O ministro da Fazenda, Dario Durigan, desembarcou na França neste fim de semana, marcando sua segunda incursão internacional desde que assumiu a liderança da equipe econômica do Brasil, após a saída de Fernando Haddad. A viagem do ministro Dario Durigan G7 tem como pauta principal uma série de reuniões de grande relevância, abrangendo desde encontros do G7 até discussões bilaterais com figuras proeminentes do cenário político e econômico global, além de abordagens a temas cruciais como inteligência artificial (IA), energia e a estratégica questão dos minerais. A iniciativa reforça a postura ativa do Brasil no palco das relações econômicas e tecnológicas mundiais.
A chegada de Durigan a Paris está agendada para esta segunda-feira, 18 de novembro, com o propósito de participar de uma cúpula vital que reunirá ministros das Finanças e presidentes de Bancos Centrais dos países que compõem o G7 – um influente grupo composto por Estados Unidos, Alemanha, Japão, Reino Unido, França, Itália e Canadá. É importante salientar que o Brasil estará presente nessas deliberações na qualidade de país convidado, demonstrando a crescente projeção internacional da economia brasileira. A agenda na capital francesa não se restringe apenas aos encontros oficiais do bloco; também estão previstos eventos dedicados à promoção de um diálogo aberto com representantes da sociedade civil e do setor privado da França, buscando ampliar a compreensão mútua e identificar potenciais colaborações.
Durigan G7: Ministro da Fazenda em agenda na França
A programação específica da segunda-feira inclui a participação em uma mesa redonda promovida pela conceituada revista Le Grand Continent, reconhecida por suas análises aprofundadas sobre geopolítica e temas intelectuais. Essa participação sublinha o interesse do ministro em abordar as vertentes estratégicas e conjunturais do momento global. Ademais, Dario Durigan tem agendado um almoço na redação do jornal Le Monde, um dos mais respeitados veículos de imprensa do país, momento que propicia intercâmbios informativos e fortalecimento de laços com a mídia internacional. No período da tarde, conforme o horário local parisiense, o titular da pasta econômica realizará uma visita à inovadora startup francesa de inteligência artificial, Mistral AI. Este compromisso prevê uma reunião direta com o CEO da companhia, Arthur Mensch, oportunidade valiosa para se aprofundar nas inovações e desafios do campo da IA, área de crescente impacto global.
Para concluir os compromissos do primeiro dia intenso em solo francês, o ministro Durigan se unirá aos demais participantes para o jantar ministerial do G7. Este tipo de encontro costuma ser propício para discussões mais informais, mas igualmente estratégicas, onde questões sensíveis e perspectivas futuras podem ser debatidas em um ambiente mais reservado.
Reuniões Bilaterais Estratégicas
Na terça-feira, 19 de novembro, a agenda de Durigan mantém seu ritmo intenso. Pela manhã, ele novamente integrará a reunião formal do G7, lado a lado com os outros ministros de Finanças e presidentes de Bancos Centrais membros do grupo. Após essa sessão plenária, o ministro brasileiro terá uma sequência de encontros bilaterais, um componente fundamental da diplomacia econômica, visando fortalecer laços e alinhar interesses estratégicos com nações parceiras. Essas interações individuais permitem um foco maior em temas específicos de interesse mútuo. Segundo fontes do Ministério da Fazenda, o fortalecimento das relações com parceiros chave no G7 é essencial para os objetivos de longo prazo do Brasil.
No período pós-almoço ministerial, o cronograma prevê duas reuniões de alta relevância: Durigan terá um diálogo com Anne Le Hénanff, a ministra delegada para Inteligência Artificial da França, o que reitera o interesse brasileiro no desenvolvimento e na regulamentação das tecnologias de IA. Em seguida, será a vez de se reunir com Satsuki Katayama, ministra das Finanças do Japão, uma potência econômica e tecnológica com quem o Brasil busca ampliar parcerias. Além desses compromissos, o ministro brasileiro também tem programado um encontro com Fatih Birol, o diretor-executivo da influente Agência Internacional de Energia (IEA). Este encontro ganha particular destaque em um cenário de instabilidade geopolítica e incertezas sobre o abastecimento energético global, exacerbadas pelo conflito no Oriente Médio. Tais reuniões demonstram o compromisso de as discussões estratégicas do G7.
