As ações na eleição presidencial têm se tornado o principal foco de atenção no mercado financeiro brasileiro. Com pesquisas indicando uma disputa acirrada entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL), investidores e analistas do setor de capitais buscam identificar as melhores estratégias de investimento para cada desfecho eleitoral. A pauta fiscal emerge como o ponto central, moldando as expectativas para os próximos anos na economia do país.
Grandes instituições financeiras globais já delinearam suas perspectivas. Para o Citi, a credibilidade na consolidação fiscal e a habilidade do governo de obter suporte no Congresso Nacional serão os pilares para o desempenho das ações, independentemente de quem assumir o cargo máximo do país. O Morgan Stanley, por sua vez, caracteriza a eleição como um epicentro de divergência fiscal, com o potencial de redefinir o trajeto da taxa de juros, do câmbio e, consequentemente, da Bolsa de Valores.
Ações na Eleição Presidencial: O Que Esperar com Lula ou Flávio Bolsonaro?
A percepção majoritária no mercado aponta para um governo de Flávio Bolsonaro como um cenário mais propício à aceleração da consolidação fiscal, o que poderia culminar em uma queda mais expressiva da Taxa Selic e na diminuição dos prêmios de risco. Em contraste, uma eventual vitória de Lula é frequentemente associada à continuidade das políticas econômicas vigentes, sugerindo a manutenção de juros elevados por um período mais prolongado e uma postura mais cautelosa por parte dos investidores.
Para um cenário de reeleição do presidente Lula, as recomendações do Citi convergem para empresas com resiliência em um ambiente de crescimento econômico mais lento, juros persistentemente altos e eventual pressão sobre a taxa de câmbio. A carteira estratégica do banco prioriza companhias com perfil defensivo, balanços patrimoniais robustos, capacidade de ditar preços e reduzida dependência da atividade doméstica. Além disso, identificam valor em empresas beneficiadas por programas governamentais específicos, como o “Minha Casa Minha Vida” (MCMV).
Na seleção das dez principais ações sob este prisma, o Citi lista: Cury (CURY3), Embraer (EMBJ3), WEG (WEGE3), Axia Energia (AXIA3), Copel (CPLE3), BradSaúde (SAUD3), Ultrapar (UGPA3), Gerdau (GGBR4), BTG Pactual (BPAC11) e Caixa Seguridade (CXSE3). De modo alinhado, a Nomos adota uma lógica similar, favorecendo exportadoras que podem se beneficiar de um dólar valorizado e empresas com menor sensibilidade aos ciclos econômicos. Suas escolhas incluem Suzano (SUZB3), WEG (WEGE3), BB Seguridade (BBSE3), Caixa Seguridade (CXSE3) e TIM (TIMS3).
O Morgan Stanley converge para essa visão ao indicar um conjunto de empresas que se destacariam em um cenário de taxas de juros estruturalmente elevadas. Sua cesta abrange: Suzano (SUZB3), Vale (VALE3), Embraer (EMBJ3), Gerdau (GGBR4), JBS (BDR: JBSS32), Itaú Unibanco (ITUB4), Porto Seguro (PSSA3), Telefônica Brasil (VIVT3) e TIM (TIMS3). A explicação reside no fato de que exportadoras possuem receitas dolarizadas, atuando como um porto seguro quando o real se desvaloriza, enquanto bancos tradicionais, seguradoras e empresas de telecomunicações exibem maior resistência a uma desaceleração econômica.
Cenário Flávio Bolsonaro: Apostando no Mercado Doméstico
Se o mercado associa a permanência de Lula à continuidade, a tese em torno de uma vitória de Flávio Bolsonaro se concentra em uma potencial diminuição dos prêmios de risco da economia brasileira. Sob essa ótica, a temática de investimento primordial foca na “duration”, privilegiando companhias cuja valorização está intimamente ligada a uma provável queda dos juros e à reativação da atividade interna.
Neste cenário, o Citi sugere modelos de negócios cíclicos e empresas com alavancagem seletiva, enumerando como principais beneficiárias: Cyrela (CYRE3), Multiplan (MULT3), Sabesp (SBSP3), Assaí (ASAI3), C&A (CEAB3), Hapvida (HAPV3), Petrobras (PETR4), Vale (VALE3), XP (BDR: XPBR31) e B3 (B3SA3). A Nomos adere a essa linha de raciocínio, destacando em sua carteira Petrobras (PETR4), Banco do Brasil (BBAS3), Axia Energia (AXIA3), BTG Pactual (BPAC11) e Cyrela (CYRE3).
