A discussão sobre a GLP-1 fertilidade masculina e o papel dos medicamentos à base desta substância, como a semaglutida (Ozempic) e a tirzepatida (Mounjaro), tem ganhado notoriedade. A crescente popularidade das chamadas “canetas emagrecedoras” levantou a questão sobre se estes fármacos seriam a chave para combater a infertilidade em homens. Para esclarecer os fatos e desfazer as ilusões em torno dessa complexa relação, o Dr. Guilherme Wood, renomado urologista da Huntington Medicina Reprodutiva, compartilhou sua perspectiva especializada.
De acordo com o Dr. Wood, a percepção popular de que Ozempic ou Mounjaro podem “solucionar” a infertilidade masculina, especialmente impulsionada por reportagens e estudos recentes, não é inteiramente sem fundamento. Contudo, o especialista enfatiza que, embora a base científica não seja um mito completo, a evidência de que a medicação por si só melhora a fertilidade ainda é incipiente e limitada. É crucial diferenciar os mecanismos pelos quais esses medicamentos podem influenciar a saúde reprodutiva masculina.
GLP-1: Esclarecimentos sobre Fertilidade Masculina e Peso
Uma das bases para a conexão entre esses medicamentos e a saúde reprodutiva masculina reside no impacto profundo da obesidade na capacidade de um homem conceber. Este é um fato bem estabelecido e cientificamente documentado: a obesidade tem efeitos deletérios significativos sobre a fertilidade. O excesso de peso corporal perturba o delicado equilíbrio do eixo hormonal responsável pela produção de testosterona, o hormônio masculino vital. Além disso, o tecido adiposo, presente em maior quantidade em indivíduos obesos, eleva os níveis de estrogênio, um hormônio feminino, o que pode agravar o desequilíbrio hormonal.
Pesquisas indicam consistentemente que a obesidade deteriora os parâmetros do sêmen. Homens com um Índice de Massa Corporal (IMC) acima de 40 kg/m² exibem uma redução substancial tanto na testosterona total quanto na testosterona livre. Essa condição é frequentemente acompanhada por uma diminuição na produção dos hormônios que estimulam a espermatogênese, o processo de formação de espermatozoides. A motilidade espermática, que é a capacidade dos espermatozoides de se moverem eficientemente, pode ser afetada em até 39,9% dos homens obesos, conforme aponta a literatura publicada em fontes como o PubMed.
A questão da infertilidade afeta uma parcela significativa da população. Conforme a Sociedade Brasileira de Reprodução Humana (SBRH), aproximadamente 17% dos casais em idade reprodutiva encontram desafios para engravidar. Nesses casos, a infertilidade pode ser atribuída exclusivamente ao homem em cerca de 20% das ocorrências, um número que ultrapassa 50% quando combinada com fatores femininos. No contexto brasileiro, os dados do Ministério da Saúde, compilados pela Associação Brasileira de Reprodução Assistida (SBRA), revelam que o número de atendimentos relacionados à infertilidade masculina mais que dobrou na última década, ressaltando a crescente relevância do tema. Compreender os mecanismos de como a obesidade afeta a saúde reprodutiva masculina é essencial para estratégias eficazes.
O Dr. Guilherme Wood esclarece que os potenciais benefícios para a fertilidade não se devem a uma ação direta do medicamento GLP-1 no testículo, mas sim ao impacto secundário da perda de peso. Um estudo relevante publicado em 2025 no periódico Diabetes, Obesity and Metabolism ilustrou essa conexão. A pesquisa demonstrou uma melhoria significativa na morfologia espermática em homens obesos com diabetes tipo 2 e hipogonadismo funcional, após um período de 24 semanas de uso de semaglutida. O que se observa, portanto, é que a correção do excesso de peso atenua a desregulação do eixo hormonal, e esse reajuste se reflete favoravelmente nos parâmetros do sêmen. Em essência, a melhoria é consequência de um metabolismo mais saudável, e os medicamentos GLP-1 funcionariam como um meio para atingir essa condição metabólica otimizada.
Para que as melhorias hormonais se tornem perceptíveis e substanciais, uma perda de peso corporal na faixa de 5% a 10% é geralmente necessária. Tal resultado não é imediato e demanda meses de tratamento contínuo e disciplinado. A biologia também explica essa demora: o ciclo completo de produção de espermatozoides no homem dura aproximadamente três meses. Assim, qualquer avanço na qualidade do sêmen será sempre subsequente e um reflexo da melhoria metabólica preexistente.
