Bienal nas Escolas RJ usa Copa para estimular leitura

Educação

Em uma iniciativa que integra esporte e conhecimento, a Bienal nas Escolas RJ mobiliza estudantes cariocas com uma abordagem lúdica para o universo da leitura, em um ano marcado pela efervescência da Copa do Mundo. Diferenciando-se das edições anteriores, este ano marca a primeira vez que o projeto acontece fora do ciclo bienal principal do evento literário, que tradicionalmente ocorre na capital fluminense nos anos ímpares.

Organizada pela GL Events Exhibitions, empresa responsável pelo principal evento do livro no Rio, e pelo Sindicato Nacional dos Editores de Livros (SNEL), a campanha de incentivo começou em abril de 2026. A primeira unidade de ensino a receber a ação foi a Escola Municipal Maria das Dores Negrão, localizada no bairro de Oswaldo Cruz, na zona norte do Rio de Janeiro. A continuidade da programação está prevista para 11 de junho de 2026, na Escola Municipal Sarmiento, situada no Engenho Novo, também na zona norte. A expectativa é estender a presença da iniciativa a, no mínimo, seis instituições educacionais ao longo do corrente ano.

Bienal nas Escolas RJ usa Copa para estimular leitura

O diretor de Marketing e Conteúdo da GL Events, Bruno Henrique, em depoimento concedido à Agência Brasil, detalhou o fundamento do projeto itinerante. Segundo ele, as escolas representam um pilar fundamental na formação do senso crítico e na solidificação dos valores educacionais e culturais dos jovens, complementando o papel da família. O programa “Bienal nas Escolas” é percebido com grande apreço pelos organizadores, sendo uma manifestação direta do reconhecimento da força e do propósito inerente à Bienal do Livro do Rio.

Para criar um elo direto com o megaevento esportivo da FIFA, o projeto implementou um álbum de figurinhas exclusivo com uma “seleção literária”. Este álbum apresenta personagens icônicos da literatura clássica mundial, como Dom Quixote, Sherazade, Iara, Sherlock Holmes e Peter Pan. Essa estratégia visa capitalizar a popularidade da Copa do Mundo, um fenômeno global que captura a atenção em diversos países, especialmente no Brasil.

Bruno Henrique salientou que é inegável o poder de mobilização da Copa. O componente lúdico do álbum de figurinhas é, segundo ele, uma forma eficaz de envolver as crianças, independentemente do interesse delas pelo futebol, criando uma ponte entre a brincadeira e a descoberta de novas histórias. A possibilidade de trocar figurinhas e completar o álbum instiga uma relação divertida e descontraída com a leitura, ampliando as referências literárias dos participantes.

A meta primordial da Bienal, na visão de Henrique, é resposicionar o livro em um lugar de entretenimento e prazer, além de sua função primordial de educação e cultura. A edição de 2026 do projeto adota o tema “Livros Mudam o Jogo”, reiterando a ideia do impacto transformador da leitura.

Em 2026, o projeto conta com o patrocínio estratégico da OLX e da Accenture. Parte integrante da iniciativa é a doação de cem volumes para cada escola visitada, com o propósito de reforçar os acervos das bibliotecas escolares e enriquecer as salas de leitura, oferecendo mais recursos para os estudantes.

Encontros com Escritores e Fomento à Representatividade

No evento de abertura, na Escola Municipal Maria das Dores Negrão, a autora Kiusam de Oliveira foi a convidada. Reconhecida por sua contribuição à literatura afrodidática, Kiusam enfatizou a crucialidade da representatividade e do estímulo ao imaginário infantil desde os primeiros anos de vida. Ela classificou o encontro com os alunos como profundamente impactante, mencionando a identificação que sentiu com as histórias e vivências dos jovens. “Sou uma mulher preta, professora há mais de quarenta anos, e trago essa trajetória para a minha escrita”, revelou.

Para Kiusam, a jornada da aprendizagem se inicia com a “leitura do mundo”, precedendo a própria leitura das palavras. “É isso que me motiva como educadora e escritora. Quando a criança se reconhece e se vê representada, ela compreende que é capaz de sonhar e de transformar sua própria realidade. Meu compromisso é escrever para que essas crianças sonhem e se reconheçam como seres potentes”, acrescentou.

Entre os estudantes, Lara Braga, uma menina de 10 anos, expressou grande apreço por duas obras de Kiusam: “Com qual penteado eu vou” e “Tayó em quadrinhos”. Segundo Lara, esses livros abordam temas relevantes como o respeito ao cabelo e à diversidade de cor de pele. Ela também pontuou que “ler nos tira um pouco das telas e nos leva para outros lugares. Acredito que estimula a imaginação e contribui para nosso aprendizado e futuro”.

Bienal nas Escolas RJ usa Copa para estimular leitura - Imagem do artigo original

Imagem: Divulgação via agenciabrasil.ebc.com.br

O próximo encontro da Bienal nas Escolas está agendado com a escritora Andrea Taubman, que discutirá com os alunos seu best-seller infanto-juvenil “Não me toca, seu boboca!”. A seleção dos autores que participam do projeto é resultado de uma colaboração entre as secretarias municipais e estaduais de Educação.

Impacto e Resultados Consistentes do Programa

Inicialmente, o cronograma para o ano de 2026 prevê visitas a cinco escolas, com uma projeção de beneficiar, pelo menos, mil estudantes com idade entre 6 e 10 anos, conforme informação divulgada por Bruno Henrique. Ele mencionou, contudo, a possibilidade de expandir o alcance do projeto caso haja uma maior adesão e apoio da iniciativa privada.

Desde 2019 até 2026, a iniciativa da Bienal nas Escolas já alcançou um total de 25 instituições de ensino, mantendo uma média de 170 alunos engajados por visita. Somente em 2025, o projeto foi implementado em 11 escolas, impactando um contingente de 2,2 mil alunos. No ano passado, autores renomados como Bia Bedran, Thalita Rebouças, Jessé Andarilho e Rodrigo França participaram dos encontros em escolas localizadas na capital e na Baixada Fluminense.

Uma pesquisa realizada junto às escolas que integraram o projeto em 2025 revelou um dado significativo: houve um incremento de 25% na demanda por livros nas bibliotecas municipais e estaduais nas regiões abrangidas. Esse resultado valida a estratégia do programa.

“Constatamos que por onde o projeto se estabeleceu, houve uma mudança no comportamento, na cultura e na busca pelo livro”, avaliou Bruno Henrique. Ele destacou que “esse reforço do impacto positivo no ambiente escolar e o aumento na procura por livros no ano passado foram cruciais para reafirmar que estamos no percurso correto com a iniciativa”.

Confira também: Imoveis em Rio das Ostras

O programa Bienal nas Escolas consolida-se como um vetor de transformação cultural e educacional no Rio de Janeiro, utilizando a popularidade do futebol para engajar os jovens na jornada da leitura e no desenvolvimento do senso crítico. Para continuar explorando notícias sobre educação e eventos culturais no Rio, acompanhe nossa editoria de Cidades.

Crédito da imagem: Tomaz Silva/Agência Brasil

Deixe um comentário