Dólar cai para R$ 5,08 e Bolsa recua pela 4ª vez

Economia

Nesta segunda-feira, o dólar cai para R$ 5,08 e Bolsa recua pela 4ª vez, refletindo a volatilidade do cenário econômico global e doméstico. A moeda americana finalizou o pregão abaixo da marca de R$ 5,09, beneficiada por juros elevados no Brasil e a crescente valorização do petróleo. Em contrapartida, o mercado acionário brasileiro experimentou sua quarta sessão consecutiva de declínio, impactado principalmente pelas perdas observadas nas ações de grandes mineradoras.

No início do dia, a percepção de uma potencial diminuição nas tensões geopolíticas no Oriente Médio animou os investidores, gerando expectativas de uma recuperação no mercado. Contudo, essa euforia inicial foi rapidamente contida por novas declarações do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que introduziram um elemento de cautela e reorientaram as expectativas dos participantes do mercado para uma postura mais conservadora, à medida que a incerteza persistia.

Dólar cai para R$ 5,08 e Bolsa recua pela 4ª vez

Cenário Cambial: Dólar em Baixa Sustentada

O dólar comercial registrou uma queda de 0,42%, encerrando o dia cotado a R$ 5,089. Este movimento solidificou uma tendência de desvalorização, com a moeda acumulando uma baixa de 1,42% em relação ao real no mês de julho. Analisando o panorama mais amplo de 2026, a depreciação do dólar atinge a marca de 7,28%, evidenciando uma robusta valorização da moeda brasileira frente ao divisa norte-americana neste período.

Acompanhando essa dinâmica, observou-se uma desvalorização generalizada da moeda estadunidense perante outras divisas de países emergentes, embora, paradoxalmente, tenha se valorizado contra moedas de economias avançadas. A sessão cambial começou com o dólar operando acima de R$ 5,11, mas o cenário reverteu-se ao longo do dia, após a confirmação de que mediadores internacionais haviam proposto alternativas para abrandar as tensões entre Estados Unidos e Irã. Tal desenvolvimento reduziu a procura por ativos considerados mais seguros globalmente, favorecendo moedas de risco como o real.

No âmbito doméstico, um fator crucial para a sustentação do real foi a expressiva diferença nas taxas de juros entre Brasil e Estados Unidos. Essa disparidade alimentou operações de carry trade, estratégia financeira em que investidores captam fundos em nações com juros baixos para investir em mercados que oferecem remunerações mais elevadas, como o Brasil. Adicionalmente, a valorização do petróleo atuou como um elemento de apoio ao real, melhorando as perspectivas de ingresso de dólares no país através das exportações de commodities. A balança comercial brasileira, inclusive, registrou um superávit de US$ 526,3 milhões na terceira semana de julho, com as exportações apresentando um crescimento de 6,7% no acumulado do mês, impulsionadas especialmente pela indústria extrativa, conforme dados do Banco Central do Brasil.

Desempenho da Bolsa: Ibovespa Pressionado

O Ibovespa, principal índice da bolsa de valores brasileira, encerrou o pregão em queda de 0,20%, fechando aos 173.371,35 pontos. Esta foi a quarta sessão consecutiva de perdas para o indicador, sinalizando um período de maior aversão ao risco por parte dos investidores.

Pela manhã, o índice chegou a superar a marca dos 174 mil pontos, impulsionado pelas expectativas otimistas em relação à retomada das negociações entre Estados Unidos e Irã. Contudo, essa alta não se sustentou, e o Ibovespa perdeu força ao longo da tarde, especialmente após declarações mais duras do presidente Trump em relação a Teerã, que acenderam novamente a luz de alerta nos mercados. Embora as ações da Petrobras tenham apresentado alta, favorecidas pela escalada nos preços do petróleo, esse avanço não foi suficiente para compensar a performance negativa das ações de mineradoras, que contribuíram significativamente para a baixa do índice.

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Imagem: agenciabrasil.ebc.com.br

Mercado de Petróleo em Volatilidade Geopolítica

Os contratos internacionais de petróleo também mostraram volatilidade ao longo do dia, fechando em alta. A incerteza quanto à evolução do conflito no Oriente Médio ditou as oscilações. O petróleo Brent, referência global e base para a precificação da Petrobras, avançou 1,27%, fechando a US$ 89,22 por barril, depois de ter superado momentaneamente a barreira dos US$ 91 durante a sessão.

Da mesma forma, o barril de WTI, do Texas, registrou alta de 0,85%, encerrando o dia negociado a US$ 82,48. Os preços do petróleo recuaram de seus picos quando o governo iraniano confirmou o recebimento de propostas mediadoras para distensionar as relações com Washington. No entanto, os valores voltaram a subir depois que Donald Trump reiterou sua promessa de retaliação mais intensa a quaisquer novos ataques contra militares americanos.

Ainda pesaram sobre o radar dos investidores as restrições impostas ao tráfego marítimo no crucial Estreito de Ormuz, além das novas ameaças por parte dos houthis de bloquear rotas estratégicas no Mar Vermelho. Ambos os fatores persistem como fontes de preocupação, alimentando a instabilidade sobre a oferta global de petróleo e mantendo o mercado em constante estado de vigilância e sensibilidade geopolítica.

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Em suma, a movimentação do dólar e do Ibovespa neste dia 20 de julho de 2026 refletiu uma complexa interação entre fatores macroeconômicos e geopolíticos. A queda do dólar, impulsionada pelos juros altos e valorização do petróleo, contrastou com a quarta baixa consecutiva da bolsa, que se manteve sob pressão de eventos internacionais. Para continuar acompanhando as nuances do mercado financeiro e outros temas econômicos relevantes, mantenha-se conectado à editoria de Economia do Hora de Começar, acessando nossa seção de economia.

Crédito da imagem: Valter Campanato/Agência Brasil

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