Em uma transmissão ao vivo realizada à meia-noite do último domingo, 16 de julho, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) trouxe a público a informação de que recebeu mais de 1.800 ameaças de morte. A declaração foi feita logo após o parlamentar manifestar sua intenção de classificar o PCC (Primeiro Comando da Capital), o Comando Vermelho (CV) e milícias como organizações terroristas no Brasil, destacando o contexto tenso de suas atividades políticas.
Nos últimos meses, o círculo próximo de Flávio Bolsonaro, incluindo aliados e perfis de apoio em mídias sociais, tem reiterado a preocupação com a possibilidade de um atentado contra o filho do ex-presidente, atualmente candidato à Presidência da República. Contudo, detalhes precisos sobre a origem dessas ameaças não foram amplamente divulgados publicamente.
Flávio Bolsonaro Reporta Mais de 1,8 Mil Ameaças de Morte
A equipe do senador afirma que aproximadamente 30 dessas denúncias evoluíram para investigações conduzidas pela Polícia do Senado Federal. Essa corporação é responsável pela segurança do senador, tanto em Brasília quanto em seus deslocamentos. Flávio Bolsonaro chegou a mencionar que agentes conduziram à delegacia uma pessoa suspeita de planejar um ataque contra ele em Juiz de Fora (MG), programado para a segunda-feira, 17.
A discussão em torno da segurança do senador se intensificou em julho, quando Flávio Bolsonaro optou por dispensar a escolta da Polícia Federal (PF). Essa medida estava garantida para acompanhá-lo em território nacional. A justificativa apresentada pelo gabinete do parlamentar foi a preocupação com possíveis infiltrados na corporação, uma vez que a PF estaria sob a gestão de um diretor indicado pelo Partido dos Trabalhadores (PT), o diretor-geral Andrei Rodrigues.
É relevante destacar que a Diretoria de Proteção à Pessoa (DPP), vinculada à estrutura da PF, dispõe de equipes especializadas e possui capacidade para atender simultaneamente até dez candidaturas. Seus profissionais atuam em todas as unidades federativas, fornecendo acompanhamento contínuo às agendas de campanha.
A tese de um eventual atentado contra Flávio Bolsonaro começou a ser publicamente insuflada por seus aliados a partir de dois eventos marcantes. O primeiro ocorreu durante uma viagem do senador aos Estados Unidos, onde ele participou de uma reunião na Casa Branca e aproveitou a ocasião para defender a classificação de organizações criminosas como “narcoterroristas”, buscando apoio internacional para sua proposta. As autoridades de segurança, conforme o noticiado, estão em alerta permanente sobre potenciais ameaças a figuras políticas. Um plano semelhante para atacar o ex-juiz Sérgio Moro, por exemplo, foi investigado anteriormente, demonstrando a gravidade das preocupações com a segurança de parlamentares no Brasil.
O segundo episódio ocorreu após o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) proferir uma declaração sugerindo o enforcamento de “traidores da Pátria”. A frase foi interpretada como uma referência à alegada subserviência de Flávio Bolsonaro ao então presidente americano, Donald Trump, gerando um forte repúdio por parte da defesa do senador.
Em resposta ao reiterado discurso de Lula, os advogados da campanha de Flávio, Maria Cláudia Bucchianeri e Tracy Reinaldet, apresentaram uma petição ao Supremo Tribunal Federal (STF). O documento alertava para a repetição de discursos de ameaças e incitação à violência proferidos por Lula contra o senador, pedindo providências à mais alta corte do país.
A equipe de comunicação de Flávio Bolsonaro tem divulgado comunicados enfatizando o temor crescente com a violência e as constantes ameaças à vida do político, conforme expresso em notas oficiais. A estratégia busca sensibilizar a opinião pública e alertar sobre os riscos enfrentados pelo senador.
Diante do quadro de alerta, novas medidas de segurança foram implementadas. O efetivo de proteção foi ampliado, com o triplo de policiais destacados para a guarda do senador, e o uso permanente de colete balístico por Flávio Bolsonaro tornou-se obrigatório. Os registros detalhados das ameaças, segundo comunicado de 22 de julho, incluíam: 868 ameaças explícitas; 647 manifestações de incitação à violência; 640 referências codificadas; e 133 conteúdos relacionados a planejamento ou oportunidades de ataques.

