Homem morre sala de espera de UPA no DF, família alega descaso

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Um trágico incidente chocou o Distrito Federal neste último fim de semana. Vilmar Pereira da Silva, de 49 anos, morreu na sala de espera de uma Unidade de Pronto Atendimento (UPA) no Recanto das Emas, na noite de sábado, dia 20 de janeiro. Testemunhas relatam que o homem permaneceu no local por cerca de quatro horas, após chegar em uma cadeira de rodas, sem receber atendimento médico efetivo. A descoberta do falecimento foi feita por uma enfermeira que estava na UPA buscando auxílio para a filha e percebeu a ausência de movimentos de Vilmar, que posteriormente foi identificada como Mayela Lima, não sendo parte da equipe da unidade.

O caso provocou indignação e discussões sobre a qualidade e a prontidão do atendimento na rede pública de saúde. A família de Vilmar Pereira da Silva expressa forte crítica ao que classificam como “descaso” por parte dos serviços de saúde. Segundo as filhas do homem, ele enfrentava problemas com alcoolismo e, apesar de receber apoio familiar, vivia em situação de rua, condição que o levou a procurar a UPA do Recanto das Emas em outras ocasiões para atendimento.

Homem morre sala de espera de UPA no DF, família alega descaso

As filhas, Eveylye e Emily Pereira, recordam experiências passadas que as fazem questionar o cuidado prestado. Eveylye relatou ver “o descaso” de perto em todas as internações anteriores, mencionando que os profissionais às vezes pareciam relutar em oferecer assistência adequada ao pai, questionando sua permanência na unidade. Emily, por sua vez, contou que, em momentos de debilidade, Vilmar era encaminhado para a UPA pelo Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (SAMU), e a família acreditava que, devido ao seu estado fragilizado, ele deveria ter sido internado. A situação levanta sérias dúvidas sobre os protocolos de acolhimento e classificação de risco para pacientes que chegam às UPAs em condições vulneráveis.

Em resposta à repercussão do incidente, o Instituto de Gestão Estratégica em Saúde (Iges-DF) emitiu uma nota oficial ainda no sábado, 20 de janeiro, informando que estava apurando as circunstâncias da morte. A entidade declarou que Vilmar não possuía ficha de atendimento aberta na UPA, nem havia passado por triagem ou avaliação clínica no dia de seu falecimento. Após a confirmação do óbito, a filha foi prontamente comunicada e recebeu o suporte necessário da equipe de serviço social da unidade, seguindo os procedimentos padrão estabelecidos para tais eventos.

No domingo, 21 de janeiro, a Secretaria de Saúde do Distrito Federal reforçou a posição do governo, enfatizando que “não será admitido e nem aceito qualquer indício de omissão ou ausência de atendimento a qualquer cidadão que busque assistência em nossa rede de saúde”. A pasta também salientou a importância de esclarecer todos os fatos, apesar do paciente não ter sido registrado oficialmente, e de verificar a adequação dos protocolos adotados. Essa declaração busca reafirmar o compromisso do governo com a excelência no atendimento à população, enquanto a família Pereira ainda aguarda por respostas claras sobre o falecimento de seu parente.

O secretário de Saúde, Juracy Cavalcante, também se manifestou em suas redes sociais, confirmando que o homem “costumava pernoitar no local”. Diante da gravidade da situação e para uma completa transparência, o secretário determinou a abertura imediata de uma sindicância para investigar detalhadamente o ocorrido na UPA do Recanto das Emas. A governadora do Distrito Federal, Celina Leão (PP), usou suas plataformas digitais para expressar solidariedade à família enlutada e prometeu uma apuração rigorosa. “Já determinei à Secretaria de Saúde e ao Iges que apurem com rigor às circunstâncias do falecimento dele na unidade hospitalar e responsabilizem àqueles que não deram o adequado atendimento”, escreveu a governadora, buscando tranquilizar a população e garantir a responsabilização.

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Imagem: g1.globo.com

O Iges-DF complementou sua comunicação detalhando que o falecido era identificado como pessoa em situação de rua e que a ausência de ficha de atendimento ou classificação de risco antes da constatação do óbito é um ponto central da investigação. A equipe assistencial da UPA foi acionada por volta das 14h30 por outras pessoas presentes no local e, ao avaliar o paciente, constatou imediatamente a ausência de sinais vitais. A Polícia Militar e a Polícia Civil do Distrito Federal foram chamadas para realizar os procedimentos legais cabíveis e iniciar a apuração dos fatos, visando esclarecer todas as dúvidas sobre as causas e as responsabilidades envolvidas na morte na sala de espera da unidade de saúde.

A situação realça a complexidade do atendimento a populações vulneráveis nas unidades de saúde e a necessidade de procedimentos claros para todos que buscam socorro, independentemente de sua condição social ou se já são “conhecidos” das unidades. O atendimento humanizado e o cumprimento dos protocolos são essenciais para assegurar a dignidade do paciente. Mais informações sobre os protocolos e a importância da busca por atendimento médico podem ser encontradas no portal do governo federal, que oferece diretrizes sobre o sistema de saúde, como na seção de Atendimento Médico sem Agendamento, reforçando o direito de todo cidadão a um serviço adequado.

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A morte de Vilmar Pereira da Silva na UPA do Recanto das Emas segue sob investigação, com as autoridades do Distrito Federal prometendo total transparência e rigor na apuração das circunstâncias. Este incidente lamentável sublinha a urgência de uma avaliação aprofundada nos processos de atendimento das unidades de saúde para garantir que o cuidado chegue a quem mais precisa. Para mais notícias e análises sobre questões urbanas e de saúde pública, continue acompanhando nossa editoria de Cidades.

Crédito da imagem: Reprodução

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