O Santuário de Elefantes Brasil (SEB), situado em Chapada dos Guimarães, Mato Grosso, marcou um momento histórico ao se preparar para receber Sandro, o primeiro elefante macho da instituição, nesta sexta-feira (18). Atualmente lar de seis elefantas, o SEB é um projeto pioneiro no país, concebido para proporcionar uma alternativa de vida digna para esses grandes mamíferos resgatados de confinamentos, circos e zoológicos.
Fundamentado na premissa de que a vida selvagem deve ser respeitada em sua essência, o santuário não permite visitas públicas com fins turísticos tradicionais. Essa política visa evitar qualquer exposição que possa causar estresse aos animais, garantindo um ambiente de recuperação e reintegração a comportamentos naturais. A organização sem fins lucrativos dedica-se integralmente à reabilitação de elefantes, oferecendo uma vasta área com vegetação nativa, lagos e estímulos ambientais que promovem a retomada de suas rotinas instintivas.
Santuário de Elefantes Brasil Recebe Primeiro Elefante Macho
De acordo com Raphael Bontempi, presidente do SEB, a essência do projeto reside em proporcionar espaços e condições de existência que estruturas de cativeiro urbano jamais poderiam oferecer. Ele explica que o SEB nasceu como uma ONG dedicada ao resgate de elefantes na América do Sul. “A gente nasceu para poder trabalhar com os elefantes da América do Sul, que tínhamos aproximadamente 50 quando começamos o projeto. Agora tem muito menos. A gente resgatou ao redor de 13, que vieram morar aqui no santuário”, afirma Bontempi, ressaltando a urgência e a importância do trabalho de resgate e acolhimento.
A filosofia do Santuário de Elefantes Brasil baseia-se na criação de um ambiente propício à reabilitação física e psicológica dos elefantes, o que o distingue profundamente dos recintos tradicionais de cativeiro. Cada elefante possui áreas que se estendem por dezenas de hectares, permitindo que os animais caminhem longas distâncias, explorem terrenos variados e interajam com diferentes tipos de solo. Esta imensidão contrasta drasticamente com a experiência anterior de Sandro, que passou quatro décadas no Parque Zoológico Municipal Quinzinho de Barros, em São Paulo, antes de ser transferido para Chapada dos Guimarães na última quarta-feira (16). A área destinada a Sandro no santuário é, para Bontempi, “maior do que o próprio zoológico inteiro de Sorocaba”, uma proporção que ele considera incomparável.
A Rotina de Respeito e Reabilitação no SEB
Diferente da maioria dos zoológicos, o Santuário de Elefantes Brasil não abre suas portas para a visitação tradicional, mantendo o foco primordial no bem-estar dos animais, protegendo-os de rotinas de apresentações ou do estresse gerado pela presença constante de público. A operacionalidade do santuário é guiada por rigorosas diretrizes técnicas de manejo e proteção, desenhadas para otimizar a recuperação de cada indivíduo.
Os animais desfrutam de total liberdade para definir seus próprios ritmos, escolhendo onde e quando desejam caminhar, banhar-se nos lagos ou descansar. Essa autonomia é crucial para o desenvolvimento de rotinas próprias e para a recuperação de comportamentos naturais da espécie. A vasta oferta de estímulos visuais e olfativos, combinada com o imenso espaço disponível, colabora significativamente na redução das estereotipias — comportamentos repetitivos causados por tédio e confinamento prolongado que são comuns em cativeiros.
Uma equipe multidisciplinar acompanha os elefantes diariamente, composta por veterinários, biólogos e tratadores que são especialistas na reabilitação de grandes mamíferos. A segurança dos recintos é assegurada por separações técnicas, considerando espécie e gênero, o que respeita a organização social inata dos elefantes. Além disso, as práticas do SEB cumprem rigorosamente as normas ambientais de licenciamento, incluindo a proibição expressa de reprodução de espécies exóticas em cativeiro, alinhando-se aos princípios da conservação responsável e ética do bem-estar animal.
Protestos e a Visão do Santuário
Apesar da missão focada no bem-estar, a transferência de Sandro gerou controvérsia. No último domingo (14), dois dias antes da movimentação, manifestantes se reuniram em Sorocaba, no zoológico onde o elefante residia, para protestar contra sua saída. Famílias com crianças exibiam cartazes com frases como “Fica, Sandro”, “A vida do Sandro é valiosa para nós” e “Vai cuidar de quem realmente é maltratado”, expressando preocupação com a idade avançada do animal e os potenciais impactos de uma longa viagem e da adaptação a um novo ambiente, que poderiam comprometer sua saúde e bem-estar.

