As análises do mercado financeiro para o segundo semestre de 2026 se intensificam após um desempenho desafiador da Bolsa de Valores brasileira. O que comprar na Bolsa se tornou uma questão crucial para investidores, diante da valorização do Ibovespa abaixo do Certificado de Depósito Interbancário (CDI) no primeiro semestre. A necessidade de uma seleção criteriosa de ativos ganha destaque frente à volatilidade e ao cenário político.
O mercado acionário brasileiro vivenciou um período de fortes flutuações no primeiro semestre. Após uma impressionante alta de 23,70% no ano até 14 de abril, o Ibovespa encerrou a primeira metade de 2026 com uma modesta valorização de 6,70%, resultado inferior aos 6,90% do CDI. Junho marcou o quarto mês consecutivo de desvalorização para o principal índice da B3, levando analistas a revisarem suas estratégias. Para o período subsequente, as sugestões dos especialistas concentram-se em papéis considerados defensivos, mas também em apostas pontuais que prometem retornos mais ágeis para os portfólios, afastando a ideia de uma alocação mais generalizada em favor da “stock picking” – a seleção individual de ações.
Segundo a avaliação de estrategistas do Goldman Sachs, o mercado de ações brasileiro apresenta um considerável potencial de crescimento. As ações negociadas no país estão com um múltiplo Preço/Lucro (P/L) projetado para os próximos 12 meses em torno de 8 vezes, valor considerado atrativo quando comparado às taxas de juros de longo prazo vigentes. Embora reconheçam a possibilidade de aumento da volatilidade no segundo semestre, impulsionada pela proximidade das eleições, os especialistas da instituição apontam que qualquer alívio na expectativa de elevação dos juros, que poderia vir da queda nos preços de energia, tende a favorecer companhias domésticas com maior sensibilidade à variação dos juros.
O que Comprar na Bolsa com Ibovespa Abaixo do CDI em 2026
A XP Investimentos mantém uma perspectiva otimista para o Ibovespa, estipulando um preço-alvo de 200 mil pontos, o que representaria uma valorização potencial de 16,2% em relação ao nível atual do índice. A corretora especula que as avaliações de preço atuais, aliadas a uma eventual desaceleração no “trade” relacionado à Inteligência Artificial (IA) em mercados globais, poderiam atrair um novo fluxo de capital estrangeiro para a Bolsa brasileira na segunda metade do ano. “Não apostamos em uma alta generalizada da Bolsa, mas sim em um cenário onde empresas com fundamentos sólidos e gestão de qualidade se destacarão”, pontua Régis Chinchila, analista de research da Terra Investimentos, reforçando a estratégia de seleção de ativos, que também é defendida por Lucas Sigu, sócio-fundador da Ciano Investimentos.
Estratégias Defensivas em Destaque
O consenso entre os especialistas é a valorização da “cesta defensiva” como alicerce para as carteiras de investimento. Setores como bancos, energia elétrica, saneamento, telecomunicações e seguradoras são amplamente citados por sua resiliência em um ambiente de juros altos e incertezas políticas causadas pelas eleições que se aproximam. “Identificamos oportunidades em setores defensivos, caracterizados por empresas maduras, com geração de caixa consistente e uma boa política de pagamento de dividendos”, ressalta Bruno Perri, economista-chefe e sócio-fundador da Forum Investimentos.
A visão no Andbank converge para essa linha de raciocínio. “As principais oportunidades persistem nos segmentos de energia elétrica, saneamento e bancário”, comenta Fernando Bresciani, analista de investimentos da instituição. Bresciani também antecipa bons resultados no segundo trimestre para grandes bancos, petroleiras, mineradoras e empresas do setor de shopping centers, indicando um leque mais amplo de escolhas dentro de um espectro ainda conservador.
Destaques para o Segundo Semestre
Dentre as recomendações pontuais de ações, a Embraer figura como um dos poucos nomes que se repetem nas listas das diversas casas de investimento. Fernando Bresciani vê a fabricante de aeronaves significativamente descontada na Bolsa e vislumbra um impulso adicional com o calendário setorial, com as feiras de aviação programadas para os próximos meses que podem gerar novas encomendas. A XP Investimentos, por sua vez, destaca a Embraer como uma de suas ações favoritas no setor de bens de capital, impulsionada por seu atraente valuation.
A Ciano Investimentos adota uma abordagem mais tática, condicionando suas apostas à trajetória das taxas de juros. Lucas Sigu argumenta que, caso a Selic siga em queda, companhias alavancadas, porém com robusto fôlego de caixa, têm potencial para sobressair. Ele menciona Marfrig (MRFG3) e Simpar (SIMH3) como exemplos de “empresas que possuem um endividamento saudável”, sugerindo uma oportunidade de ganhos se as condições macroeconômicas favorecerem esse perfil.
