EUA: China é parceira pouco confiável ao estocar petróleo

Economia

O cenário geopolítico global viu, na terça-feira, o secretário do Tesouro dos Estados Unidos, Scott Bessent, classificar a China como uma parceira internacional de baixa confiabilidade. A crítica central girou em torno das políticas chinesas de armazenamento de petróleo e da restrição à exportação de certos produtos, em meio ao conflito que se desenrola no Oriente Médio. Bessent enfatizou que a conduta da nação asiática rememora sua postura durante a crise sanitária da COVID-19, quando ocorreu a estocagem de suprimentos médicos.

Em suas declarações a jornalistas, Bessent confirmou ter abordado estas questões diretamente com autoridades chinesas. Apesar da tensão subjacente, o secretário esquivou-se de comentar se a controvérsia atual poderia impactar a planejada visita do presidente dos Estados Estados Unidos, Donald Trump, a Pequim em meados de maio. No entanto, ele destacou a robusta relação de trabalho existente entre Trump e o presidente chinês, Xi Jinping, reforçando que a mensagem primordial para o encontro seria a manutenção da estabilidade. Bessent sublinhou que a comunicação transparente é a base para a solidez da relação bilateral desde o último verão.

EUA: China é parceira pouco confiável ao estocar petróleo

No entanto, a retórica do secretário não poupou a China de duras críticas relacionadas às suas atividades no contexto do que ele denominou como a guerra entre os Estados Unidos e Israel contra o Irã. Este conflito elevou os preços do petróleo em impressionantes 50% e resultou em significativas rupturas na cadeia de suprimentos global. Bessent listou, portanto, três ocasiões distintas nos últimos cinco anos em que a China se comportou como um agente internacional inconsistente. A primeira foi durante a pandemia de COVID-19, pela acumulação de produtos de saúde. A segunda, citada no ano anterior, referia-se à ameaça de Pequim de restringir as exportações de terras raras. Agora, a terceira manifestação dessa falta de confiabilidade, segundo Bessent, seria a intensa estocagem de petróleo por parte do gigante asiático, em vez de colaborar para mitigar a escassez global impulsionada pelo bloqueio iraniano no Estreito de Ormuz – uma rota marítima crucial por onde transitam 20% do volume mundial de petróleo.

As reservas estratégicas de petróleo da China, já de um tamanho comparável às da Agência Internacional de Energia (AIE) – um grupo composto por 32 membros –, continuam a ser expandidas. O secretário dos EUA pontuou que o país tem mantido um ritmo acelerado de aquisição de petróleo, ao mesmo tempo em que reduz a exportação de diversos outros produtos essenciais. Essa estratégia, na visão norte-americana, agrava a dinâmica de preços e a disponibilidade do combustível no mercado internacional em um período de grande instabilidade.

Em resposta às acusações, Liu Pengyu, porta-voz da embaixada chinesa em Washington, contextualizou a escassez de energia global como uma consequência direta da “situação tensa no Oriente Médio”. Pengyu fez um apelo veemente para o término imediato das operações militares na região, enfatizando que essa é a medida mais urgente para evitar um impacto ainda mais severo na economia mundial. Ele reiterou o compromisso da China em trabalhar ativamente pelo fim do conflito, assegurando que o país manterá um papel construtivo nos esforços diplomáticos.

Reforçando a gravidade da crise energética, instituições globais de destaque como o Fundo Monetário Internacional (FMI), o Banco Mundial e a Agência Internacional de Energia (AIE) divulgaram um posicionamento conjunto na segunda-feira. Eles conclamaram as nações a evitarem a formação de estoques excessivos de suprimentos de energia e a imposição de restrições de exportação. Essas ações, advertiram as organizações, podem intensificar o que qualificaram como o maior choque já enfrentado pelo mercado global de energia. Notavelmente, os comunicados não designaram países específicos como responsáveis pelas práticas, preferindo uma abordagem genérica ao apelo à cooperação.

O cenário do Oriente Médio viu as forças armadas dos Estados Unidos implementarem, na segunda-feira, um bloqueio naval direcionado a embarcações que partem dos portos iranianos. Em contrapartida, Teerã retaliou, proferindo ameaças contra os portos de nações vizinhas no Golfo. Esta escalada ocorreu após o malogro das negociações realizadas em Islamabad durante o fim de semana, que tinham como objetivo intermediar uma solução para o conflito. Diante dessa tensão, os preços do petróleo experimentaram uma nova alta, superando a marca dos US$ 100 por barril, sem vislumbre de uma pronta reabertura do Estreito de Ormuz. A Agência Internacional de Energia (AIE), um ator chave na monitorização dos mercados globais de energia, tem consistentemente alertado sobre a volatilidade e as interrupções na cadeia de suprimentos através de seus relatórios periódicos, reforçando a importância da cooperação internacional para a segurança energética.

Bessent já havia esclarecido a jornalistas anteriormente que o bloqueio naval visa garantir que nenhum navio, seja chinês ou de qualquer outra bandeira, consiga transpor o estratégico estreito. Ele frisou: “Eles não vão conseguir o petróleo deles. Eles podem conseguir petróleo. Mas não petróleo iraniano.” O secretário enfatizou que a China era a principal compradora do petróleo iraniano, adquirindo mais de 90% da produção do país, o que representa aproximadamente 8% das suas aquisições anuais totais. A interrupção dessa fonte é um ponto de pressão significativo na dinâmica comercial entre China e Irã e nas relações internacionais mais amplas.

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As recentes declarações de Scott Bessent sublinham a crescente preocupação dos Estados Unidos com as estratégias da China no contexto da segurança energética e da estabilidade global. A conduta chinesa de estocagem de petróleo e restrição de exportações, embora justificada por Pequim como uma resposta às tensões regionais, é vista por Washington como um fator desestabilizador. Para se manter atualizado sobre o cenário geopolítico e seus impactos na economia global, acompanhe nossa editoria de Economia no Hora de Começar.

Crédito da imagem: Divulgação

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