Brasil e Minerais Críticos: Visão Estratégica
A pauta da viagem do ministro Durigan à França reflete um plano mais abrangente e ambicioso do governo brasileiro para reposicionar o país no cenário global, conforme ele mesmo detalhou em entrevista recente ao programa “Na Mesa com Datena”, da TV Brasil, na semana anterior à sua partida. Naquela ocasião, o ministro reiterou a intenção de usar essa missão internacional para apresentar o Brasil como uma alternativa estratégica e confiável no mercado mundial de minerais críticos. Estes elementos são vitais para o avanço da indústria tecnológica moderna e são componentes-chave para a concretização da transição energética global, que visa diminuir a dependência de combustíveis fósseis e promover fontes renováveis de energia. Entre os materiais destacados pelo governo federal estão as terras raras, o nióbio e o grafeno, insumos nos quais o Brasil possui significativa reserva e potencial produtivo.

Imagem: agenciabrasil.ebc.com.br
Atualmente, o domínio da produção mundial desses minerais está fortemente concentrado na China, o que confere a Pequim uma posição de grande influência no setor. A proposta brasileira, conforme expressa por Durigan, visa atrair um volume maior de investimentos estrangeiros diretos para o setor mineral do país. Crucialmente, esse impulso ao investimento internacional não ocorrerá sem salvaguardar o controle nacional sobre os recursos naturais estratégicos do Brasil. O projeto governamental se estende ao incentivo da industrialização local, ou seja, promover que o processamento e a agregação de valor aos minerais ocorram dentro do próprio território nacional, em vez de apenas exportar a matéria-prima em seu estado bruto. Durigan enfaticamente declarou que o governo tem o firme objetivo de superar a condição de mero exportador de commodities, defendendo veementemente o fortalecimento de uma indústria brasileira robusta e integrada a toda a cadeia de valor mineral e energética.
Retorno ao País e Próximos Desafios
Após a conclusão de sua densa agenda de compromissos oficiais na cidade de Paris, o ministro Dario Durigan tem o embarque programado de volta ao Brasil na noite de terça-feira, 19 de novembro, seguindo o horário francês. A previsão é que a aterrissagem em território brasileiro ocorra na manhã de quarta-feira, 20 de novembro, após a qual Durigan terá retorno imediato às suas funções e compromissos inerentes ao Ministério da Fazenda, na capital federal, Brasília. Essa rapidez no retorno ilustra a exigência e a importância das tarefas que o aguardam na gestão econômica doméstica.
Originalmente, a ida à França seria apenas a segunda etapa de uma viagem internacional que se estenderia por mais tempo e incluiria um compromisso relevante na Rússia: a reunião do Novo Banco de Desenvolvimento (NBD), amplamente conhecido como Banco dos Brics. Contudo, o ministro brasileiro optou pelo cancelamento da ida a Moscou. Essa alteração no itinerário ocorreu devido ao fechamento temporário do aeroporto da capital russa, uma medida de segurança tomada em resposta às interrupções e riscos causados pelos ataques de drones ucranianos na região. A situação ilustra a volátil conjuntura geopolítica global e como ela pode impactar agendas diplomáticas e econômicas.
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Em suma, a viagem do ministro Dario Durigan à França sublinha a prioridade do governo brasileiro em expandir sua presença e influência em fóruns internacionais, como o G7, e em discutir pautas estratégicas como IA e minerais críticos, elementos vitais para a transição energética e tecnológica global. A busca por investimentos no setor mineral, aliada ao objetivo de agregar valor à produção nacional, reforça a ambição do Brasil de se tornar um ator-chave na economia mundial. Para mais análises sobre a atuação do Brasil no cenário internacional, explore nossos conteúdos na editoria de Economia.
Crédito da imagem: Lula Marques/ Agência Brasil.