O urologista Dr. Wood adverte sobre os efeitos da interrupção do tratamento antes que os objetivos sejam alcançados. Ele ressalta que o reganho de peso é uma ocorrência comum após a suspensão da medicação. Consequentemente, os benefícios obtidos nos níveis hormonais e seminais tendem a reverter junto com o peso. O profissional enfatiza que o impacto positivo na fertilidade não é um ganho permanente, mas sim algo que acompanha e depende do resultado metabólico sustentado. Importante notar é que não existe um protocolo formal que exija a suspensão do medicamento antes de uma coleta de sêmen, e as evidências atuais não indicam que o GLP-1 afete diretamente os espermatozoides de forma a exigir interrupção por motivos de segurança. Na prática clínica, a orientação do Dr. Wood para uma avaliação precisa do efeito do tratamento no espermograma é aguardar pelo menos um ciclo completo de espermatogênese – período de dois a três meses com o peso estabilizado – antes de realizar uma nova análise do sêmen.

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Os ganhos mencionados pela ciência são especificamente direcionados a homens que se enquadram em um perfil clínico particular: aqueles que apresentam obesidade ou sobrepeso e que, concomitantemente, sofrem de algum grau de hipogonadismo funcional. Para este grupo, a correção do peso excessivo pode, de fato, restaurar o equilíbrio do eixo hormonal e otimizar a qualidade seminal. No entanto, a situação se apresenta de forma distinta, e potencialmente prejudicial, para homens que mantêm um peso considerado normal e que optam pelo uso desses medicamentos por razões estéticas ou como uma “prevenção” desnecessária.
Nesses casos, a literatura científica não aponta evidências de qualquer incremento na fertilidade. Pelo contrário, existe o risco de efeitos adversos. Um déficit calórico excessivo e a perda de massa magra de maneira descontrolada podem, paradoxalmente, comprometer a espermatogênese. Conforme alerta o Dr. Wood, se não há excesso de peso a ser corrigido, não se pode esperar um “efeito bônus” para a fertilidade; na ausência de uma disfunção metabólica de base, os riscos podem superar qualquer benefício teórico.
O maior alerta do especialista é direcionado ao uso autônimo desses medicamentos, sem uma avaliação urológica prévia e completa. Condições médicas tratáveis como varicocele, hipogonadismo primário, obstruções dos ductos ejaculatórios e alterações genéticas são causas significativas de infertilidade masculina que só podem ser identificadas através de uma investigação especializada. Estas condições podem permanecer não diagnosticadas e não tratadas enquanto o paciente se engana, acreditando que a medicação está abordando o problema. Adicionalmente, há um perigo muitas vezes ignorado: uma perda de peso drástica e sem acompanhamento profissional pode, em alguns casos, piorar temporariamente o espermograma. Por isso, o Dr. Wood reitera veementemente: “A medicação é coadjuvante. Nunca substitui o espermograma, a avaliação hormonal e o exame físico completos”, sublinhando a importância da medicina diagnóstica e preventiva na gestão da saúde reprodutiva.
A Huntington Medicina Reprodutiva, com mais de três décadas de expertise e prestígio, é um pilar da medicina reprodutiva no Brasil. Reconhecida em nível nacional pela excelência em prática médica, rigor científico e pela atenção humanizada dedicada a pacientes e famílias, a clínica tem auxiliado muitos a concretizarem o sonho da parentalidade. O portfólio de serviços abrange todas as facetas da reprodução assistida, tratando a infertilidade feminina, masculina e de casais, e oferecendo congelamento de óvulos, fertilização in vitro, inseminação intrauterina, doação de gametas, oncofertilidade, aconselhamento genético e tecnologias laboratoriais de ponta, como o sistema time-lapse, tudo dentro de uma abordagem personalizada e empática. A Huntington faz parte do Grupo Eugin, uma das maiores e mais conceituadas redes globais de reprodução assistida, com presença em nove países. Esta ligação internacional propicia um intercâmbio científico contínuo, estimula a inovação e reforça o compromisso da Huntington com o avanço da medicina reprodutiva, sempre centrada nas necessidades do paciente.
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Em suma, a relação entre GLP-1 fertilidade masculina é mais complexa do que uma solução direta, dependendo crucialmente da perda de peso em homens obesos ou com sobrepeso. Acompanhar as orientações de um especialista é vital para um diagnóstico correto e para garantir a segurança e eficácia do tratamento. Para continuar a aprofundar seu conhecimento e encontrar um maior entendimento sobre temas de saúde, explore outros artigos em nossa editoria de saúde aqui no blog Hora de Começar.
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