Imagem: g1.globo.com
Em resposta aos protestos, o presidente do santuário, Raphael Bontempi, reiterou o compromisso da instituição em oferecer aos elefantes uma existência com tranquilidade e conforto superiores. Segundo ele, é uma vida que, para muitos, jamais seria alcançada em ambientes de zoológico. “A gente tá dando para esses animais uma vida que no zoológico nunca ia poder dar. Desde espaço, estrutura, atendimento especializado, pessoas capazes, até uma área muito maior”, enfatiza Bontempi, solidificando a perspectiva de que o santuário representa uma melhoria substancial na qualidade de vida dos animais resgatados, conforme as melhores práticas de conservação de elefantes.
Conheça as Elefantas Moradoras do Santuário
Atualmente, seis fêmeas de elefantes já habitam o Santuário de Elefantes Brasil, cada uma com uma história de superação após décadas de cativeiro:
- Baby: Nascida em 1992, na Flórida, EUA, Baby viveu parte de sua vida em um circo e depois no Beto Carrero World, onde foi atração. É a segunda moradora mais jovem do SEB, com 32 anos (em 2024), logo após Guillermina.
- Maia: Esta elefanta asiática, com cerca de 50 anos, foi a pioneira do santuário, chegando em outubro de 2016. Ela passou aproximadamente 30 anos em circos e, posteriormente, cinco anos acorrentada em uma fazenda. Sua personalidade dócil e energética a tornou um símbolo do SEB. Adaptada ao novo lar, superou medos e exibe comportamentos mais naturais. Maia adora mangas e é descrita como carinhosa e cooperativa.
- Rana: Uma elefanta asiática de aproximadamente 65 anos, Rana chegou ao SEB em dezembro de 2018. Sua vida incluiu cerca de 40 anos em circos e os últimos em um zoológico no litoral brasileiro. Conhecida pela habilidade de se integrar aos outros elefantes, Rana funciona como um “comitê de boas-vindas” no santuário. Após uma grande transformação, de reservada passou a ser uma das mais comunicativas, com vocalizações frequentes, além de nadar e se banhar na lama, evidenciando seu bem-estar.
- Mara: Esta elefanta asiática, com cerca de 58 anos, foi acolhida pelo santuário em maio de 2020. Originária da Índia, ela foi para um zoológico na Alemanha e, em seguida, para circos na América do Sul, passando mais de duas décadas no antigo Zoológico de Buenos Aires, na Argentina, a partir de 1995. Chegou ao SEB com problemas de saúde nas patas e tornozelo. Apesar de ter sido rotulada como agressiva no passado, os cuidadores a descrevem como dócil, comunicativa e afetuosa. Mara formou um forte vínculo com Rana e continua seu processo de recuperação, ganhando confiança e desfrutando da liberdade.
- Bambi: Elefanta asiática de aproximadamente 60 anos, Bambi chegou em setembro de 2020. Depois de mais de 40 anos em circos e uma década em zoológicos de São Paulo, ela chegou ao santuário com baixo peso, pouca massa muscular e perda de visão em um olho. Contudo, surpreendeu pela sua personalidade ativa e curiosa, sendo brincalhona e explorando o espaço com entusiasmo, o que a ajudou na recuperação física e emocional.
- Guillermina: Com 25 anos, é a elefanta mais jovem do santuário. Nascida no Ecoparque de Mendoza, na Argentina, ela passou toda a vida em cativeiro, num recinto limitado, antes de sua transferência para o SEB. Descrita como curiosa, brincalhona e de personalidade forte, chegou dependente da mãe. No santuário, começou a explorar o vasto ambiente e a conviver com outros elefantes, desenvolvendo autonomia e habilidades sociais que nunca teve antes.
Apoie o Santuário: Como Acompanhar e Contribuir
Para aqueles interessados em conhecer o Santuário de Elefantes Brasil, não é preciso visitá-lo pessoalmente, uma vez que a política da instituição visa justamente a proteção dos animais da interação humana direta, permitindo que eles vivam em um estado de semiliberdade, muitas vezes ocultos na vasta vegetação. Contudo, é possível acompanhar a jornada desses animais incríveis por meio das redes sociais e do portal oficial do santuário, onde tratadores compartilham vídeos e relatos diários. Para quem deseja contribuir de forma mais significativa, a campanha “Adotar um Elefante” permite o envio de recursos para auxiliar nos cuidados com qualquer uma das moradoras, um gesto de amor e solidariedade para com esses animais magníficos.
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O Santuário de Elefantes Brasil se solidifica como um marco de esperança para grandes mamíferos vítimas do confinamento. Com a chegada de Sandro e o trabalho contínuo com as elefantas Baby, Maia, Rana, Mara, Bambi e Guillermina, a instituição reafirma seu compromisso com a vida e a recuperação. Para continuar por dentro das notícias sobre bem-estar animal e outras pautas relevantes, explore nossa editoria de Cidades e acompanhe de perto os desafios e as conquistas do mundo animal.
Crédito da imagem: Santuário de Elefantes/Divulgação

