Caso Isis: Desaparecimento de Adolescente Grávida Completa 2 Anos

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O Caso Isis, envolvendo o trágico desaparecimento da adolescente Isis Victoria Mizerski, completa dois anos neste sábado, 6 de junho de 2026. A jovem, que tinha 17 anos e estava grávida, foi vista pela última vez em Tibagi, nos Campos Gerais do Paraná, após um encontro com o vigilante Marcos Vagner de Souza, apontado como pai do bebê. Desde aquele dia, seu paradeiro permanece um mistério, adicionando uma camada de angústia e incerteza à família que clama por justiça.

Apesar de o corpo de Isis nunca ter sido encontrado, as investigações da Polícia Civil resultaram na conclusão de que a adolescente foi vítima de um homicídio. A Justiça, por sua vez, aceitou essa tese, reconhecendo formalmente o óbito da jovem. Contudo, mesmo com a formalização da morte e a prisão do principal suspeito, Marcos Vagner de Souza, em 2024, a data de seu julgamento permanece indefinida, estendendo o sofrimento dos familiares em busca de respostas.

Desaparecimento de Adolescente Grávida Completa Dois Anos

Para Flávia Mizerski, mãe de Isis, a ausência de um desfecho claro e a falta do corpo da filha são uma fonte constante de agonia. “A saudade, a falta, tudo isso nunca vai passar”, desabafou Flávia em entrevista à RPC, afiliada da TV Globo. Ela ressalta a dificuldade de aceitar a situação, mencionando que, apesar de possuir uma certidão de óbito, a inexistência do corpo mantém viva a tênue esperança de reencontro. “Porque eu tenho um atestado de óbito, mas eu não tenho corpo; então, aí é que entra a esperança”, explica.

Marcos Vagner, por sua vez, sustenta sua inocência desde o início do caso. No entanto, uma série de evidências colhidas pelas autoridades e que constam no processo apontaram na direção contrária, levando tanto a equipe de investigação quanto a família de Isis a acreditarem em sua culpa. Rodrigo Mizerski, tio da adolescente e irmão de Flávia, expressa o desgaste emocional diante da lentidão do processo judicial. “Se caso nós tivéssemos já encontrado [o corpo de Isis], se o Marcos já tivesse contado o que ele fez naquele dia talvez essa dor nossa diminuiria”, afirmou. Ele reconhece a complexidade do trabalho da Justiça, mas critica a morosidade: “está sendo muito lento, né?! Porque faz dois anos, e são dois anos que nós não encontramos a Isis”, completa.

O réu enfrenta acusações graves, respondendo por homicídio triplamente qualificado – o que inclui feminicídio, dissimulação e motivo torpe –, além de ocultação de cadáver e aborto provocado sem o consentimento da gestante. A promotoria aponta que os crimes ocorreram no contexto de violência doméstica.

Cronologia do Processo e o Caminho Até o Júri Popular

Em dezembro de 2024, após ouvir 17 testemunhas e o próprio Marcos Vagner, o juiz João Batista Spanier Neto determinou que o réu seria levado a júri popular. Contudo, a defesa de Marcos recorreu dessa decisão, e o processo ganhou uma série de protelações. Seis meses após a decisão inicial, o recurso foi rejeitado em segunda instância, no Tribunal de Justiça do Paraná (TJ-PR). Mas a defesa apresentou um novo recurso, encaminhando o caso ao Superior Tribunal de Justiça (STJ) em junho de 2025. Desde então, há um ano, o processo permanece em análise no STJ, sem uma previsão para o início do julgamento.

Relembrando o Início da Tragédia: Encontro e Suspeitas de Gravidez

As investigações conduzidas pelo delegado Matheus Campos Duarte revelaram que Isis e Marcos Vagner tiveram relações sexuais entre abril e maio de 2024. A adolescente engravidou do vigilante e, no dia 3 de junho daquele ano, comunicou suas suspeitas a ele. O delegado apontou que Marcos teria pedido que Isis fizesse um teste, que confirmou a gestação. A versão policial indica que ambos se encontraram em 6 de junho, e Isis nunca mais foi vista desde então.

