Eleições Midterms EUA: 5 Fatores Cruciais para o Congresso

Economia

As **Eleições Midterms EUA**, eventos cruciais para a política interna do país, ocorreram em uma terça-feira, 3 de novembro, marcando a renovação completa das 435 cadeiras da Câmara dos Representantes e de 35 dos 100 assentos do Senado. Esta votação apresentou um cenário inédito: pela primeira vez desde a retomada do poder por Donald Trump na Casa Branca, os republicanos se viram diante da possibilidade real de perderem o controle sobre o Congresso. Pesquisas de intenção de voto projetavam os democratas como prováveis vencedores na Câmara, com chances menores, porém palpáveis, de sucesso no Senado. Historicamente, as eleições de meio de mandato nos Estados Unidos funcionam como um termômetro da avaliação popular do governo em exercício, e é comum que o partido da presidência sofra reveses nesses pleitos.

A conjuntura política daquele momento, sob o que o artigo original chamou de “segundo governo Trump”, era particularmente complexa. O republicano enfrentava os índices de aprovação mais baixos de sua trajetória e tinha a missão de consolidar sua base de apoio. Isso se dava em um período de inflação crescente nos Estados Unidos, intensificada pelos desdobramentos da guerra contra o Irã, cuja iniciativa foi atribuída ao então presidente Trump pelo texto fonte. Além dos custos inflacionários, outra questão econômica de grande impacto para o eleitorado eram as tarifas alfandegárias implementadas por Washington no ano anterior sobre produtos de diversos países, incluindo o Brasil, influenciando diretamente as decisões de natureza comercial. Para auxiliar na compreensão dos elementos em jogo nesse pleito decisivo para a governabilidade de Trump nos anos subsequentes, o InfoMoney ressaltou cinco pontos centrais para o debate.

ELEIÇÕES MIDTERMS EUA: 5 FATORES CRUCIAIS PARA O CONGRESSO

No panorama da época, os republicanos detinham maioria com 218 cadeiras na Câmara dos Representantes e 53 no Senado. Adicionalmente, dois congressistas independentes frequentemente alinhavam seus votos com a oposição. Projeções de voto, como as do Decision Desk HQ, indicavam uma probabilidade de aproximadamente 80% de vitória democrata na Câmara e cerca de 60% no Senado. A disputa no Senado, entretanto, era mais apertada para o partido de oposição, que não precisaria apenas igualar o número de cadeiras republicanas. No sistema político americano, em caso de empate em um plenário dividido, o voto decisório pertence ao vice-presidente dos Estados Unidos, cargo ocupado por JD Vance. A composição da Câmara dos Representantes dos Estados Unidos é vital para a legislação do país.

Com a obtenção de uma maioria na Câmara, a oposição ganharia o controle de importantes comissões parlamentares, como a de Relações Exteriores, que detém a prerrogativa de aprovar operações militares e exercer significativa influência na condução da política externa americana. Uma das mais expressivas ramificações da eleição referia-se ao futuro de Trump no poder. Uma hipotética maioria da oposição poderia levar a um processo de impeachment do republicano. Nesses termos, a abertura de um processo de impedimento requeria uma maioria simples na Câmara, mas sua condenação dependia da aprovação de 67 votos no Senado. Políticos democratas proeminentes no Congresso, como Hakeem Jeffries, líder do partido na Câmara, sinalizavam que a questão do impeachment poderia ganhar destaque nos tempos vindouros, funcionando tanto como ferramenta de pressão sobre Trump quanto como catalisador de mobilização das forças de oposição.

A economia, com a inflação em pauta, era um dos eixos mais sensíveis. Antes da eclosão da guerra no Oriente Médio, em fevereiro daquele ano, o galão de gasolina nos EUA era comercializado a um valor pouco abaixo de US$ 3. Conforme dados da associação automobilística AAA, este preço disparou para cerca de US$ 4,30 em outubro. O principal fator para essa elevação estava no fechamento do Estreito de Ormuz, uma das principais rotas globais de escoamento de petróleo, pelo Irã, como medida estratégica de defesa. Além disso, a Rússia diminuiu suas exportações de diesel devido ao conflito com a Ucrânia. Nas semanas precedentes, Trump havia intensificado as pressões para evitar uma interrupção mais severa no fluxo de combustíveis no leste europeu.

