O Setor Industrial no PIB do Brasil tem demonstrado sinais de preocupação. Com a produção industrial registrando uma retração de 1,2% em agosto deste ano, quando comparado ao mesmo período do ano anterior, e doze das dezoito regiões pesquisadas indicando diminuição na atividade fabril, a Confederação Nacional da Indústria (CNI) intensifica seus esforços. O objetivo é integrar uma agenda prioritária para o segmento nas discussões dos atuais candidatos às eleições, sublinhando a necessidade premente de atenção estatal ao tema.
A CNI aponta a criação de um plano de desenvolvimento estratégico de longo prazo como central, enfatizando pilares como o crescimento da produtividade, uma maior e mais eficaz integração no cenário internacional, a adoção de uma transição ecológica sustentável e a consolidação de um ambiente de segurança jurídica. Tais reivindicações são detalhadas em um documento elaborado pela entidade e entregue aos candidatos, fornecendo um panorama da atual conjuntura do setor fabril no país.
Setor Industrial Cobra Política de Estado Ante Queda no PIB
De acordo com o diagnóstico apresentado pela CNI, o Brasil atravessa um período de desindustrialização prolongado e atípico para sua fase de desenvolvimento. Este processo é agravado pela dificuldade em manter e elevar os índices de produtividade e inovação. A percepção dominante é que a nação precisa urgentemente transformar sua política industrial em uma genuína política de Estado, com estabilidade e suporte institucional semelhantes aos que foram dispensados ao agronegócio. Conforme afirmou Antonio Ricardo Alvarez Alban, presidente da CNI, no referido documento, “o caminho para o crescimento sustentado passa, necessariamente, pela elevação dos investimentos privados, pelo aumento da produtividade e pela inovação”.
Os dados corroboram a gravidade da situação. A participação da indústria de transformação no Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro encolheu drasticamente, saindo de 35,9% em 1985 para projetados 13,7% em 2025. Este declínio é acompanhado por uma queda da produtividade total, que regrediu 10,2% entre 2000 e 2024. O contraste é gritante quando comparado a nações como Índia e México, que apresentaram avanços significativos nesse período. No que tange à complexidade econômica, o país experimentou um retrocesso ainda mais acentuado, caindo da 29ª posição em 1995 para a 78ª no ranking global.
Apesar da retração relativa em sua participação, a indústria de transformação mantém uma posição vital na economia nacional. É responsável por expressivos 47,5% das exportações brasileiras de bens e serviços, concentra 62,4% do investimento empresarial em pesquisa e desenvolvimento (P&D) e contribui com 26,6% da arrecadação total de tributos federais, segundo a CNI. Adicionalmente, seu efeito multiplicador é notável: cada real investido na manufatura gera aproximadamente R$ 2,69 na economia como um todo, um valor superior ao observado na agropecuária e no setor de serviços, evidenciando seu papel estratégico no desenvolvimento econômico.
Agenda Macroeconômica: Controle da Dívida e Eficiência do Gasto
No âmbito macroeconômico, a prioridade para o setor industrial é o controle efetivo da dívida pública e a otimização da aplicação dos recursos do Estado. A CNI preconiza a adoção de um plano fiscal plurianual que se concentre na gestão das despesas, distanciando-se de medidas arrecadatórias emergenciais que frequentemente resultam em instabilidade jurídica e inibem o investimento a longo prazo. Este enfoque é visto como fundamental para estabilizar a economia e restaurar a confiança dos investidores.
Outra preocupação latente para o setor Setor Industrial no PIB diz respeito à pressão orçamentária imposta pelas despesas obrigatórias indexadas, um problema que se intensifica com a rápida transição demográfica brasileira. Diante desse cenário, a CNI propõe uma revisão criteriosa de programas sociais e benefícios, como o Benefício de Prestação Continuada (BPC). A sugestão é desvincular o BPC do salário mínimo, incorporando-o à previdência social como um componente não contributivo. Esta alteração, argumenta a confederação, preservaria os incentivos à formalização no mercado de trabalho, contribuindo para a sustentabilidade fiscal.
No mesmo sentido, os representantes da indústria defendem a unificação dos pisos constitucionais destinados à saúde e à educação em um único piso social. Essa medida, além de simplificar a alocação de recursos, ofereceria maior flexibilidade ao governo para ajustar investimentos conforme a dinâmica populacional. Com o envelhecimento da população, projeta-se uma demanda crescente por serviços de saúde e uma possível redução na expansão da educação básica, justificando a necessidade de maior maleabilidade orçamentária.
Fortalecendo a Política Industrial e a Inserção Internacional
Para assegurar a continuidade das diretrizes, a CNI pressiona para que o próximo governo eleve a política industrial à condição de política de Estado, garantindo sua imunidade às alternâncias de gestão. A aprovação do Projeto de Lei nº 4.133/23 é crucial nesse aspecto, pois exige a formulação de uma política industrial, tecnológica e comercial coesa no primeiro ano de cada mandato presidencial, centralizando sua governança e estabelecendo uma visão de longo prazo para o Setor Industrial no PIB. Esta estratégia também engloba a utilização do poder de compra governamental como alavanca para fomentar soluções sustentáveis desenvolvidas no Brasil, desvinculando-se da lógica exclusiva do menor preço e estimulando a inovação local. Um aprofundamento sobre a indústria brasileira e suas prioridades pode ser encontrado no Portal da Indústria da CNI.