Imagem: infomoney.com.br
O próprio senador tem sido visto em eventos públicos, como o lançamento oficial da campanha em Copacabana, utilizando colete à prova de balas. Em uma de suas transmissões semanais às quintas-feiras, ele afirmou ter começado a receber ameaças contínuas enquanto defendia a classificação de facções criminosas como narcoterroristas. Na ocasião, o político também apelou a seus eleitores: “Em alguns eventos vocês veem como eu tenho que estar de colete à prova de balas. Não posso fazer como eu adoro fazer, de entrar mais no meio da galera, e abraçar e tirar foto, porque pode ter alguém ali no meio mal intencionado, para tentar concluir o que não conseguiram fazer com o meu pai. Mas estou aqui arriscando a minha vida. Tirando a minha família do sossego. Queria pedir a vocês: assumam um pouquinho de risco também”, declarou em 30 de julho, numa referência clara ao atentado sofrido por seu pai em 2018.
O coordenador da campanha do senador, Rogério Marinho (PL-RN), atribui as ameaças a um grupo que ele identifica como “a esquerda” e à “turma mais radical”, argumentando que são “quem mais agride a democracia”, apesar de se posicionarem como defensores dela. Marinho afirmou ao Estadão que “tem (receio de ataque), mas estamos tomando todas as providências. Temos uma estrutura que protege Flávio Bolsonaro, a partir inclusive da Polícia do Senado, (com) quem ele tem uma relação desde o primeiro dia do mandato dele”.
O ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro, irmão de Flávio, reforçou a tese de um atentado em uma entrevista ao canal Rede Comunica Brasil no YouTube. Ele fez uma associação direta entre um possível ataque e os interesses eleitorais da esquerda, alegando que “cada vez mais vai valer mais a pena assassiná-lo. Porque se tirar o Flávio, quem que resta? Vai ser uma eleição entregue de bandeja para o Lula. Então é contra isso aí que a gente está lutando”, proferiu.
Apesar das intensas declarações de aliados, não há, até o momento, evidências públicas que comprovem uma orquestração específica de grupos de esquerda com o objetivo de cometer tais ataques contra Flávio Bolsonaro. O ano de 2022, que antecedeu as eleições, foi marcado por diversos episódios de violência política, envolvendo pessoas de diferentes ideologias, mas sem vinculação direta à narrativa apresentada pela campanha do senador.
Outros apoiadores também se engajaram nos alertas. Em 1º de junho, um vídeo intitulado “EXCLUSIVO: CV planeja matar Flávio Bolsonaro em MG” foi divulgado por Allan dos Santos no Canal Timeline do YouTube. No material, ele descrevia supostas conversas em um grupo de WhatsApp planejando um ataque durante uma manifestação em Belo Horizonte, que ocorreria por ocasião da entrega de um título de cidadão honorário ao senador. Contudo, o referido ataque não se concretizou.
Também em junho, o deputado federal Maurício Marcon (PL-RS), em entrevista ao canal Auri Verde Brasil no YouTube, comentou uma observação do apresentador Alexandre Pittoli sobre uma declaração de Lula que ele considerava “uma nítida incitação, numa ameaça à vida de Flávio e Eduardo”. Marcon interpretou a fala do presidente como um “apito de cachorro”, uma linguagem codificada utilizada por líderes para dar ordens não explícitas. Segundo ele, Lula “em vez de falar matem o Flávio Bolsonaro, (ele sugere) que lá em 1800 e alguma coisa, alguém, por ter atitudes semelhantes ao que Flávio fez, deveria ser morto. Isso é muito usado por traficantes, esse tipo de pessoas aliadas ao narcopresidente da República”, criticou o parlamentar.
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As repetidas alegações de Flávio Bolsonaro sobre as mais de 1.800 ameaças de morte, somadas às narrativas de seus aliados, pintam um cenário de intensa polarização e preocupação com a segurança de políticos no Brasil. A Polícia do Senado segue investigando os casos, enquanto o senador intensifica suas medidas de proteção pessoal e sua equipe jurídica busca ações judiciais. Para mais análises sobre a segurança de figuras políticas e as movimentações eleitorais, continue acompanhando nossa editoria de Política e fique por dentro dos principais acontecimentos do país.
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