O aumento dos preços dos combustíveis impactou diretamente o poder de compra da população americana. Em setembro, a inflação ao consumidor registrou uma aceleração, atingindo 3,7% em um período de doze meses. Segundo o historiador James N. Green, que preside o Conselho Diretivo do Washington Brazil Office, o encarecimento do custo de vida representava um fator preponderante para os eleitores que se dirigiram às urnas. Ele enfatizou a importância do controle inflacionário e da alta no custo de vida, além dos “conflitos intermináveis” como a guerra no Irã, que gerou aumentos nos preços de combustíveis, alimentos e transporte.

A eleição também era permeada por questões internacionais. Embora as preocupações domésticas dominassem, o eleitorado não ignorava o cenário global. Esta não era uma dinâmica nova na política dos EUA: em 2002, o então presidente George W. Bush se destacou como uma exceção ao não sofrer derrota na composição do Congresso durante suas primeiras eleições de meio de mandato, um ano após os atentados de 11 de setembro. Desta vez, o conflito com o Irã era apontado como o principal motivador para a perda de popularidade de Trump. O ex-embaixador do Brasil em Washington, Rubens Barbosa, afirmou que a guerra era determinante porque, nos últimos meses, os ataques de Israel e dos Estados Unidos ao Irã, combinados com a questão no Estreito de Ormuz, impulsionaram fortemente os preços de energia e fertilizantes, levando a um Congresso muito mais crítico em relação ao conflito.

Eleições Midterms EUA: 5 Fatores Cruciais para o Congresso - Imagem do artigo original

Imagem: infomoney.com.br

No mês de fevereiro daquele ano, a Suprema Corte dos EUA, com um placar de 6 votos a 3, determinou que a lei de emergência econômica invocada por Trump não lhe conferia autoridade para instituir novas tarifas. Em resposta, o governo substituiu as taxas revogadas por outras, ancoradas em legislação comercial. O Brasil, um dos alvos dessa iniciativa, passou a recolher uma tarifa específica de 25%. Conforme a avaliação de Rubens Barbosa, se Trump perdesse o controle de uma das Casas, ou ambas, a política de tarifas seria severamente questionada, dada a competência do Congresso nesse campo. Para a revogação dessas tarifas, uma nova legislação exigiria a aprovação do Congresso. O desafio residiria no potencial veto presidencial de Trump a tal iniciativa. Para anular um veto, o Congresso necessitaria de uma votação de dois terços em ambas as Casas, indicando que a força ou fragilidade de Trump após as midterms seria o fator decisivo.

Por fim, a atuação do Serviço de Imigração e Controle de Alfândegas (ICE, na sigla em inglês) tornou-se um ponto focal na disputa pelo voto latino. Segundo James Green, grande parte das prisões efetuadas pelo ICE visava indivíduos que não haviam cometido crimes além de ingressar ou permanecer nos Estados Unidos sem a devida permissão. O historiador argumentou que a intensa repressão contra a comunidade latino-americana gerou grande impacto, chocando e alterando a percepção pública. A oposição às ações do ICE foi compartilhada tanto por norte-americanos quanto por cidadãos de outras origens, chocados com a violência e a forma de abordagem contra pessoas em vias públicas. A maioria das pessoas manifestava-se contra a política migratória de Donald Trump e votaria em oposição a ele também por essa razão, concluiu Green.

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Esses cinco eixos – controle do Congresso, possibilidade de impeachment, inflação, tarifas comerciais e política imigratória – ilustram a complexidade das **Eleições Midterms EUA** e o profundo impacto que tiveram na política americana. O resultado determinou não apenas a governabilidade, mas também o futuro de diversas agendas prioritárias. Para se manter sempre informado sobre os acontecimentos que moldam o cenário político nacional e internacional, convidamos você a explorar outras análises em nossa editoria de Política.

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