Ações Mais Recomendadas
Um levantamento das principais carteiras recomendadas monitoradas pelo InfoMoney, abrangendo o período de virada de semestre, evidencia uma forte presença de bancos, commodities e a indústria da aviação, representada pela Embraer. O Itaú Unibanco (ITUB4) se destaca com a maior quantidade de indicações, consolidando sua liderança. Embraer (EMBR3) e Vale (VALE3) dividem a segunda posição no ranking, com a Petrobras (PETR4) logo em seguida.
O Itaú Unibanco (ITUB4) mantém sua posição de destaque graças à consistência de seus resultados, um elevado Retorno sobre o Patrimônio Líquido (ROE) e uma disciplina de capital admirável, qualidades que solidificam seu perfil defensivo mesmo em um contexto de juros elevados. A Embraer (EMBR3) ganhou tração após uma correção recente em suas ações, beneficiada por um recorde de pedidos em carteira, avanço nas margens operacionais e exposição a receitas em dólar. A Vale (VALE3) continua sendo uma favorita, impulsionada por um rigoroso controle de custos, valuation atrativo e a expectativa de recuperação dos preços do minério de ferro no mercado internacional. Já a Petrobras (PETR4) segue com apelo em função de seu expressivo dividend yield e de sua função como um “hedge” geopolítico, embora a desvalorização do petróleo já imponha limites ao seu potencial de valorização no curto prazo. Este cenário complexo do mercado de ações é um constante ponto de análise para os investidores, sendo relevante consultar fontes como o Banco Central do Brasil para informações sobre a política monetária e os juros.

Imagem: infomoney.com.br
Na sequência do ranking de recomendações, aparecem Axia Energia (AXIA3) e Bradesco (BBDC4), cada uma com cinco indicações. Logo atrás, Rede DOr (RDOR3), Localiza (RENT3) e Sabesp (SBSP3) empatam com quatro menções cada. A distribuição das recomendações é um termômetro importante sobre quais ativos têm maior consenso entre os analistas para integrar o rol de o que comprar na Bolsa.
Setores a Evitar
Em contraste com as recomendações de compra, existe um claro consenso sobre os setores que demandam cautela no segundo semestre: varejo e construção civil. “Recomendamos prudência com o varejo e com outros setores mais sensíveis ao crédito e ao nível de endividamento das famílias”, alerta Bruno Perri. Ele explica que, com a taxa Selic ainda restritiva, essas áreas são as mais impactadas, já que o consumidor, endividado, tende a reduzir seus gastos, e o custo do crédito encarece, comprimindo as margens operacionais exatamente nos setores de ciclo econômico mais dependente do consumo.
Fernando Bresciani segue a mesma linha de raciocínio, mencionando explicitamente o segmento da construção civil como um setor a ser evitado no momento. Na Terra Investimentos, Régis Chinchila adiciona critérios de balanço, recomendando cautela com empresas que apresentam elevado nível de endividamento, baixa geração de caixa e uma constante necessidade de captação de recursos, além daquelas com múltiplos elevados que não encontram suporte em um crescimento proporcional de lucros.
A Importância da Seleção e Diversificação
Sobre os fatores que farão a diferença entre uma carteira vencedora e uma com resultados frustrantes no segundo semestre, as respostas dos especialistas orbitam em torno da seleção, diversificação e disciplina. “O que diferencia uma carteira bem-sucedida de uma frustrada é a diversificação adequada, uma gestão de risco eficaz e uma alocação eficiente nos papéis e setores com maior potencial”, resume Bruno Perri, da Forum Investimentos. Caio Tonet, diretor institucional da W1 Consultoria, ecoa essa perspectiva, enfatizando que a diversificação é um pilar estrutural fundamental para a carteira absorver choques localizados. “A diversificação tem se mostrado mais crucial do que nunca”, afirma Tonet, explicando que um portfólio bem planejado capacita o investidor a explorar as oportunidades que o mercado venha a oferecer até o final do ano.
Lucas Sigu, da Ciano Investimentos, aconselha paciência para os investidores em meio à esperada volatilidade eleitoral. Segundo ele, é fundamental estar preparado para oscilações no mercado, mas o saldo final tende a compensar as turbulências, com a projeção da Ciano de que a Bolsa encerrará o ano com desempenho positivo em relação ao seu início.
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Em síntese, para enfrentar os desafios do mercado de ações em 2026, com o Ibovespa mostrando-se abaixo do CDI e o cenário eleitoral aproximando-se, a tática de selecionar individualmente ações, focando em setores defensivos e empresas com balanços sólidos, emerge como a principal recomendação. Manter uma carteira diversificada e demonstrar disciplina são fatores essenciais para alcançar o sucesso. Para continuar acompanhando as análises mais recentes e aprofundadas sobre investimentos, explore mais conteúdo em nossa editoria de Economia.
Crédito da imagem: InfoMoney Premium
