A Autoridade Nacional de Segurança Nuclear (ANSN) iniciou uma rigorosa investigação para apurar uma denúncia de suposta contaminação por material radioativo no Instituto de Pesquisas Energéticas e Nucleares (Ipen), situado na Cidade Universitária, Zona Oeste de São Paulo. O incidente, que teria ocorrido em 29 de maio, está sendo tratado com seriedade pelo órgão regulador, conforme procedimentos internos para casos que envolvem instalações radiativas.
A situação ganhou notoriedade pública após o Sindicato dos Trabalhadores no Serviço Público Federal no Estado de São Paulo (Sindsef-SP) e a Associação dos Servidores do Ipen (Assipen) direcionarem um pedido formal de esclarecimentos à direção do instituto e à Comissão Nacional de Energia Nuclear (CNEN). As entidades sindicais e associativas expressaram a necessidade urgente de informações oficiais detalhadas sobre a ocorrência e as providências tomadas para garantir a segurança dos trabalhadores e da população.
Vazamento Radioativo Ipen USP: ANSN investiga incidente
A investigação em andamento por parte da Autoridade Nacional de Segurança Nuclear busca verificar a veracidade dos fatos relatados na denúncia. A ANSN já solicitou informações pertinentes ao órgão envolvido, o Ipen, e confirmou que, neste estágio, não há detalhes adicionais a serem tornados públicos, ressaltando o compromisso de tratar todas as alegações de não conformidade com a segurança radiológica com a devida gravidade. A atuação da Autoridade é pautada pela aplicação dos procedimentos de apuração cabíveis, garantindo a lisura do processo.
Dados preliminares divulgados pelas entidades apontam que a ocorrência teria provocado a implementação de procedimentos emergenciais de descontaminação radiológica. Estas medidas, segundo as informações, incluíram a retenção de vestimentas utilizadas pelos colaboradores que atuaram na área, incluindo aqueles terceirizados, e a intervenção de uma equipe de Proteção Radiológica dedicada ao controle do incidente. A gravidade da situação supostamente exigiu ações imediatas para mitigar qualquer risco potencial.
Preocupações com a Infraestrutura e os Protocolos de Segurança
Um dos pontos de maior apreensão levantados pelo Sindsef-SP e pela Assipen refere-se à localização dos procedimentos de descontaminação. De acordo com o sindicato, parte da higienização de emergência não teria ocorrido em locais apropriados e projetados especificamente para tal finalidade. Essa questão levanta sérias dúvidas sobre a adequação da infraestrutura disponível no Ipen para gerenciar situações de emergência envolvendo materiais de natureza radioativa e sobre o cumprimento rigoroso dos protocolos de segurança estabelecidos.
No documento enviado às autoridades, Sindsef-SP e Assipen enfatizam a urgência da divulgação transparente de dados. Entre as informações solicitadas, destacam-se a natureza e o tipo do material radioativo envolvido, o número exato de trabalhadores que podem ter sido expostos, os níveis de contaminação detectados, os riscos potenciais à saúde dos indivíduos atingidos e todas as ações de contenção implementadas após a manifestação do evento.
As entidades laborais associam este suposto incidente a uma série de desafios estruturais enfrentados pelo Instituto de Pesquisas Energéticas e Nucleares ao longo dos anos recentes. Eles citam sistemáticos cortes orçamentários que comprometem o funcionamento, a contínua redução do quadro de pessoal e a persistente necessidade de investimentos em modernização da infraestrutura. A ausência de concursos públicos e a necessidade de fortalecer o Programa Nuclear Brasileiro também foram pautas de denúncia.
Adicionalmente, o relatório aponta para a possível ocorrência de outros incidentes anteriores dentro da instituição, que teriam como pano de fundo limitações financeiras crônicas, insuficiência de recursos humanos e falhas na gestão. As entidades expressam particular preocupação com o atraso de mais de um ano na realização de exames médicos específicos e obrigatórios para os servidores que manuseiam diretamente substâncias ou materiais radioativos, uma medida essencial para monitorar a saúde desses profissionais.

Imagem: g1.globo.com
Respostas e Compromisso com a Transparência
Em relação às responsabilidades e aos retornos sobre o caso, a Universidade de São Paulo (USP), instituição à qual o Ipen está vinculado administrativamente, orientou que os questionamentos diretos sobre o incidente fossem endereçados à assessoria de imprensa do próprio instituto. A Polícia Militar Ambiental, por sua vez, esclareceu que em circunstâncias que envolvem contaminação radioativa, a Autoridade Nacional de Segurança Nuclear (ANSN) é o órgão com competência legal para a condução das apurações. As equipes de reportagem contactaram tanto o Instituto de Pesquisas Energéticas e Nucleares (Ipen) quanto a Comissão Nacional de Energia Nuclear (CNEN), mas até o momento desta publicação, aguardam respostas e esclarecimentos detalhados.
A ANSN reforçou publicamente o seu protocolo, indicando que o conhecimento dos fatos veio por meio de uma denúncia de caráter anônimo. Seguindo o procedimento padrão para todas as denúncias de instalações radiativas, a situação foi encaminhada para análise da Diretoria de Instalações Radiativas e Controle (DIRC). Este departamento é o responsável técnico pela investigação de tais ocorrências, solicitando as informações necessárias para verificação dos fatos. O compromisso da Autoridade é garantir que a segurança radiológica seja preservada, tratando todas as notificações com o rigor e a seriedade devida para apurar integralmente os eventos.
As associações de trabalhadores reafirmaram seu posicionamento em defesa de uma maior clareza e transparência na divulgação de informações pertinentes a quaisquer ocorrências que envolvam elementos radioativos. Tanto o Sindsef-SP quanto a Assipen manifestaram o seu firme propósito de prosseguir com a cobrança de esclarecimentos abrangentes e de exigir uma apuração meticulosa e imparcial de todos os detalhes relacionados a este possível incidente.
Confira também: Imoveis em Rio das Ostras
O incidente no Ipen ressalta a importância da segurança e da transparência em instalações que lidam com materiais de alto risco. Para acompanhar as últimas novidades sobre investigações e questões ambientais no cenário urbano e nacional, continue navegando em nossa editoria de Cidades e mantenha-se informado sobre os desdobramentos deste e de outros importantes temas.
Foto: Roberto Fraga