O fundamento para tais recomendações é que juros mais baixos implicam em menor custo de capital, o que estimula o crédito, o consumo e o investimento. Sob essas condições macroeconômicas, as empresas fortemente conectadas ao mercado doméstico tendem a registrar uma expansão de múltiplos e um ritmo de crescimento de resultados mais acelerado. Em uma eventual alteração na política econômica e um ajuste fiscal, o Morgan Stanley antecipa que serviços financeiros como XP, B3, BTG Pactual e Nubank (BDR: ROXO34) seriam os grandes vitoriosos, juntamente com empresas orientadas ao investimento e ao ciclo interno de atividade.
Consenso e Nuances no Setor Financeiro
Um ponto comum nas análises é a visão do setor financeiro como uma aposta sólida em ambos os cenários eleitorais. A distinção primordial reside nas instituições e nomes específicos. Para o Morgan Stanley, um quadro de continuidade política favorece bancos com viés de proteção, como Itaú (ITUB4), BTG (BPAC11) e Porto Seguro (PSSA3). Contudo, em uma hipótese de alteração na condução da política econômica, a preferência migra para ativos com maior sensibilidade às taxas de juros, como XP, B3, Nubank e Banco do Brasil (BBAS3).

Imagem: infomoney.com.br
A percepção do Citi acompanha essa tendência, evidenciada pela inclusão do BTG Pactual (BPAC11) em ambas as carteiras de recomendação. Isso reflete a versatilidade do banco em capitalizar oportunidades tanto em ambientes de juros elevados quanto em cenários de maior dinamismo e atividade no mercado de capitais.
A Kinea, alinhando-se aos bancos globais, enxerga as eleições como um divisor de águas crucial, pois impacta diretamente a trajetória dos juros reais e o prêmio de risco associado ao Brasil. Diante da persistente incerteza eleitoral, a gestora preconiza uma estratégia dúplice. Primeiramente, a priorização de empresas capazes de gerar caixa robusto e crescer independentemente do ciclo econômico. Em segundo lugar, a busca por oportunidades em setores que foram penalizados por juros elevados, mas que poderiam vivenciar uma recuperação significativa caso as expectativas fiscais melhorem. Para compreender a dinâmica da taxa básica de juros do país, é fundamental acompanhar a política monetária do Banco Central do Brasil.
Entre os segmentos defensivos, a Kinea destaca empresas de utilities (serviços básicos) e o setor de construção de baixa renda vinculado ao programa “Minha Casa, Minha Vida”. A análise sugere que concessões, ativos regulados e empresas expostas ao programa habitacional combinam crescimento e uma geração de caixa relativamente resiliente, mesmo em contextos econômicos desafiadores.
Por outro lado, entre as apostas mais sensíveis a uma possível diminuição das taxas de juros, a gestora menciona os setores de bancos, varejo e indústrias. Para a Kinea, esses segmentos acumulam anos de compressão de resultados, impactados pelo elevado custo de capital, e poderiam apresentar uma recuperação vigorosa se o país entrar em um ciclo mais favorável de crédito e investimento.
A Embraer (EMBJ3) é citada como uma notável exceção na Bolsa brasileira. Segundo a gestora, a tese de investimento da fabricante de aeronaves está mais atrelada às tendências globais da indústria aeronáutica do que às oscilações do ciclo de juros doméstico, o que a confere características diferenciadas em comparação com o restante do mercado de capitais local.
Ainda que existam variações nas listas de recomendação das diferentes casas de análise, o fator preponderante para os próximos quatro anos de gestão governamental é a percepção do mercado acerca da capacidade do futuro governo em estabilizar a trajetória fiscal e promover uma redução dos juros reais ao longo do tempo. É esse arcabouço fiscal que, em última instância, definirá a saúde econômica e as oportunidades para o investidor brasileiro.
Confira também: Imoveis em Rio das Ostras
Em suma, as ações na eleição presidencial estão intrinsecamente ligadas às expectativas de ajuste fiscal e trajetória dos juros, moldando as estratégias de investimento de grandes bancos e gestoras. Ficar atento às sinalizações políticas e econômicas é crucial para navegar neste cenário. Continue explorando outras análises do cenário econômico brasileiro em nossa seção de Economia e Mercado para aprofundar seu conhecimento sobre o mercado.
Crédito da imagem: Divulgação

