem: Reprodução via valor.globo.com

“A melhoria na faixa de renda mais baixa pode ser correlacionada a uma ligeira folga orçamentária observada no início deste ano”, analisa a pesquisadora do FGV Ibre. Ela cita como possíveis fatores o controle da inflação, a estabilidade do emprego e, até mesmo, a expansão da isenção do Imposto de Renda para rendimentos de até R$ 5 mil, que podem ter contribuído para uma disponibilidade maior de recursos. Essa combinação de fatores indica um esforço das famílias de baixa renda em manter sua participação nas celebrações, mesmo em um cenário econômico desafiador.

O valor médio esperado para o presente em 2026 está projetado em R$ 75,0, apresentando uma leve variação em relação aos R$ 76,1 do mesmo período do ano anterior. Essa mínima alteração sugere uma estabilidade no gasto per capita com presentes. Dentre os consumidores que já definiram suas compras, as categorias “Vestuário” e “Outros” (englobando itens como livros, gastronomia, lazer e dinheiro) mantiveram a liderança, somando 36,5% e 28,7% das respostas, respectivamente. Perfumaria e cosméticos se posicionam como a terceira opção mais desejada, com 20,6%.

Anna Carolina Gouveia explica a preferência por esses itens. “São produtos geralmente mais acessíveis, permitindo pagamentos à vista ou, caso necessário, um parcelamento de menor valor”, comenta. Ela contrasta essa realidade com bens de maior custo, como eletrônicos, que exigem parcelamentos mais longos e implicam em juros. “Com taxas de juros elevadas e muitas pessoas endividadas, já existe um comprometimento futuro da renda, o que naturalmente direciona a compra para produtos mais em conta, distanciando-os de bens mais caros”, detalha a pesquisadora. Como reflexo, “Eletrônicos” e “Itens para casa” ocupam as últimas posições nas intenções de compra, com apenas 1,4% e 3,7%, respectivamente.

Confira também: Imoveis em Rio das Ostras

Em suma, o levantamento da FGV Ibre para o Dia das Mães 2026 indica um recorde no ímpeto de compra dos consumidores desde 2013, impulsionado por uma combinação de fatores econômicos e uma redução no pessimismo, apesar dos altos níveis de endividamento. O cenário atual sugere um consumo mais consciente, com foco em presentes de menor valor e maior facilidade de pagamento. Mantenha-se informado sobre as últimas análises e tendências do mercado e economia explorando nossa editoria de Economia para mais insights sobre o comportamento do consumidor brasileiro.

Crédito da imagem: Canva

Deixe um comentário