Busca por Abortivos e a Vontade de Isis

No dia 4 de junho de 2024, um vídeo e depoimentos de três testemunhas apontaram que Marcos Vagner foi visto tentando adquirir remédios abortivos. Embora o acusado tenha afirmado que foi Isis quem pediu os medicamentos, familiares da adolescente apresentaram uma versão diferente. Segundo a irmã e a prima da jovem, Isis revelou a elas a intenção de ter o bebê, apesar da pressão de Marcos para o aborto, e que já estava até mesmo escolhendo o nome da criança. Uma conversa registrada no inquérito entre Isis e sua prima, por meio de um aplicativo de mensagens, mostra a prima aconselhando a adolescente a não ingerir nada que o homem lhe oferecesse, ao que Isis respondeu com um “Óbvio, né”. Cláudio Dalledone, advogado da família, reiterou que Isis nunca cogitou a possibilidade de abortar, atribuindo a busca pelos medicamentos exclusivamente a Marcos Vagner. A defesa de Marcos Vagner negou a administração dos medicamentos e argumentou que a visita à farmácia era apenas para “orientação”.

O Dia do Desaparecimento: 6 de junho de 2024

Segundo relato de Rodrigo Mizerski, seu sobrinho, Isis foi à escola na manhã do dia 6 de junho e passou o restante do dia em casa. À noite, a família se preparava para ir a um culto. Por volta das 17h50, sua mãe saiu para o mercado. Nesse curto período, Isis confidenciou à prima que se encontraria com Marcos e que, posteriormente, revelaria a gravidez à mãe. Câmeras de segurança flagraram o carro de Marcos trafegando sentido PR-340 a partir das 18h05. Poucos minutos depois, às 18h15, Isis enviou sua localização em tempo real para a mãe. Preocupada com a região afastada do centro da cidade, na margem da PR-340, a mãe de Isis tentou novo contato após a mensagem de localização ter sido misteriosamente apagada, mas não obteve mais retorno. A família interpreta esse envio como um desesperado pedido de socorro. O inquérito do caso aponta que há “imprecisões” no depoimento de Marcos sobre aquela noite, baseadas nas imagens das câmeras de segurança.

Localização dos Celulares e Busca pelo Corpo

Os dias 7 e 8 de junho de 2024 foram marcados pela análise de dados dos celulares. O delegado Jonas Avelar, responsável inicial pelo caso, revelou que a quebra de sigilo telemático apontou que Marcos esteve na mesma região da adolescente – próxima a uma estrada conhecida como Mandaçaia, em Telêmaco Borba – nos dois dias seguintes ao sumiço. Essa área, de mata extensa e de difícil acesso, foi alvo de buscas com drones e cães farejadores, porém, nenhum vestígio de Isis foi encontrado.

Primeiro Depoimento do Suspeito e Mandado de Prisão

No dia 10 de junho de 2024, Marcos Vagner de Souza prestou seu primeiro depoimento, confirmando o encontro com Isis no dia de seu desaparecimento, mas negando envolvimento em qualquer crime. Ele afirmou ter deixado a jovem na Vila São José e retornado, contudo, as imagens mostraram que ele demorou cerca de uma hora para voltar, levantando suspeitas. Prints de conversas revelaram a insatisfação de Marcos com a gravidez. Quatro dias depois, em 14 de junho, um mandado de prisão foi expedido contra ele, que não foi encontrado e se tornou foragido. No mesmo dia, o Corpo de Bombeiros iniciou buscas por Isis em áreas de mata, alertando que o lapso temporal dificultava o trabalho dos cães farejadores.

