A discussão sobre a Fifa Irã Copa do Mundo ganhou novos contornos no último sábado, dia 16, com a declaração do secretário-geral da Fifa, Mattias Grafstrom. Ele descreveu o encontro com Mehdi Taj, presidente da Federação Iraniana de Futebol (FFIRI), como construtivo e positivo. Essa reunião alimenta a confiança sobre a participação da seleção do país no próximo Mundial, programado para os meses de junho e julho de 2026.
O Irã está inicialmente escalado para disputar suas três partidas da fase de grupos em solo norte-americano, no âmbito da Copa do Mundo de 2026. Contudo, a efetiva participação da equipe iraniana tem sido objeto de questionamentos e preocupações significativas, especialmente após os ataques aéreos desferidos por Estados Unidos e Israel contra o Irã, ocorridos no final de fevereiro.
Fifa tem conversas positivas com Irã sobre Copa do Mundo
Em um comunicado divulgado durante sua visita a Istambul, Mattias Grafstrom reforçou o tom otimista sobre a colaboração contínua. “Tivemos uma excelente reunião, uma reunião construtiva com a federação de futebol do Irã”, afirmou o secretário-geral. Ele ainda acrescentou que a entidade máxima do futebol mundial “está trabalhando em estreita colaboração e ansiosa para recebê-los na Copa do Mundo da Fifa”, sinalizando um comprometimento com a resolução das pendências. O Mundial está previsto para ocorrer de 11 de junho a 19 de julho de 2026.
Questões de Vistos e Implicações Diplomáticas
As preocupações em torno da participação iraniana na Copa do Mundo de 2026 foram acentuadas por eventos recentes relacionados a vistos e permissões de entrada. Uma das situações mais notórias envolveu o próprio presidente da FFIRI, Mehdi Taj. No início do mesmo mês de março em que ocorreu a reunião com Grafstrom, Taj teve sua entrada recusada no Canadá, onde seria realizado o Congresso da Fifa, em Vancouver. O motivo alegado para a negativa foram seus supostos vínculos com a Guarda Revolucionária Islâmica (IRGC).
Os Estados Unidos e o Canadá, dois dos três países-sede da Copa do Mundo de 2026, em conjunto com o México, designam a Guarda Revolucionária Islâmica como uma “entidade terrorista”. Ambos os países, com base em suas políticas de segurança nacional, declararam explicitamente que não concederão permissão de entrada para indivíduos que possuam qualquer ligação comprovada com essa força militar de elite iraniana. Tal classificação levanta uma séria preocupação sobre a potencial dificuldade que atletas e comissão técnica iranianos poderiam enfrentar ao tentar ingressar nos Estados Unidos para os jogos do torneio, embora a situação do presidente da federação seja específica e distinta.
Questionado diretamente sobre os pormenores referentes aos vistos destinados aos jogadores da seleção iraniana de futebol, Mattias Grafstrom optou por não detalhar a situação. Contudo, o secretário-geral assegurou que foram abordadas diversas questões operacionais durante a reunião e que houve um intercâmbio produtivo entre as partes. Essa postura de não revelar informações sensíveis é comum em contextos diplomáticos e de segurança internacional. Para mais detalhes sobre as regulamentações e estruturas que governam o futebol mundial, pode-se consultar o site oficial da FIFA.
Indagado novamente se a Fifa já havia providenciado garantias de entrada e concessão de vistos para a equipe iraniana, Grafstrom reiterou a discrição sobre o assunto. “Discutimos todos os assuntos relevantes, mas acho que não é o momento de discutir os detalhes”, disse ele. O líder da Fifa ressaltou, no entanto, o saldo positivo do encontro: “No geral, foi uma reunião muito positiva e estamos ansiosos para continuar o diálogo.” A continuidade das conversas indica que a Fifa está trabalhando ativamente para mitigar os obstáculos e assegurar a participação plena do Irã, respeitando ao mesmo tempo as normativas internacionais.

Imagem: valor.globo.com
Preparativos e Cenário Esportivo para a Seleção Iraniana
Apesar das incertezas diplomáticas e das questões relacionadas à concessão de vistos, a seleção do Irã tem mantido seu cronograma de preparação. Anteriormente, a Federação Iraniana havia formalmente solicitado à Fifa que seus jogos da Copa do Mundo fossem realocados para o México, outro país-sede, possivelmente na tentativa de evitar as complicações burocráticas e políticas de entrada nos Estados Unidos. No entanto, o presidente da Fifa, Gianni Infantino, manteve uma postura firme, reiterando que todos os jogos devem ser disputados nos locais originalmente programados e aprovados pela entidade.
O planejamento logístico da equipe iraniana segue, então, conforme o esperado. Na segunda-feira seguinte ao encontro de Grafstrom com Taj, dia 18, a equipe estava programada para deixar Teerã e seguir para um campo de treinamento preparatório na Turquia. Essa fase intensiva visa aprimorar o condicionamento físico e as táticas de jogo. Posteriormente, o time seguirá para sua base designada nos Estados Unidos, que será estabelecida no Complexo Esportivo Kino, situado em Tucson, Arizona, já no início de junho. Essa programação reflete a expectativa de que todos os arranjos de viagem e documentação sejam finalizados em tempo hábil.
A campanha do Irã na Copa do Mundo de 2026 está agendada para começar em 15 de junho, com o confronto de estreia contra a seleção da Nova Zelândia, em Los Angeles. Além da Nova Zelândia, o Irã também está no Grupo G, onde enfrentará outras duas fortes equipes: a tradicional seleção da Bélgica e a talentosa equipe do Egito. A participação da seleção iraniana não apenas possui um significativo peso esportivo, mas também carrega consigo a expectativa de como as questões geopolíticas poderão, ou não, influenciar os aspectos práticos da competição, reforçando a complexidade de organizar um evento global de tal magnitude.
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A reunião entre a Fifa e a Federação Iraniana de Futebol representa um passo importante na mitigação das preocupações em torno da participação do Irã na Copa do Mundo de 2026. Embora desafios burocráticos e políticos, especialmente relacionados a vistos e classificações internacionais de segurança, persistam, o diálogo construtivo demonstra a busca por soluções que permitam à seleção iraniana cumprir seu compromisso no Mundial. Continue acompanhando todas as atualizações sobre o esporte e o cenário internacional em nossa editoria de Esporte.
Crédito da imagem: Foto: Murad Sezer/Reuters

