O Fórum Nacional pela Democratização da Comunicação (FNDC) intensifica sua atuação no cenário político nacional, cobrando um compromisso formal dos candidatos e pré-candidatos às eleições deste ano com a defesa de uma comunicação democrática no país. A entidade anunciou para o próximo sábado, 1º de julho, o lançamento de uma robusta carta de compromisso, que será apresentada publicamente em busca de adesões.
O documento, resultado da articulação de diversas entidades civis, estabelece um roteiro de propostas com o objetivo claro de fortalecer a democratização do setor no Brasil. Entre as pautas centrais, figuram a defesa da comunicação pública, comunitária e educativa, e o enfrentamento ao domínio exercido por grandes corporações de comunicação, incluindo as digitais.
FNDC Cobra Candidatos por Comunicação Democrática no País
Essa iniciativa do FNDC visa garantir que os próximos gestores e representantes eleitos priorizem um ambiente informacional plural e equitativo, que transcenda os interesses comerciais e concentrados. A carta busca ser um balizador para que os postulantes aos cargos eletivos apresentem propostas alinhadas com as necessidades de acesso e participação da sociedade na esfera comunicacional, promovendo o debate sobre o que o fórum entende como uma questão fundamental para a vitalidade da democracia.
Principais Pautas para a Democratização da Comunicação
A carta elaborada pelo FNDC elenca uma série de pontos estratégicos que buscam reformular o panorama da comunicação brasileira. Essas propostas abordam desde a autonomia tecnológica até a proteção de profissionais, delineando um caminho para uma comunicação mais justa e descentralizada. Conheça as principais:
Soberania Tecnológica e Infraestrutura Nacional
Um dos pilares do documento é o investimento robusto em soberania tecnológica. O Fórum defende a criação e o desenvolvimento de aplicações próprias, de caráter gratuito, visando diminuir a dependência brasileira de tecnologias fornecidas por corporações estrangeiras. Além disso, a carta manifesta posicionamento contrário à privatização de empresas estratégicas como o Serviço Federal de Processamento de Dados (Serpro) e a Dataprev, consideradas cruciais para a infraestrutura de dados e serviços do país.
Regulação da Tecnologia de Inteligência Artificial (IA)
O avanço da Inteligência Artificial é reconhecido, mas o FNDC ressalta a urgência de firmar regras claras para o seu desenvolvimento e uso. A preocupação central é assegurar a garantia de direitos, proibindo aplicações que envolvam riscos excessivos, como o uso indiscriminado de reconhecimento facial em operações de segurança pública. A carta enfatiza, ainda, a necessidade de combater o racismo e a violação de direitos humanos por meio de algoritmos e sistemas de IA.
Proteção a Jornalistas e Comunicadores
A segurança dos profissionais de imprensa é outra pauta de destaque. O Fórum propõe o fortalecimento e a expansão de programas de proteção específicos, que garantam a integridade física e profissional de jornalistas e comunicadores. A prioridade são os profissionais que atuam em territórios de conflito ou que estão sujeitos a ambientes de hostilidade e intimidações frequentes, visando a livre prática do jornalismo.
Proibição da Propriedade de Mídia por Políticos
Um ponto crucial da carta é a exigência de efetivação do Artigo 54 da Constituição Federal. Este dispositivo legal tem como objetivo impedir que indivíduos detentores de mandato eletivo possam ser proprietários de concessões de rádio e TV. O FNDC defende rigor na aplicação dessa norma para evitar o conflito de interesses e assegurar maior imparcialidade e pluralidade na oferta de conteúdo jornalístico e informacional, como estabelece a carta magna brasileira, disponível para consulta no Congresso Nacional.

Imagem: agenciabrasil.ebc.com.br
Fortalecimento e Independência da EBC e demais Empresas Públicas de Comunicação
A carta reitera a importância de fortalecer a Empresa Brasil de Comunicação (EBC) e as outras empresas públicas de comunicação. Para tanto, o FNDC demanda a garantia de um orçamento adequado, que permita o bom funcionamento e a expansão dessas instituições. A autonomia editorial é vista como fundamental para que essas empresas desempenhem seu papel de forma livre, pautada em concurso público para a contratação de pessoal qualificado e no restabelecimento do Conselho Curador da EBC, além da ampliação da Rede Nacional de Comunicação Pública.
Lançamento Oficial e Engajamento Político
A apresentação formal da carta de compromisso, contendo a íntegra dos 20 pontos abordados pelo FNDC, está marcada para o Sindicato dos Jornalistas de São Paulo. Durante o evento, será feita a leitura pública do documento. Na ocasião, também será divulgado o anúncio das primeiras campanhas eleitorais que já formalizaram sua adesão aos compromissos propostos, dando início à pressão por parte da sociedade civil sobre os candidatos.
O Papel do Fórum Nacional pela Democratização da Comunicação
O Fórum Nacional pela Democratização da Comunicação (FNDC) congrega uma vasta rede de mais de 500 entidades filiadas, distribuídas por todo o território nacional. Esse coletivo robusto inclui associações, sindicatos de diversas categorias, movimentos sociais, organizações não-governamentais (ONGs) e coletivos cidadãos. Todos se unem com a missão de enfrentar os desafios da comunicação no país e garantir que ela sirva aos interesses da coletividade, e não a grupos específicos.
As entidades articuladas sob o FNDC militam ativamente na defesa dos direitos dos profissionais de jornalismo, na promoção da livre difusão de informações para todos os segmentos da sociedade, no contínuo fortalecimento das instituições de comunicação pública e, fundamentalmente, no combate veemente à concentração do poder de mídia. A concentração de empresas em poucos conglomerados é vista como um obstáculo à pluralidade e à diversidade de vozes, pontos que são incessantemente destacados na agenda do Fórum.
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A iniciativa do FNDC com a carta de compromisso destaca a importância da **comunicação democrática** como um pilar essencial para a sociedade e para o exercício da cidadania no Brasil. O Fórum desafia os futuros eleitos a priorizarem a pluralidade, a inclusão e a liberdade de expressão em suas agendas, moldando um futuro onde a informação seja um direito acessível a todos. Continue acompanhando as discussões e as notícias sobre este tema em nossa editoria de Eleições 2026 e veja como a pauta da comunicação moldará o debate político.
Crédito da imagem: Marcelo Camargo/Agência Brasil