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Imagem: g1.globo.com

A Entrega de Marcos Vagner e a Suspensão das Buscas

Marcos Vagner se entregou à polícia em 17 de junho de 2024, após três dias foragido, apresentando-se em Francisco Beltrão, a mais de 400 km de Tibagi, onde possuía familiares. Em 25 de junho, as buscas pelo Corpo de Bombeiros foram suspensas devido à falta de indícios. Cinco mil hectares, o equivalente a sete mil campos de futebol, já haviam sido percorridos.

Retomada das Buscas e Novas Suspeitas

As buscas por Isis foram retomadas no dia 26 de junho, com uma nova estratégia, focando em margens de rios entre Tibagi e Telêmaco Borba, após denúncias anônimas. O delegado Jonas Avelar também levantou a suspeita de que mais pessoas poderiam estar envolvidas no desaparecimento da adolescente, embora esses possíveis novos suspeitos nunca tivessem sido detalhados publicamente. Em 27 de junho, os advogados da família iniciaram uma investigação paralela.

Desenvolvimentos e o Indiciamento

No dia 1º de julho de 2024, a investigação mudou de responsável, passando do delegado Jonas Avelar para Matheus Campos Duarte. A prisão temporária de Marcos, que venceria em 17 de julho, foi prorrogada no dia 15. Em 26 de julho, a Polícia Civil divulgou uma nota expressando a crença de que Isis estaria morta e seu corpo, ocultado por Marcos, que responderia por homicídio e ocultação de cadáver.

Em 8 de agosto de 2024, a Justiça revogou a prisão temporária de Marcos. Contudo, poucas horas depois, em 9 de agosto, expediu um mandado de prisão preventiva. No mesmo dia, em coletiva de imprensa, o delegado Matheus Campos Duarte, já comparava o caso Isis ao de Eliza Samudio, que desapareceu em 2010 e cujo corpo nunca foi encontrado, mas que teve os acusados condenados. Também em 9 de agosto, o Ministério Público formalizou a denúncia contra Marcos Vagner pelos crimes já citados.

Dois dias depois, em 11 de agosto, a Justiça aceitou a denúncia, tornando Marcos Vagner de Souza réu no processo. Em 21 de outubro, começaram as oitivas de 17 testemunhas. As audiências foram suspensas no dia 24 devido à ausência de algumas delas. Em 5 de novembro, uma nova força-tarefa retomou as buscas, amparada por novas denúncias e laudos de perícia sobre amostras de lama encontradas no carro do suspeito, mas sem resultados para o paradeiro de Isis.

Marcos Vagner foi ouvido novamente em 14 de novembro, reiterando sua negação de qualquer crime, mas admitindo a tentativa de compra de abortivos, alegando um pedido de Isis. Em 6 de dezembro, o juiz João Batista Spanier Neto determinou o júri popular, citando os depoimentos das 17 testemunhas e as evidências (imagens de câmeras, extratos de conversas, etc.) que “indicam a presença de indícios da existência do crime, além de indícios de materialidade e autoria por parte do acusado”. Apesar dos recursos da defesa, essa decisão foi mantida em instâncias superiores, aguardando agora análise no STJ.

A situação do Caso Isis levanta questões pertinentes sobre os desafios enfrentados pelo sistema judiciário no país para crimes como o feminicídio, tema frequentemente discutido, por exemplo, pelo Conselho Nacional de Justiça, que tem se dedicado a aprofundar as discussões sobre o impacto da violência contra a mulher. (Fonte: CNJ)

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O desaparecimento de Isis Victoria Mizerski continua a ser um caso doloroso e sem desfecho definitivo, sublinhando a lentidão e os impasses da justiça brasileira para comover a família. O público segue acompanhando o desdobramento na esperança de que, um dia, as respostas completas venham à tona e que a família Mizerski possa encontrar algum alento. Para mais informações sobre casos de repercussão que impactam a segurança pública e o judiciário, continue acompanhando nossas análises na editoria de Cidades.

Crédito da imagem: Reprodução

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