O Festival Pequeno Cineasta Celebra Jovens Talentos no Rio de Janeiro, promovendo a sétima arte entre as novas gerações. Jovens como Miguel Figueiredo Viglio, de 14 anos, e Daniel Nini, de 16, são exemplos dos promissores cineastas que encontram no Festival Internacional Pequeno Cineasta (FIPC) um palco para suas visões artísticas e o início de suas carreiras no universo audiovisual.
A paixão de Miguel por cinema floresceu ainda na infância, transformando brincadeiras de super-heróis em ensaios de montagens fílmicas aos cinco anos. Aos sete, deu um passo significativo ao participar de um curso de *stop motion*, técnica de animação quadro a quadro. “Comecei a fazer filmes em stop motion com os brinquedos que eu tinha e fui me aprimorando”, revelou o jovem, hoje com a convicção de seguir uma carreira que, embora reconheça ser desafiadora, promete a realização de trabalhar com aquilo que realmente o cativa.
Festival Pequeno Cineasta Celebra Jovens Talentos no Rio
O FIPC, em sua 11ª edição, representa uma vitrine vital para estas vozes emergentes, oferecendo programação gratuita entre este domingo (18) e o dia 24 de outubro. Os eventos ocorrerão em três renomados espaços culturais do Rio de Janeiro: o Teatro Municipal Carlos Gomes, o Instituto Cervantes e o Jardim Botânico. Miguel Figueiredo Viglio é um dos competidores que almejam o reconhecimento neste cenário e já coleciona louros. Seu filme “Circo dos Horrores” foi premiado como Melhor Filme no festival FECEA (Rio Grande do Sul, 2025), ganhou o Troféu Geração no Festival do Rio (2025) e o prêmio de Melhor Filme pelo Júri Popular no É Tudo Criança (Minas Gerais, 2026).
Internacionalmente, “Circo dos Horrores” foi finalista em eventos de destaque, incluindo o CineClub Dei Picoli, na Itália (2025), o Madeira Curtas Short Film, em Portugal (2026), e o REC film festival, na Alemanha (2026). O suporte familiar tem sido essencial; a mãe de Miguel, Chica Amoreira, é uma incentivadora de primeira hora, testemunhando cada conquista do filho.
Outro talento em ascensão no festival é Daniel Nini, de 16 anos. Seu percurso artístico começou no teatro, de onde emergiu o desejo de explorar o cinema, impulsionado pela imersão em diversas produções. “Aos 10 anos eu me toquei que poderia estar nos filmes e realizar filmes. Aí comecei a ver muita coisa para pegar bagagem cultural e tentar botar em prática os meus próprios roteiros”, conta o jovem. A jornada inicial de Daniel foi marcada pela inventividade: “Nessa época eu não tinha câmera, quando eu peguei [imagens] feito por telefone, pensei que nada ia ser aproveitado, porque o som também não estava com uma qualidade muito boa, mas com a mágica da edição, ainda mais vendo na tela grande, ficou ótimo. Fiquei muito feliz com o resultado.” A persistência valeu a pena; atuando, Daniel conseguiu adquirir os equipamentos necessários para aprimorar suas produções.
Júri e Protagonismo Juvenil
Uma das características mais marcantes do FIPC é a formação de seu Júri Oficial, composto por crianças e adolescentes na faixa etária entre 8 e 17 anos, refletindo a visão dos próprios criadores e do público-alvo. Essa experiência oferece uma perspectiva única e responsabilidade ímpar aos jovens jurados. Carina Ki, uma das participantes do júri, descreveu a oportunidade como “muito importante”. Inicialmente, com a faixa etária de 13 a 17 anos, pensou que seria “meio experimental”, mas ficou “muito impactada com a criatividade e todas as técnicas” utilizadas pelos realizadores. “As crianças se esforçaram muito para fazer. Fiquei muito impressionada com o talento delas”, comentou, destacando a importância do contato com produções de outros adolescentes para quem planeja seguir no cinema, como é seu caso.
Para Daniela Gracindo, idealizadora do FIPC, que também atua como cineasta, produtora e educadora audiovisual, o festival se distingue por dar protagonismo total a crianças e adolescentes. “Não são adultos falando sobre crianças e adolescentes. São eles que assumem as câmeras para contar as suas histórias,” afirma Daniela. Segundo ela, esse modelo incentiva uma participação ativa, onde a opinião dos jovens verdadeiramente importa, transformando a experiência de quem se senta na cadeira para eleger um filme premiado. A idealização do FIPC surgiu em 2009, durante a produção de um documentário em homenagem ao avô, Paulo Gracindo, ao lado de seu pai, Gracindo Jr. Na ocasião, ela criou a Oficina Pequeno Cineasta, um espaço para alunos de 9 a 13 anos desenvolverem projetos cinematográficos, da ideia à edição. Essa iniciativa pioneira culminou na primeira edição do festival em 2010.
A Evolução da 11ª Edição
Com 11 edições realizadas, o Festival Internacional Pequeno Cineasta demonstra uma evolução notável no interesse de crianças e adolescentes pela sétima arte. Daniela Gracindo ressalta o impacto: “Cada edição que eu faço é uma potência tão grande de troca de cultura, de conexão, de conseguir se aproximar da criança, porque a gente tem esse espaço qualificado onde elas podem e devem se expressar por meio da sétima arte”. A expansão das Oficinas Pequeno Cineasta, que já se estenderam para São Paulo, Santa Catarina, Rio Grande do Sul, além de Guiana Francesa e Argentina, evidencia o alcance crescente da iniciativa. A produtora destaca o profundo efeito que o festival tem ao exibir o trabalho de pares: “Por ver todo esse resultado e conseguir abrigar crianças que nunca entraram em uma sala de cinema e ficam estonteadas só com a sala, imagina quando elas veem que uma outra garota ou garoto, como elas, fizeram aquele filme que está na tela. O impacto é muito grande para todos.”
