Empresária terá quarta cirurgia após infecção causada por preenchimento com ácido hialurônico no glúteo | G1

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Empresária fará 4ª cirurgia por infecção em preenchimento glúteo

A jovem empresária Patrícia Coelho Fernandes, de apenas 25 anos, prepara-se para enfrentar sua **quarta cirurgia por infecção em preenchimento glúteo**, uma decorrência séria de um procedimento estético com ácido hialurônico realizado em Porto Alegre, no Rio Grande do Sul. O novo procedimento, agendado para a próxima semana, visa dar continuidade ao complexo tratamento médico necessário para combater a infecção nos dois lados dos glúteos e exigirá a recolocação de drenos, conforme a própria Patrícia revelou. Após passar por três intervenções cirúrgicas anteriores, ela relata significativas alterações corporais e o persistente receio de novas complicações, sem a certeza de ter coragem para futuros procedimentos reparadores.

O calvário da empresária teve início em 3 de agosto, após a aplicação do produto. Inicialmente, ela descrevia o preenchimento como uma intervenção simples, sem riscos graves na sua percepção, baseada em experiências anteriores bem-sucedidas, inclusive na mesma região e com a mesma profissional. Contudo, os primeiros sintomas de complicação surgiram ainda durante a execução do procedimento. Horas depois, em meio a desmaios e um quadro de fraqueza extrema, ela foi levada ao hospital pelo marido, iniciando uma série de internações e cirurgias que alteraram drasticamente sua rotina e bem-estar. Documentos médicos, parte de um processo judicial contra a clínica e a biomédica envolvidas, confirmam a presença de infecções bilaterais na área glútea.

Empresária fará 4ª cirurgia por infecção em preenchimento glúteo

A condição de saúde da empresária demandou três cirurgias emergenciais para controlar as infecções, realizadas sucessivamente em 18 de agosto, 27 de agosto e 1º de setembro. Os médicos foram obrigados a remover uma parcela significativa de tecido comprometido através de um procedimento denominado debridamento, que consiste na eliminação de tecido morto ou danificado para facilitar a cicatrização e controlar a proliferação infecciosa. Patrícia conta que os profissionais buscaram preservar ao máximo a estrutura glútea, mas a extensão do dano resultou em uma deformidade notável, deixando uma das regiões “funda para dentro”. Ela descreve um medo profundo e a sensação de “estar horrorizada” com a possibilidade de enfrentar novos problemas ou mesmo de ter de se submeter a intervenções corretivas futuras para mitigar as sequelas visíveis, destacando a complexidade física e emocional de seu momento atual.

A recuperação de Patrícia Coelho Fernandes segue um ritmo desafiador, com a jovem em tratamento intensivo em sua residência desde a alta da última internação. A identificação da bactéria Enterobacter bugandensis no material coletado após a primeira cirurgia ressaltou a gravidade e a especificidade da infecção. A cronologia dos eventos ilustra a rapidez com que a situação escalou: da aplicação do preenchimento glúteo em 3 de agosto, com dores intensas desde o início, até o desmaio na madrugada de 4 de agosto, que a levou ao Hospital de Pronto Socorro de Porto Alegre. Após uma breve alta sem diagnóstico de drenagem, a piora do quadro a fez procurar o Hospital de Clínicas e, finalmente, ser internada no Hospital Moinhos de Vento em 15 de agosto, onde as três cirurgias foram realizadas até o início de setembro.

A gravidade da situação culminou na distribuição de uma ação por danos morais e materiais à Justiça em 2 de setembro. O processo é movido contra a biomédica Carolina Machado Ramos e a Boto Lips Centro Estético Ltda. Em sua defesa, a clínica Boto Lips Centro Estético Ltda. emitiu uma nota afirmando que utilizou ácido hialurônico dentro da regularidade, possuindo toda a documentação comprobatória do produto, incluindo rastreabilidade por etiquetas de identificação, lote e validade, devidamente registrados no prontuário da paciente. A empresa assegurou ainda que adota rigorosos protocolos de assepsia e biossegurança em todos os seus procedimentos, bem como cuidados apropriados com o armazenamento de todos os produtos utilizados.

A defesa da clínica Boto Lips argumentou que a profissional Carolina Machado Ramos é uma biomédica com habilitação em Estética, registrada de forma regular no Conselho Regional de Biomedicina da 5ª Região (CRBM-5 nº 2007), operando estritamente dentro de suas atribuições profissionais. Contudo, a empresa ressaltou que, após a intervenção, a paciente Patrícia teria descumprido orientações pós-procedimento. Segundo a clínica, a empresária foi explicitamente instruída a não realizar um bronzeamento a jato que havia programado, mas teria o feito em outro estabelecimento menos de 30 minutos após deixar as dependências da Boto Lips, um fato sobre o qual a clínica afirma ter registros. Para a empresa, a aderência às recomendações pós-procedimento é fundamental para a segurança e a evolução adequada do paciente, e uma investigação completa deveria considerar todo o contexto do atendimento, incluindo as condutas posteriores da paciente, antes de atribuir qualquer responsabilidade pela intercorrência.

Empresária terá quarta cirurgia após infecção causada por preenchimento com ácido hialurônico no glúteo | G1 - Imagem do artigo original

Imagem: Ricardo Stuckert. via g1.globo.com

No entanto, a advogada que representa Patrícia, Diandra Duflot de Abreu, contestou veementemente a versão da clínica. Segundo a advogada, o bronzeamento a jato foi, na verdade, recomendado e inclusive oferecido pela própria biomédica para atenuar as marcas arroxeadas que pudessem surgir. Diandra Duflot também enfaticamente apontou que as médicas responsáveis pelo tratamento hospitalar de Patrícia descartaram categoricamente a possibilidade de o procedimento de bronzeamento ter sido a causa ou um fator desencadeante da infecção. Este ponto divergente entre as partes será crucial para a determinação das responsabilidades no âmbito do processo judicial.

O incidente da empresária gaúcha é um alerta contundente sobre os riscos inerentes a procedimentos estéticos, mesmo aqueles considerados “simples”. A escolha de clínicas e profissionais qualificados, a utilização de produtos com procedência e a estrita observância das recomendações pré e pós-procedimento são etapas essenciais para minimizar potenciais complicações e garantir a segurança do paciente. É fundamental que os interessados em realizar qualquer intervenção estética busquem informações detalhadas sobre os produtos e as credenciais dos profissionais, consultando órgãos de saúde e conselhos de classe para tomar decisões informadas e seguras. Para informações mais aprofundadas sobre a regulamentação e fiscalização de produtos e procedimentos no Brasil, o portal da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA) oferece guias e esclarecimentos importantes.

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O caso de Patrícia Coelho Fernandes serve como um dramático lembrete da importância da diligência e da cautela no universo dos procedimentos estéticos, reiterando que a beleza não deve vir desacompanhada da segurança. Os desdobramentos de sua batalha legal e de sua recuperação médica continuam em andamento, sublinhando as complexidades e os desafios enfrentados quando algo sai terrivelmente errado em busca da perfeição estética. Para ficar por dentro de outras notícias e análises sobre temas de interesse social e público, continue acompanhando as atualizações em nossa editoria.

Foto: Arquivo pessoal

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