Ações com Dividendos: Quais Oferecem Mais de 14% Consistentes?

Economia

No cenário de taxas de juros básicas elevadas por um período estendido, com a Selic fixada em 14% ao ano, a busca por ações com dividendos substanciais se intensifica entre investidores no mercado acionário. Frequentemente, a tentação reside em papéis que prometem retornos superiores até mesmo à rentabilidade da renda fixa. Contudo, é fundamental discernir entre distribuições pontuais e uma verdadeira política de proventos consistente, conforme alertado pela analista de Research Maria Giulia Figueiredo, da Rico Investimentos. Para ela, um pagamento vultoso de dividendos nem sempre é sinônimo de um bom negócio.

Para fornecer uma análise robusta, a especialista conduziu um estudo abrangente focado em empresas que apresentaram retornos em dividendos anuais superiores a 14% nos últimos 12 meses. O critério foi aprofundado: ela também identificou as companhias que mantiveram esse desempenho médio ao longo dos três anos anteriores (2023, 2024 e 2025). Essa metodologia visa valorizar a consistência da política de distribuição de lucros em detrimento de uma performance isolada de um único ano. A pesquisa considerou ações listadas nos índices Ibovespa, IDIV (Índice de Dividendos) e IBRX-100, e o valor do ativo para o cálculo do dividend yield foi o preço de fechamento do dia 7 de agosto de 2026.

Ações com Dividendos: Quais Oferecem Mais de 14% Consistentes?

O estudo, baseado em dados da Rico Investimentos e Economática até 7 de agosto de 2026, revelou que apenas seis empresas demonstram um dividend yield médio superior a 14% ao ano no intervalo de 2023 a 2025, evidenciando uma política de proventos mais resiliente. Essas companhias são:

EmpresaCódigoDY médio 23/25
GrendeneGRND321,68%
VulcabrasVULC317,38%
Petrobras PNPETR417,29%
Petrobras ONPETR316,22%
Metal LeveLEVE315,64%
Bradespar PNBRAP414,02%

Os retornos médios identificados nesse grupo de elite variam entre 14,02% e 21,68%. Ao analisar esses dados, observa-se que somente Grendene e Vulcabras figuram consistentemente também na lista das maiores pagadoras de dividendos quando o recorte temporal é apenas dos últimos 12 meses. As outras empresas que se destacam em curto prazo não conseguem manter a mesma posição no histórico de três anos, um indicador de que seus elevados rendimentos mais recentes podem ser ocasionais. Já Petrobras e Bradespar, ausentes na lista de 12 meses, exibem uma tendência histórica de proventos, apesar de terem distribuído valores inferiores à sua própria média nos meses mais recentes.

A lista das empresas com os maiores dividendos dos últimos 12 meses, apresentando retornos expressivos até 7 de agosto de 2026, reflete um panorama de curto prazo mais volátil, com muitos nomes novos em comparação à lista de pagadoras consistentes. Conforme dados da Rico Investimentos e Economática, essas companhias e seus respectivos Dividend Yields foram:

EmpresaCódigoDY 12 meses
SYN Prop TechSYNE364,53%
GrendeneGRND343,19%
VulcabrasVULC332,62%
Log Com. Prop.LOGG327,54%
LAVVI Empreend.LAVV327,26%
MarcopoloPOMO322,42%
União Pet PartAUAU321,06%
MarcopoloPOMO420,89%
EvenEVEN320,09%
Moura Dubeux EngMDNE319,13%
MBRF Global FoodsMBRF317,49%
BB SeguridadeBBSE316,98%
Unipar CarbocloroUNIP616,92%
Tegma GestãoTGMA314,87%
Azzas 2154AZZA314,55%

Segundo a avaliação de Maria Giulia Figueiredo, companhias que demonstram uma geração de caixa estável, baixo grau de endividamento e operam em setores menos impactados pelos ciclos econômicos, como prestadoras de serviços públicos (utilities), bancos sólidos e concessionárias, tendem a manter a distribuição relevante de lucros mesmo em ambientes de restrição econômica. O patamar elevado da taxa Selic, paradoxalmente, gera um fenômeno no qual os preços das ações podem ser pressionados para baixo devido ao maior custo de oportunidade da renda fixa. Essa desvalorização eleva o retorno percentual em dividendos sem que haja, necessariamente, um aumento na distribuição de lucros pela empresa. Essa condição, para a analista, pode configurar tanto uma boa oportunidade de entrada quanto um sinal de alerta para investidores. Para entender mais sobre a dinâmica dos juros e o impacto no mercado, consulte a guia completa sobre Taxa Selic na InfoMoney.

A analista explica que a principal distinção reside nos fundamentos de cada negócio. Em cenários de correções mais severas do mercado, um número ampliado de empresas pode apresentar um dividend yield inflacionado sem uma correspondente melhora em seus fundamentos operacionais. Essa situação representa uma armadilha, similar a outros ativos de renda: quando o valor de mercado de uma ação diminui, seu retorno em dividendos percentual aumenta automaticamente, mesmo que os proventos distribuídos continuem os mesmos em termos absolutos. Contudo, o investidor que adquiriu o ativo previamente pode se deparar com uma ação desvalorizada e, eventualmente, com uma empresa em deterioração financeira.

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Imagem: infomoney.com.br

Por essa razão, Figueiredo defende que um retorno em dividendo que supera a Selic deve ser apenas o ponto inicial da análise, e não a conclusão definitiva. Antes de qualquer decisão de investimento, a analista recomenda que o investidor se faça três perguntas cruciais:

  • Os dividendos distribuídos no período possuem um caráter recorrente ou incluem eventos extraordinários, como juros sobre capital acumulados, a venda de ativos significativos ou resultados não operacionais?
  • A desvalorização do preço da ação reflete um problema estrutural e fundamental da empresa ou é meramente um ajuste de mercado que tende a ser revertido no futuro?
  • O nível de endividamento da companhia é sustentável e compatível com a continuidade dessas distribuições de lucros em um ambiente de crédito que permanece oneroso?

A especialista conclui que a análise dos retornos médios de dividendos em um horizonte de vários anos, em vez de um único exercício, complementa de forma eficaz a leitura do dividend yield dos últimos 12 meses. O cenário de taxa Selic elevada exige maior seletividade no curto prazo e uma atenção focada em empresas de qualidade, com resiliência comprovada, robusta geração de caixa e menor sensibilidade ao ciclo de juros.

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Em resumo, o investimento em ações com dividendos, embora atrativo em um ambiente de juros altos, demanda uma avaliação minuciosa da consistência, dos fundamentos e da saúde financeira das companhias para evitar armadilhas de mercado. Para continuar acompanhando análises detalhadas e as tendências do mercado financeiro, convidamos você a explorar nossa editoria de Economia em Horadecomecar.com.br e manter-se sempre bem informado.

Crédito da imagem: Divulgação

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