Produções e Temas Abordados
A edição atual do festival exibe 68 filmes, selecionados entre 467 inscrições de 41 países e dez estados brasileiros. As obras, criadas por jovens de 8 a 17 anos, incluem ficções, documentários e animações, revelando como a geração atual compreende e explora temas complexos. Assuntos como amizade, preconceito, inteligência artificial, cyberbullying e crise climática são abordados com profundidade e originalidade, oferecendo um panorama autêntico da perspectiva infanto-juvenil. Essas produções servem como um termômetro cultural para compreender o olhar das crianças e adolescentes sobre os dilemas da sociedade moderna.

Imagem: agenciabrasil.ebc.com.br
Níveis de Competição e Variedade Temática
O FIPC estrutura suas competições em quatro categorias principais: Nacional e Internacional Criança (para realizadores de 8 a 12 anos) e Nacional e Internacional Jovem (para adolescentes de 13 a 17 anos). Além disso, conta com três mostras especiais: Oficina Pequeno Cineasta, Filmes Hispânicos e “Sustente Sua História”, esta última dedicada a produções focadas em sustentabilidade e meio ambiente. A diversidade temática é um ponto alto, com filmes explorando vínculos humanos, como “A Night Without You” (Malásia), “Orpheus & Eurydice” (Estados Unidos) e “Passagens” (Niterói, RJ). Outras produções como “The City” (Ucrânia) e “Paani” (Estados Unidos) retratam a resiliência em face de guerras e eventos climáticos extremos. A crise climática é foco de “Axinos” (Grécia), “Concreto” (Contagem, MG) e “Yanomamis: Guardiões da Floresta” (Brasil), enquanto filmes como “O Espelho”, “Segundo Plano” (ambos de Porto Alegre) e “Por Culpa de la IA” (Espanha) investigam solidão, pressão social, violência e os impactos da tecnologia.
Intercâmbio Cultural e Formação Educacional
A cerimônia de abertura, em 18 de outubro, às 11h, no Teatro Municipal Carlos Gomes, no Centro do Rio, promoverá um encontro singular entre cineastas brasileiros e da Guiana Francesa. Serão exibidos seis curtas de cerca de 80 crianças e jovens de Saint-Georges, frutos de oficinas entre 2025 e 2026, além de um minidocumentário sobre o processo criativo. Na segunda-feira, 19, o Instituto Cervantes sediará a “Mesa Redondinha”, das 15h30 às 17h, um encontro para que os jovens cineastas dos dois países assistam e debatam seus filmes com o público, abordando escolhas narrativas, temas e desafios. Além disso, nos dias 19 e 20, o mesmo Instituto Cervantes receberá o workshop “Cinema na Sala de Aula”, das 9h às 13h. A atividade, com oito horas de duração, será ministrada pela educadora, realizadora e pesquisadora argentina Irene Blei, pioneira na educação audiovisual com a criação e direção da Oficina de Cine El Mate, a primeira escola de cinema infantil e juvenil de Vicente López, na Argentina. Essas ações não só fomentam o intercâmbio, mas também fortalecem a formação de novos olhares sobre a produção cultural e audiovisual, como aponta a cobertura da cultura brasileira.
O Impacto nas Escolas e o Legado
O projeto “Pequeno Cineasta na Escola” amplia o alcance do festival, levando suas mostras competitivas gratuitamente para instituições de ensino e comunidades educativas em todo o país. Essa iniciativa permite que as escolas organizem sessões para seus alunos e enviem seus votos para o Prêmio do Júri Popular, um engajamento que “favorece a formação de plateia e transforma o cinema em ponto de partida para conversas sobre temas contemporâneos”, segundo a organização. Daniela Gracindo enfatiza que o objetivo primordial é aprofundar o conhecimento da linguagem audiovisual, para que as crianças e os jovens “se tornem críticos e saibam o que estão recebendo, fazendo e sejam alfabetizados nessa linguagem”, indo além da superficialidade de mídias sociais. Ao longo de suas edições, o festival já reuniu produções de 54 países e alcançou mais de 80 mil pessoas, reforçando seu papel na promoção da autoria, direito à expressão, formação de público e diálogo intercultural. O encerramento da programação deste ano acontecerá no Instituto Cervantes, das 16h às 18h, com a premiação dos vencedores e uma homenagem a Gracindo Jr., falecido em 2 de setembro, aos 83 anos.
O Festival Internacional Pequeno Cineasta recebe apoio institucional da Prefeitura do Rio, por meio das Secretarias Municipais de Cultura e de Educação, do Sistema Nacional de Cultura e do Ministério da Cultura, reforçando a importância do evento para o cenário cultural brasileiro.
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A edição atual do Festival Internacional Pequeno Cineasta é um testemunho vibrante da capacidade e talento de crianças e adolescentes no universo do cinema, consolidando-se como um pilar essencial para o desenvolvimento cultural e audiovisual das novas gerações. Para ficar por dentro de outros eventos culturais e novidades que moldam nossas cidades, convidamos você a explorar a seção de Cidades em nosso blog e manter-se atualizado.
Crédito da Imagem: Divulgação Festival Internacional Pequeno Cineasta (FIPC)



