Crédito Global Paga Juros Elevados com Menos Risco

Economia

O mercado de crédito global se destaca atualmente ao oferecer as maiores taxas de juros em muitas décadas, enquanto apresenta um nível de risco consideravelmente menor – cerca de um terço a menos em comparação com os últimos anos. Essa avaliação é de Wayne Dahl, co-gestor da estratégia de crédito global da renomada Oaktree Capital Management. Para Dahl, investidores brasileiros, mesmo diante de um cenário local com juros superiores a 14,25%, deveriam considerar a diversificação em seus portfólios por meio de investimentos internacionais. O especialista compartilhou suas perspectivas durante um painel na Expert XP 2026, onde esteve ao lado de Frank Rybinski, chefe de estratégia macro da Aegon Asset Management. Rybinski enfatizou a crescente importância do ‘carrego’ (rendimento do ativo ao longo do tempo) sobre os ganhos com o fechamento de spreads em escala mundial.

De acordo com Frank Rybinski, o mercado financeiro passou por uma mudança significativa de regime. Durante a década subsequente à crise financeira de 2008, marcada por políticas de juros próximos de zero pelos bancos centrais, obter retornos da renda fixa era um desafio considerável. Naquele período, o ‘spread’ – ou seja, o prêmio de risco pago acima dos títulos públicos – constituía a parcela mais substancial, senão a totalidade, dos ganhos dos investidores. Hoje, a dinâmica é distinta. O mercado agora conta com uma curva de juros em patamares relevantes, aos quais os prêmios de crédito são adicionados, criando um cenário de retornos mais atraente na base.

Crédito Global Paga Juros Elevados com Menos Risco

O efeito inerente a esse novo regime é que os spreads de crédito estão historicamente apertados. Conforme elucidado por Rybinski, essa realidade implica que a maior parte do retorno esperado virá do carrego dos ativos e de uma criteriosa seleção de investimentos, em vez de ganhos de capital derivados de um fechamento de spreads. A discussão no painel reforçou que, embora haja robustas oportunidades na renda fixa global, a seletividade dos ativos se tornou um fator primordial. Wayne Dahl citou uma máxima de Howard Marks, sócio-fundador da Oaktree: no mercado de crédito, a chave reside em evitar os maus pagadores, permitindo que os investimentos bem-sucedidos sigam seu curso. Isso se deve ao fato de que um único erro pode rapidamente anular os retornos de múltiplos acertos.

Estratégias de Seleção e Setores a Serem Evitados

Na prática, os gestores ofereceram orientações claras sobre setores e tipos de empresas a serem encarados com cautela. Dahl recomendou moderação com companhias de software que dependem fortemente de refinanciamentos para operar, bem como com empresas de construção civil, que são particularmente expostas aos juros mais elevados vigentes. Complementando a análise, Rybinski adicionou que os investidores deveriam esquivar-se de empresas cuja sustentabilidade operacional dependa de financiamento constante e volumoso. A ênfase é na análise fundamentalista aprofundada para identificar resiliência financeira e sustentabilidade no longo prazo.

Oportunidades em Ativos de Renda Fixa Global e o Potencial do Crédito Imobiliário

Do lado das oportunidades para compra de ativos, Rybinski mencionou as hipotecas de agência — títulos lastreados em financiamentos imobiliários residenciais nos Estados Unidos. Esses papéis têm apresentado um *yield* na faixa de 5% e duração relativamente curta, oferecendo um bom equilíbrio entre rendimento e risco de taxa de juros. Além disso, destacou operações específicas de CMBS (Commercial Mortgage-Backed Securities), que são papéis lastreados em hipotecas de imóveis comerciais, ressaltando a necessidade de uma análise detalhada e individualizada de cada imóvel subjacente. A compreensão profunda do contexto de política monetária e condições macroeconômicas é fundamental para balizar essas escolhas.

Wayne Dahl reforçou o apelo ao crédito imobiliário, mas com um foco ligeiramente diferente: ele apontou que os preços dos imóveis nos Estados Unidos experimentaram um aumento de aproximadamente 50% nos últimos anos. Essa valorização significativa resultou em uma melhora substancial da relação entre a dívida e o valor do imóvel (LTV – *loan-to-value*) nessas estruturas de crédito. A estratégia é empregar esse segmento para atingir uma diversificação que vá além do risco corporativo tradicional, expandindo o escopo de ativos e mitigando concentrações setoriais ou de emissores.

Diversificação: A Resposta Chave para Investimentos Através de Fronteiras

Quando questionados sobre o principal argumento para um investidor destinar capital ao crédito global, tanto Dahl quanto Rybinski foram concisos e unânimes: diversificação. Rybinski elaborou sobre a teoria de portfólio, explicando que alocar ativos em outros países, sujeitos a diferentes políticas monetárias e econômicas, expande significativamente o universo de oportunidades de investimento. Ele ainda ressalvou que essa diversificação não implica a necessidade de liquidar posições brasileiras existentes, mas sim de complementar e otimizar o portfólio de forma estratégica. Investir globalmente oferece resiliência e a capacidade de capturar rendimentos em diferentes ciclos econômicos.

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Em suma, o mercado de crédito global apresenta um panorama promissor para investidores, conjugando altos juros com um risco controlado. A seletividade de ativos, a diversificação geográfica e setorial, e a busca por carrego em detrimento de especulações de spreads são estratégias essenciais. Para continuar a aprofundar-se em análises sobre as dinâmicas dos mercados e as melhores práticas de investimento, não deixe de explorar nossa editoria de economia.

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