No panorama externo, a demanda da indústria visa a modernização e o fortalecimento dos mecanismos de defesa comercial do país. Isso é essencial para combater a concorrência desleal e o excesso de capacidade produtiva global. As propostas incluem a criação de um Sistema Nacional de Monitoramento Estratégico das Importações e o aprimoramento da autonomia e dos recursos humanos do Departamento de Defesa Comercial (DECOM). Além disso, os industriais solicitam a aceleração das negociações para ampliar acordos de livre comércio e a garantia de instrumentos como o financiamento pelo BNDES Exim, que apoiam a exportação de bens e serviços nacionais.
Soberania Tecnológica e Qualificação Profissional
O risco de o Brasil se tornar dependente de insumos essenciais levou à proposição de um Plano Nacional de Soberania Tecnológica. A CNI destaca que o país importa mais de 90% dos semicondutores, expondo sua autonomia a vulnerabilidades. Para enfrentar esse desafio, a aprovação de projetos como o do ReData é solicitada. Ele visa impulsionar a energia limpa nacional e posicionar o Brasil como um hub global sustentável de data centers e infraestrutura digital, fundamental para o desenvolvimento e a competitividade do Setor Industrial no PIB.
Ademais, as empresas estimam que há uma necessidade de requalificar aproximadamente 1,2 milhão de profissionais nas áreas de engenharia e tecnologia da informação para que a força de trabalho acompanhe a evolução tecnológica. Para sanar esse déficit, a indústria sugere a modernização dos currículos de licenciaturas e da formação docente. É urgente a expansão massiva da Educação Profissional e Tecnológica, com foco em disciplinas STEM (Ciência, Tecnologia, Engenharia e Matemática), bem como a consolidação do modelo dual. Este modelo integra o aprendizado em escolas e a prática em indústrias, assegurando taxas de empregabilidade mais elevadas do que os sistemas de ensino convencionais.
Sustentabilidade e Resposta dos Candidatos
Na vertente ambiental, o empresariado encara a descarbonização global não apenas como um desafio, mas como uma oportunidade estratégica para o Brasil atrair o powershoring. Isso significa captar investimentos em fábricas que buscam energia limpa e de baixo custo. Para concretizar essa vantagem, a CNI reivindica a consolidação de uma governança estável e um marco regulatório com plena segurança jurídica para o recém-instituído Sistema Brasileiro de Comércio de Emissões (SBCE), a fim de evitar imposições descoordenadas em níveis estaduais e garantir previsibilidade para o Setor Industrial no PIB.
A agenda verde da indústria culmina com a institucionalização de uma Política Nacional de Economia Circular, projetada para reduzir o desperdício sistêmico e otimizar a logística reversa por meio de incentivos fiscais. No campo da bioeconomia, o setor reforça a urgência de acelerar a validação do Cadastro Ambiental Rural (CAR) e adotar tolerância zero com o desmatamento ilegal. Tais medidas são consideradas infraestruturas essenciais para conferir credibilidade e garantir acesso internacional aos produtos derivados da biodiversidade brasileira.
Ao analisar as propostas dos candidatos disponíveis no site do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), observa-se que algumas frentes de trabalho poderiam impactar positivamente o setor industrial. A campanha de Flávio Bolsonaro (PL) destaca a intenção de reduzir custos e atrair capital privado por meio da desburocratização. Isso inclui a revisão da reforma tributária para diminuir impostos sobre a produção e estabelecer um teto para a alíquota do IVA. Seu programa também menciona a barateamento da energia elétrica e do gás natural, agilidade no licenciamento ambiental, garantia de estabilidade regulatória por até 20 anos para investimentos produtivos, estímulo ao processamento nacional de minerais críticos e a direcionamento da pesquisa acadêmica às demandas da indústria.
Por sua vez, a proposta do Partido dos Trabalhadores (PT) para a reeleição do presidente Lula delineia uma política de fomento à indústria centrada no fortalecimento do papel indutor do Estado e na promoção da transição ecológica. O documento sugere a ampliação dos programas Nova Indústria Brasil (NIB) e Plano Mais Produção. Ele ainda faz menção ao uso do poder de compra governamental, impondo requisitos de conteúdo local e margens de preferência para a indústria nacional, além do estímulo a setores estratégicos, como o Complexo Econômico e Industrial da Saúde e o setor naval.
Confira também: Imoveis em Rio das Ostras
A pauta apresentada pelo setor industrial ressalta a complexidade e a urgência das demandas enfrentadas para reverter a tendência de desindustrialização e fortalecer a contribuição do Setor Industrial no PIB brasileiro. O debate eleitoral torna-se uma plataforma essencial para que essas questões sejam discutidas e incorporadas aos planos de governo. Para se manter atualizado sobre os desdobramentos econômicos e políticos, explore mais notícias na editoria de Economia em nosso portal.
Crédito da Imagem: Publicidade